Impacto ambiental do bitcoin está mais próximo do petróleo que do ouro, afirmam pesquisadores

Estudo diz que, entre 2016 e 2021, cada US$ 1,00 em valor de mercado de bitcoin criado foi responsável por US$ 0,35 em “danos climáticos globais"
Estudo da Universidade do Novo México compara o bitcoin a um "petróleo digital" em termos de impacto ambiental (Reprodução/Shutterstock)
Estudo da Universidade do Novo México compara o bitcoin a um "petróleo digital" em termos de impacto ambiental (Reprodução/Shutterstock)
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Cointelegraph Brasil

Publicado em 30/09/2022 às 11:26.

Última atualização em 30/09/2022 às 11:39.

Um artigo de pesquisadores do Departamento de Economia da Universidade do Novo México publicado na quinta-feira, 29, alega que, do ponto de vista dos danos climáticos, o bitcoin opera mais como “petróleo digital” do que como “ouro digital”.

A pesquisa buscou estimar os danos ao clima relacionados ao consumo de energia causados pela mineração no sistema de prova de trabalho (proof-of-work) fazendo comparações com outras indústrias.

(Mynt/Divulgação)

Os pesquisadores alegam que, entre 2016 e 2021, em média cada US$ 1,00 em valor de mercado de bitcoin criado foi responsável por US$ 0,35 em “danos climáticos globais".

Eles acrescentam que "como parcela do seu valor de mercado, [a mineração PoW] está na faixa entre a produção de carne bovina e o petróleo bruto queimado como gasolina, e uma ordem de magnitude superior à energia eólica e solar”.

Os pesquisadores concluem que as descobertas representam “um conjunto de bandeiras vermelhas para qualquer atividade que queira se apresentar como ambientalmente sustentável”, acrescentando que é muito improvável que a rede Bitcoin se torne sustentável sem mudar para um modelo de consenso baseado em prova de participação (proof-of-stake).

“Se a indústria não mudar seu modelo de mineração POW ou avançar para o POS, essa classe de bens digitalmente escassos pode precisar ser regulamentada, e o atraso na criação de leis específicas provavelmente levará a danos climáticos globais crescentes”", afirma o artigo.

Recentemente, Lachlan Feeney, fundador e CEO da agência australiana de desenvolvimento de blockchain Labrys, disse que, após a passagem da Ethereum da prova de trabalho para a prova de participação, “a pressão recai sobre” o Bitcoin para justificar o uso do sistema atual de mineração

No entanto, há outras comparações e contra-argumentos. A Universidade de Cambridge relata que a rede do Bitcoin consome atualmente 94 terawatts-hora (TWh) por ano. Ao mesmo tempo, todos os refrigeradores nos Estados Unidos consomem 104 TWh por ano, ou seja, mais do que toda a rede.

Além disso, as perdas na transmissão e na distribuição de energia elétrica são de 206 TWh por ano somente nos EUA, quantidade que seria suficiente para alimentar a rede Bitcoin em 2,2 vezes.

A universidade também relata que a demanda de energia da rede Bitcoin diminuiu 14,1% em 2022. Isso ocorreu, provavelmente, devido à capitulação dos mineradores com o mercado em baixa e à adoção de máquinas mais eficientes.

Há também o argumento de que há mais energia renovável sendo utilizada na rede do Bitcoin, especialmente nos Estados Unidos, que teve uma entrada de empresas de mineração desde a proibição na China.

No início deste mês, o ex-CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, criticou a "desinformação e a propaganda" sobre o uso de energia pela rede do Bitcoin.

Ele destacou que as métricas mostram que quase 60% da energia para a mineração de bitcoin vem de fontes sustentáveis e disse que a eficiência energética melhorou 46% em relação ao ano anterior.

O estado norte-americano do Texas, que se tornou uma meca da mineração nos últimos anos, é um exemplo de utilização de energias renováveis - trata-se do maior produtor de energia eólica dos EUA.

Várias operações de mineração também foram criadas para usar energia excedente ou desperdiçada, como por exemplo aquela oriunda da queima de gás. Em agosto, o uso de energia sustentável para mineração de bitcoin cresceu quase 60% em um ano, de acordo com levantamento do Bitcoin Mining Council.

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