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Hackers da Coreia do Norte desviam R$ 4 bilhões em criptomoedas só em 2022

Empresa de análise em blockchain defende o fim dos crimes envolvendo criptomoedas para que a tecnologia possa evoluir; maior parte do dinheiro roubado foi para a Coreia do Norte
Plataformas de DeFi foram as maiores vítimas de hackers (Getty Images/Witthaya Prasongsin)
Plataformas de DeFi foram as maiores vítimas de hackers (Getty Images/Witthaya Prasongsin)
Por Mariana Maria SilvaPublicado em 12/05/2022 11:24 | Última atualização em 12/05/2022 11:24Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O mercado de criptomoedas cresceu de forma surpreendente nos últimos anos. E como qualquer nova tecnologia que possa oferecer benefícios para o mundo, infelizmente também foi utilizada por criminosos para o próprio ganho pessoal.

No entanto, um relatório da Chainalysis aponta que a atividade ilícita configura uma pequena parcela das transações no blockchain, e vem diminuindo cada vez mais.

Em 2021, apenas 0,15% das transações realizadas no blockchain envolviam dinheiro ilícito, três vezes menos que o ano anterior. Embora o gráfico demonstre um pico na atividade ilícita em 2019, a empresa de análise em blockchain justifica o número por conta de um grande esquema de pirâmide da época, o Plus Token, que roubou mais de US$ 2 bilhões em criptomoedas.

As plataformas de finanças descentralizadas (DeFi) ganharam destaque nos últimos anos ao oferecer a possibilidade de acessar serviços e produtos financeiros sem o intermédio de bancos. Contudo, elas também se tornaram as preferidas dos hackers. Os ataques à Ronin, de Axie Infinity, e ao protocolo Wormhole, foram alguns dos casos mais famosos – e custosos aos bolsos de investidores – dos últimos tempos.

(Chainalysis/Reprodução)

O estudo aponta que 97% dos roubos de criptomoedas aconteceram em plataformas do gênero, o que representa a maior parte dos US$ 1,68 bilhões roubados em 2022, até o dia primeiro de maio.

Grupos de hackers da Coreia do Norte são apontados como os responsáveis pela maioria dos ataques cibernéticos realizados este ano, levando para o país um total de US$ 840 milhões. Todos os roubos realizados pelos grupos norte-coreanos tiveram plataformas de DeFi como suas vítimas, de acordo com a pesquisa. No entanto, a Chainalysis aponta que roubos em outros tipos de plataforma podem ter existido, e não terem sido atribuídos aos hackers.

Enquanto a lavagem de dinheiro em DeFi também apresentou uma alta de 50%, novas formas de obter dinheiro ilícito com NFTs surgiam. É o caso da lavagem de dinheiro com NFTs para conseguir tokens de recompensa. A prática consiste em realizar negociações “falsas” para coletar tokens de recompensa, geralmente dados por marketplaces de NFTs.

(Mynt/Divulgação)

Com isso, colecionadores de NFTs em todo o mercado são levados a pensar que este marketplace tem mais atividade de transação do que realmente tem, e o mesmo vale para a coleção de NFTs que os criminosos estão usando para suas transações. De acordo com a pesquisa, cerca de US$ 71 milhões já foram faturados com transações do gênero.

Segundo a Chainalysis, embora o número de transações ilícitas esteja em constante redução, é necessário trabalhar para acabar com os crimes financeiros envolvendo criptomoedas para que a tecnologia possa continuar a evoluir.

“Operadores da indústria cripto precisam trabalhar para acabar com esse abuso – às vezes com a ajuda do setor público — para que novos usuários possam se sentir seguros ao adotar a tecnologia e a indústria continue a crescer”, afirma o relatório.

“Se eles fizerem isso com sucesso, esperamos ver o uso ilícito da nova tecnologia compensar
uma parcela cada vez menor do uso total ao longo do tempo. Esse progresso positivo é exatamente o que andamos vendo no mundo das criptomoedas”, finalizou.

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