Future of Money
Acompanhe:

Fintechs brasileiras receberam R$ 9 bilhões em investimentos em 2022

Startups tiveram o segundo melhor ano em termos de captação de recursos, mas setor viu queda ligada ao cenário econômico

Fintechs lideraram fusões, aquisições e investimentos envolvendo startups em 2022 (imaginima/Getty Images)

Fintechs lideraram fusões, aquisições e investimentos envolvendo startups em 2022 (imaginima/Getty Images)

J
João Pedro Malar

20 de janeiro de 2023, 15h58

As fintechs brasileiras, ligadas ao processo de digitalização da economia, lideraram os aportes recebidos pelas startups do país ao longo de 2022. De acordo com um levantamento do Distrito, o segmento teve um total de US$ 1,74 bilhão (R$ 9,05 bilhões, na cotação atual) investidos no ano, representando quase 40% de todo o volume destinado ao mercado de startups, com US$ 4,45 bilhões (R$ 23,13 bilhões).

O estudo aponta que 2022 foi o segundo melhor ano para as startups desde o início da série histórica, perdendo apenas para a captação de US$ 9,78 bilhões em 2021 e ficando à frente de 2020, quando os aportes totalizaram US$ 3,58 bilhões. Foram 755 rodadas de investimentos, sendo que 148 foram para as empresas voltadas para o mercado financeiro.

Para o Distrito, os resultados das fintechs e outros tipos de startups mostram que o setor ainda estava aquecido em 2022, mas entrou em um "inverno VC" (venture capital) ao longo do ano devido à queda nos aportes com um cenário econômico negativo tanto a nível mundial quanto no Brasil, gerado pelos ciclos de altas de juros.

  • Cansou de tentar falar com alguém da sua Exchange? Conheça a Mynt, a única no Brasil com atendimento 24 horas e todos os dias, feito por pessoas reais. Abra agora sua conta.

Mesmo assim, o relatório avalia que "a conjuntura impactou menos do que esperávamos. As mudanças estruturais foram e, ao que tudo indica, continuarão sendo as grandes forças motrizes do mercado de venture capital". Ou seja, fatores como a digitalização da economia mantiveram um cenário positivo para o segmento, ajudando a manter bons patamares de investimento.

"No Brasil, temos um mar de oportunidades. Isso ficou evidente, pois, no decorrer do ano, mesmo com tudo que vem acontecendo no mundo e, a despeito da conjuntura brasileira, o volume de investimentos se manteve alto. Esse movimento tem feito com que as startups brasileiras acompanhem pari passu os novos negócios estrangeiros", diz o relatório.

O estudo também mapeou a atual situação do mercado de startups no Brasil. Ao todo, são 12.874, sendo que 12,7% delas são fintechs, segmento com maior parcela dentre outros tipos. Elas são seguidas por martechs (área de marketing, com 10,16%), retailtechs (varejo, com 10,04%) e healthtechs (saúde, com 10,03%).

Mas o cenário econômico negativo acabou levando ao pior ano em termos de abertura de startups desde 2007. Foram 176 novas empresas abertas, número distante das 631 de 2021 e do recorde histórico de 1781 em 2017. Desde então, a quantidade de lançamentos tem caído ano a ano.

Além das fintechs, os segmentos que mais receberam investimentos foram as retailtechs (US$ 519 milhões), as energytechs (US$ 290 milhões) e as startups de real state (US$ 202 milhões). O banco digital Neon recebeu o maior aporte de 2022, com US$ 300 milhões, e ele foi seguido pela Creditas, que atua na área de crédito, com US$ 260 milhões.

Considerando as fusões e aquisições de startups, 2022 também foi o segundo melhor ano da série histórica. Ao todo, foram 187 aquisições e 13 fusões, totalizando 200 operações. Em 2021, foram 233 aquisições e 17 fusões, somando 250 negócios, no melhor resultado até o momento.

As fintechs também lideraram essas operações, participando de 45, seguidas pelas healthtechs (20), edutechs (17) e martechs (16). As empresas que mais adquiriram startups em 2022 foram o Magazine Luiza (20), a Link (19) e a Locaweb (19).

Carolina Strobel, da Antler, aponta que, para 2023, a expectativa é que as "empresas já estarão com valuations mais ajustados, permitindo melhores análises dos fundos de investimento. Do outro lado, a perspectiva de algumas políticas mais populares deve viabilizar um mercado, pelo menos no curto prazo (um a dois anos), de alguma abundância que deve financiar um maior número de usuários".

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | Twitter | YouTube | Telegram | Tik Tok