Editora do Future of Money
Publicado em 22 de abril de 2026 às 18h01.
Última atualização em 22 de abril de 2026 às 18h14.
Quase 18 anos após sua criação, o Bitcoin se tornou a maior criptomoeda do mundo, dando início a um verdadeiro mercado trilionário. No entanto, a identidade de seu criador permanece anônima e os mais de US$ 80 bilhões em bitcoin, intocados.
Enquanto uma reportagem do New York Times apontou recentemente Adam Back, o criptógrafo e CEO da Blockstream como Satoshi Nakamoto, um novo filme contraria a acusação e aponta para uma criação conjunta.
“Encontrando Satoshi” foi elaborado pelo também autor do New York Times, William D. Cohan, e Tyler Maroney. A dupla revelou, em entrevista ao The Block, acreditar que Satoshi Nakamoto se trata de um pseudônimo por trás de duas pessoas: Hal Finney e Len Sassaman.
A investigação durou quatro anos até se concretizar em filme e partiu de alguns suspeitos: Adam Back, CEO da Blockstream, Nick Szabo, criador do Bitgold, Hal Finney, criador do RPOW, um mecanismo de consenso utilizado no blockchain, Len Sassaman, engenheiro de sistemas e acadêmico de dinheiro digital, Paul Le Roux, programador e ex-chefe de cartel e Wei Dai, criador do B-Money.
Segundo os criadores do filme, foram realizadas diversas entrevistas com pessoas ligadas ao projeto e muitas delas apresentaram resistência com relação ao tópico da identidade de Satoshi Nakamoto.
“Parte disso foi, eu acho, que é apenas irrelevante agora, mais de uma década depois de Satoshi escrever o whitepaper e dar início ao Bitcoin. Então, por que se preocupar com isso? Mas outra parte disso é que se descobríssemos que Satoshi era uma pessoa do mal... essa notícia poderia destruir a fortuna que foi construída em cima do Bitcoin”, disse Cohan ao The Block.
Alyssa Blackburn, cientista de dados e especialista em Bitcoin procurada pela investigação, identificou os horários de atividade dos suspeitos online e afirma que apenas a de Hal Finney e Len Sassaman correspondem a atividade de Satoshi. Ela disse que era “inconcebível” que os outros suspeitos fossem Satoshi Nakamoto baseado nessa análise, incluindo Adam Back, apontado pelo New York Times como o criador do Bitcoin.
Hal Finney - Desenvolvedor do RPOW (Reprodução)
No entanto, as investigações apontaram que nem todas as atitudes de Satoshi Nakamoto foram tomadas quando Hal Finney tinha acesso a um computador, justificando o envolvimento de uma segunda pessoa, Len Sassaman. O fato de Sassaman também estar morto, por suicídio em 2011, também justificaria o fato de que nenhum dos 1,1 milhão de BTCs de Satoshi Nakamoto terem sido movidos até agora.
Ambos os possíveis criadores do Bitcoin não se encontram mais vivos. Hal Finney faleceu em 2014 por Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), enquanto Len Sassaman cometeu suicídio em 2011, pouco após as últimas comunicações oficiais de Satoshi Nakamoto em fóruns e emails online. Assim como Finney, Sassaman tinha doenças crônicas debilitantes.
Antes de sua morte, Jon Callas foi visitar Hal Finney no hospital e o perguntou se era Satoshi Nakamoto. “A resposta dele foi ‘Por que eu negaria ser Satoshi se eu fosse, porque eu tenho uma doença fatal? E você sabe, não haveria razão no mundo para que eu negasse isso porque eu não vou estar mais aqui em dois ou três anos, mas não, eu não sou’".
Segundo o filme, Callas afirmou ter interpretado a resposta de Finney como uma negação não-negatória, uma declaração falsa ou enganosa que parece negar uma acusação, mas ao ser analisada, não refuta o fato central.
A investigação ainda aponta que Len Sassaman morava na Europa para estudos acadêmicos sobre dinheiro digital na época em que Satoshi Nakamoto estava ativo online, o que poderia justificar a mistura do uso de inglês americano e britânico no código do Bitcoin.
“É o palpite mais plausível que eu já vi sobre esse assunto, e suspeito que vocês tenham chegado na resposta certa”, disse Brian Armstrong, CEO da Coinbase, sobre o filme. A Coinbase é uma patrocinadora da produção.
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