"LUNA era ruim, mas não uma pirâmide", defende Sam Bankman-Fried, da FTX

No comando de uma das principais corretoras de criptomoedas do mundo, bilionário de 30 anos pontua falhas no projeto da criptomoeda LUNA e afirma que bitcoin não pode ser usado como meio de pagamentos
Bilionário de 30 anos é o CEO de uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo (Bloomberg/Getty Images)
Bilionário de 30 anos é o CEO de uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo (Bloomberg/Getty Images)
Por Mariana Maria SilvaPublicado em 16/05/2022 14:54 | Última atualização em 16/05/2022 15:19Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Os últimos acontecimentos do mercado cripto não passaram despercebidos por grandes nomes da indústria, como Sam Bankman-Fried. E para alguns, a opinião do CEO da FTX pode ser muito importante.

O jovem bilionário do universo das criptomoedas, que acaba de completar 30 anos de idade, revelou não acreditar que a criptomoeda LUNA e o blockchain Terra fossem um esquema de pirâmide. Na visão de Bankman-Fried, a queda de mais de 99% e o fim do projeto eram previsíveis, dado que suas características eram ruins.

A LUNA era vista como um projeto promissor por diversos investidores, que acreditavam na consistência do projeto. Além da LUNA, o ecossistema Terra contava com a stablecoin – criptomoeda estável – UST. Ambas se apoiavam em um sistema projetado para garantir a paridade da UST com o dólar norte-americano e a valorização constante da LUNA.

Dessa forma, para cada UST emitida, um dólar em LUNA deixava de existir, e vice-versa. Este sistema e a demanda por UST fez com que a LUNA batesse recordes de preço mesmo quando o mercado mais amplo estava em queda, ainda em 2022.

No entanto, alguns detalhes do projeto chamaram a atenção de especialistas mais atentos, como o time de research do BTG Digital Assets e o próprio Sam Bankman-Fried. “Era previsível, se você se atentar aos detalhes”, afirmou o CEO da FTX na última semana.

Nesta segunda-feira, 16, Bankman-Fried voltou a comentar o caso, depois que muitos investidores passaram a compará-lo ao golpe da Theranos, uma startup dos EUA fundada por Elizabeth Holmes. Ela divulgava seu negócio como uma alta tecnologia e chegou a ser comparada com Steve Jobs, até que foi descoberto que tudo se tratava de uma mentira.

Sem apoiar a comparação, o CEO publicou uma série de mensagens em seu Twitter pessoal para justificar a razão pela qual não acredita que o segundo projeto falho de Do Kwon tinha como intenção aplicar um golpe em seus investidores, apesar de ter dado errado e gerado prejuízos milionários.

“O mecanismo LUNA/UST não foi deturpado – foi, de fato, muito transparente. E, eu acho que iria transparentemente falhar em algum momento”, afirmou Bankman-Fried, acrescentando que “a LUNA era ruim, mas não o mesmo tipo de ruim que a Theranos”.

Segundo ele, outros investimentos do mercado tradicional também apresentam prejuízo de mais de 50% em 2022, como as ações da Netflix e AMC, e isso não quer dizer que se tratam de esquemas fraudulentos, apesar de ser necessário tomar cuidado com fraudes, principalmente no mercado cripto.

(Mynt/Divulgação)

Pagamentos com bitcoin

Ao Financial Times, o CEO da FTX opinou sobre a maior criptomoeda do mundo, o bitcoin. Apesar de ter sido graças a ele que a tecnologia blockchain e seu negócio tenha se desenvolvido, Bankman-Fried afirmou que não vê o Bitcoin como uma rede de pagamentos adequada.

“A rede Bitcoin não é uma rede de pagamentos e não é uma rede de escala”, afirmou. A culpa por trás disso estaria no mecanismo de consenso utilizado pela rede, de acordo com Sam Bankman-Fried.

Em uma rede baseada em prova de trabalho (PoW), computadores rodam sem parar para verificar as transações e criar blocos para a rede, um processo conhecido como mineração.

Como a mineração de bitcoin se industrializou ao longo dos anos, o número de computadores que fazem esse trabalho também aumentou consideravelmente. Isso gerou críticas de especialistas preocupados com o meio ambiente e o consumo excessivo de energia.

Além disso, a rede Bitcoin também não é muito rápida. De acordo com dados do Blockchain.com, o número médio de transações por segundo da rede nos últimos 30 dias é de aproximadamente 2,58. Quando comparado às redes de pagamentos tradicionais, como Visa e Mastercard, o desempenho do Bitcoin é muito mais lento.

A repercussão de suas falas ao Financial Times repercutiram entre os entusiastas do bitcoin, e Sam Bankman-Fried teve de se retratar em seu Twitter pessoal nesta segunda-feira, 16.

“Para ser claro, eu também disse que tem potencial como reserva de valor”, publicou o CEO da FTX. Sua justificativa é que para funcionar como meio de pagamento, é preciso uma rede que comporte milhões de transações por segundo, coisa que o Bitcoin não consegue.

“As coisas com as quais você está fazendo milhões de transações por segundo precisam ser extremamente eficientes, leves e com menor custo de energia. Prova de redes de prova de participação são”, disse Bankman-Fried, defendendo o uso redes que utilizem outro mecanismo de consenso, como a Solana.

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