Inverno cripto poderá ser mais longo após quebra da FTX, avalia Coinbase

Relatório da corretora de criptoativos aponta que desempenho do setor ainda será influenciado principalmente por ciclo de juros nos EUA
Para os analistas da Coinbase, cenário de baixa liquidez para criptoativos deve se estender até o final de 2022 (Ja'Crispy/Getty Images)
Para os analistas da Coinbase, cenário de baixa liquidez para criptoativos deve se estender até o final de 2022 (Ja'Crispy/Getty Images)
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João Pedro MalarPublicado em 16/11/2022 às 10:25.

O atual mercado de baixa no setor de criptoativos, conhecido como inverno cripto, poderá ser mais longo que o previsto depois da falência da FTX, a segunda maior exchange do mercado. A previsão foi feita em um relatório do setor de pesquisa da corretora Coinbase divulgado na terça-feira, 15.

Os analistas da empresa avaliam que o caso "não ajudou a melhorar o sentimento dos investidores em relação a essa classe de ativos", representando um "revés para a indústria" que deve resultar em uma extensão do atual inverno cripto vivido pelo setor.

"Os investidores já vinham reduzindo sua aplicação de capital devido a preocupações em torno do Fed e aos fracos ganhos das ações de tecnologia, mesmo assumindo que uma futura recessão nos EUA será branda", ressalta o relatório.

(Mynt/Divulgação)

Com a falência da corretora e seus efeitos, a Coinbase espera ver "efeitos secundários decorrentes do caso da FTX à medida que emergem quais contrapartes podem ter feito empréstimos ou interagido com a FTX ou Alameda e quais são suas responsabilidades exatas".

O relatório alerta ainda para uma redução na liquidez do mercado, já que os criptoativos podem "sentir os efeitos das entidades institucionais que investiram na FTX ou que podem ter fundos ainda bloqueados na exchange, pois isso também pode ter implicações de liquidez de médio a longo prazo".

Para os analistas, o cenário de baixa liquidez deve se estender até o final de 2022. Eles destacam que a FTX sozinha deve ter cerca de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões em dívidas, mas que os procedimentos de falência já iniciados podem reduzir o grau de contágio no setor.

O texto observa que os criptoativos tinham sido poupados de grandes flutuações de preços desde o início de julho, o que acabou mudando com a crise da FTX. A avaliação da Coinbase é que o caso "rapidamente escalou para uma instabilidade de mercado mais ampla com preocupações de risco sistêmico potencial".

"A recente turbulência do mercado e a ausência de grandes compradores deixaram a classe de ativos vulnerável, estendendo potencialmente um já longo inverno cripto", dizem os analistas.

Eles avaliam, porém, que o desempenho do setor ainda deve depender principalmente do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve. Na visão dos analistas, ainda é cedo para dizer quando o Fed vai começar a aliviar a magnitude das elevações, o que ajudaria o setor.

Mesmo assim, o relatório pondera que "fora dos Estados Unidos, muitos outros países estão procurando injetar liquidez para apoiar suas economias ou estimulá-las de alguma forma".

"Embora um dólar forte tenha tornado consideravelmente mais difícil manter posições em ativos de risco de longa duração, acreditamos que essa tendência parece mais vulnerável, embora os dados econômicos dos EUA ainda pareçam comparativamente resilientes por enquanto", destaca a corretora de criptoativos.

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