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Magnata das criptomoedas critica projeto da família Trump por ‘confiscar ativos’

Justin Sun acusa protocolo ligado à família Trump de manter controle centralizado e congelar fundos de usuário

NEW YORK, NY - MAY 15:  CEO of TRON Justin Sun attends Consensus 2019 at the Hilton Midtown on May 15, 2019 in New York City.  (Photo by Steven Ferdman/Getty Images) (Steven Ferdman/Getty Images)

NEW YORK, NY - MAY 15: CEO of TRON Justin Sun attends Consensus 2019 at the Hilton Midtown on May 15, 2019 in New York City. (Photo by Steven Ferdman/Getty Images) (Steven Ferdman/Getty Images)

Ricardo Bomfim
Ricardo Bomfim

Editor do Future of Money

Publicado em 13 de abril de 2026 às 15h30.

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O magnata das criptomoedas e criador do blockchain Tron, Justin Sun, criticou em postagem nas redes sociais o projeto World Liberty Financial. O projeto é ligado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.  

Sun disse que sempre foi um “fervoroso” apoiador de Trump e de sua política favorável aos criptoativos. No entanto, ele afirma que foi enganado pelo World Liberty Financial, pois o protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) possui uma função escondida de bloqueio de carteiras, chamado de blacklist, que permite congelar fundos, impedir movimentações e “confiscar ativos”.  

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“Isso é o oposto de descentralização. É uma porta secreta disfarçada de porta aberta”, afirmou Sun, que possui uma fortuna avaliada pela Bloomberg em US$ 10,3 bilhões.  

A disputa entre Sun e a família Trump começou em setembro do ano passado, quando o endereço de carteira do bilionário da Tron foi bloqueado, impedindo-o de transferir suas criptomoedas WLFI.  

Havia 595 milhões de tokens na carteira de Sun, o que, na época, equivalia a US$ 107 milhões. Com a queda no preço da criptomoeda desde então, essa fatia de ativos equivale hoje a pouco mais de US$ 47 milhões.  

Eu sou a primeira e maior vítima individual, como resultado da inclusão indevida da minha carteira de WLFI em uma blacklist em 2025, o que viola direitos básicos dos investidores e os princípios de justiça do blockchain”, diz a postagem.  

WLFI não é descentralizado 

Sun pediu publicamente para que o protocolo de finanças descentralizadas divulgue quem controla a única carteira privada (EOA, sigla em inglês para externally owned account) e o  sistema de chaves por trás do contrato inteligente da criptomoeda WLFI.  

“Aqui está o que os registros on-chain mostram: um único EOA guardião, que também faz parte do multisig, colocou minha carteira em uma blacklist. Isso significa que uma pessoa, um único indivíduo, tem o poder unilateral de congelar os ativos de qualquer detentor de tokens”, disse Sun.  

De acordo com o empresário, isso significa que a governança comunitária e as votações na rede não têm valor. “Toda proposta, todo voto, toda alegação de decisão descentralizada é teatro”.  

Sun afirma que um projeto que defende a descentralização e a liberdade financeira não pode concentrar tanto poder em um único endereço anônimo.  

Projeto dos Trump ameaça processo 

Em resposta às reclamações de Sun, o perfil oficial do World Liberty Financial disse que o empresário está “se fazendo de vítima” enquanto traz “alegações infundadas” para acobertar sua própria conduta irregular.  

“Nós temos os contratos. Nós temos as provas. Nós temos a verdade. Nos vemos na Justiça, amigo”, respondeu o protocolo emissor do WLFI.  

Além do endereço de Sun, a World Liberty colocou outras 268 carteiras em sua blacklist antes do lançamento do token WLFI, segundo informações da imprensa internacional. O projeto não explicou a razão para os congelamentos.  

O World Liberty Financial foi fundado por Zachary Folkman, Chase Herro, Alex Witkoff, Zach Witkoff, Eric Trump e Donald Trump Jr. Os dois últimos são filhos do presidente americano.  

Acordo com a SEC 

Em março, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês) chegou a um acordo com a Tron e Sun por conta de um processo movido pelo regulador em 2023, ainda no governo Biden. Pelo acordo, a Rainberry, uma das empresas associadas à Tron, concordou em pagar US$ 10 milhões para encerrar as investigações.  

A SEC alegava violações de leis federais de valores mobiliários por conta da venda e distribuição em airdrops dos tokens TRX e BTT.  

Também havia investigações sobre possível manipulação do mercado secundário do TRX via “wash trading”, prática em que um agente compra e vende o mesmo ativo para si próprio para inflar os volumes de negociação.  

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