Espera-se um aumento de 3,2% na produção econômica global em 2024, afirmou o FMI (AFP)
Editora do Future of Money
Publicado em 2 de abril de 2026 às 14h23.
Última atualização em 2 de abril de 2026 às 14h25.
A tokenização, já explorada por startups, bancos e instituições financeiras, ganha relevância no cenário internacional como uma ferramenta com o potencial de "reformular a indústria financeira". De acordo com um relatório assinado por Tobias Adrian, economista do Fundo Monetário Internacional (FMI) a tecnologia pode trazer ganhos relevantes de eficiência, ao mesmo tempo em que apresenta novos riscos.
Segundo o FMI, a principal mudança está na forma como ativos são registrados e movimentados. “A tokenização não elimina todos os intermediários, mas está reformulando a indústria financeira e reduzindo a necessidade de certas funções. Em um registro de tokens, pagamentos como dividendos ou juros podem ser feitos diretamente aos detentores, automatizando processos antes realizados por intermediários.”
Um dos principais benefícios apontados é a possibilidade de reduzir custos ao longo do ciclo de vida dos ativos. A emissão, a gestão e o resgate podem se tornar mais simples, com menor necessidade de intermediários.
“Algumas ineficiências podem diminuir ao longo do ciclo de vida dos ativos. Outras, no entanto, permanecerão, e novas podem surgir. A emissão, o serviço e o resgate de ativos podem envolver menos intermediários e, portanto, se tornar mais baratos”, destacou o FMI.
A negociação também pode ser impactada. A tokenização tende a diminuir fricções típicas do mercado financeiro tradicional, como custos de busca e riscos de contraparte, além de permitir maior flexibilidade na liquidação das operações.
Nesse contexto, o FMI aponta que “os custos de negociação de ativos podem diminuir à medida que a tokenização reduz alguns riscos de contraparte e fricções de busca, além de oferecer maior flexibilidade na liquidação. Além disso, maior concorrência entre intermediários pode reduzir taxas de transação.”
Essas mudanças podem aumentar a eficiência dos mercados e ampliar o acesso a determinados ativos, especialmente em um ambiente mais digital e integrado.
Apesar dos potenciais ganhos, o FMI alerta que a tokenização também pode trazer novos desafios para a estabilidade financeira. A automação e a execução quase instantânea de operações podem aumentar a velocidade de propagação de choques no sistema.
“A maior eficiência da tokenização não vem sem riscos. Ao facilitar a automação e a execução instantânea de operações, mercados tokenizados podem se tornar mais arriscados e voláteis, com maior probabilidade de movimentos abruptos”, afirmou o relatório.
Além disso, embora algumas ineficiências sejam reduzidas, outras podem surgir com a adoção da tecnologia, especialmente em um ambiente ainda em desenvolvimento. A maior interconexão entre participantes e sistemas pode ampliar riscos sistêmicos em momentos de estresse.
O FMI indica que o avanço da tokenização deve ser acompanhado por ajustes regulatórios e pela evolução das infraestruturas de mercado. A adoção em larga escala dependerá da capacidade de equilibrar ganhos de eficiência com a mitigação de riscos.
Nesse cenário, a tokenização se apresenta como uma mudança estrutural em curso, com potencial para redefinir funções no sistema financeiro, mas ainda sujeita a incertezas sobre seus efeitos no longo prazo.
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