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Itaú cria versão tokenizada de fundo de investimento em direitos creditórios

Operação conjunta estruturou a primeira tokenização de um FDIC, avaliado em R$ 20 milhões, e contou com apoio de tokenizadora

Tokenização se tornou tendência em bancos tradicionais (alengo/Getty Images)

Tokenização se tornou tendência em bancos tradicionais (alengo/Getty Images)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 20 de outubro de 2023 às 11h27.

O Itaú BBA anunciou na última quinta-feira, 19, que realizou a sua primeira tokenização de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, um produto conhecido no mercado como FDIC. Avaliado em R$ 20 milhões, o token foi estruturado a partir de uma parceria com a Liqi, a Oliveira Trust e a VBSO Advogados.

Em um comunicado sobre a operação, o Itaú afirma que o token "representa um avanço notável no mercado de tokenização de direitos creditórios. O instrumento funciona como um FIDC, incorporando controles e condições específicas diretamente em sua programação e trazendo eficiência em relação às operações que fazem uso da estrutura tradicional".

"Nesta operação, os recebíveis comerciais originados pela SB Crédito foram tokenizados pela Liqi, também responsável pela criação dos smart contracts [contratos inteligentes], ao passo que a Oliveira Trust atuou como custodiante do lastro e agente administrativo da emissão, o VBSO Advogados, como assessor legal, o Itaú BBA, como estruturador, e o Itaú Unibanco foi o investidor dos tokens sêniores", explica o comunicado.

Na visão do Itaú, a tokenização é "inovadora em termos de custo e promove transparência e democratização de acesso". Caio Viggiano, managing director de Renda Fixa do Itaú BBA, destacou que o token "proporciona mais transparência e acesso em tempo real às informações, melhorando significativamente a experiência do investidor em comparação com os relatórios mensais tradicionais enviados por administradores”.

Já Daniel Coquieri, CEO da Liqi, pontua que a operação buscou testar a tecnologia por trás da tokenização, que permite programar todas as regras de funcionamento de um fundo de investimento e trabalhar aspectos como limites de concentração, critérios de elegibilidade e fluxos de pagamento, trazendo mais automatização de processos de assertividade em controles.

Como resultado, ele avalia que a versão tokenizada do FDIC deixa a infraestrutura "mais eficiente, com redução significativa dos custos". Para Coquieri, "este conceito busca verificar a eficácia da tecnologia, e futuras operações têm o potencial de aprimorar ainda mais os custos”.

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Drex e tokenziação

Ao mesmo tempo, a operação envolvendo a tokenização de veículos de investimento está ligada aos avanços em torno do Drex, a versão digital do real que está em desenvolvimento pelo Banco Central. Segundo o Itaú, a união entre a moeda brasileira e a tecnologia blockchain "permitirá transações financeiras integradas com ativos digitais e contratos inteligentes".

Guto Antunes head do Itaú Digital Assets, destaca que "o Drex será a base para a integração das operações financeiras com ativos digitais. No futuro, essa integração trará avanços importantes em termos de experiência e eficiência para a sociedade. E o TIDC [token de um FDIC] permite a execução de testes que antecipam os potenciais benefícios que serão trazidos para os nossos clientes, mercados financeiro e de capitais, através da tokenização de ativos".

Alexandre Silveira, CEO da SB Crédito, pontua que "estamos vivendo e promovendo uma verdadeira revolução em nosso setor com a operação deste TIDC. Inovadora, ela torna o investimento em direitos creditórios mais acessível e eficiente. Estamos entusiasmados em fazer parte desse marco".

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