Febraban: segurança, IA e open finance são prioridades dos bancos em 2022

A 30ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022 revelou três importantes prioridades para os bancos no setor da tecnologia neste ano: segurança de dados, inteligência artificial e open finance
Bancos brasileiros investem cada vez mais na digitalização de suas transações (Blackdovfx/Getty Images)
Bancos brasileiros investem cada vez mais na digitalização de suas transações (Blackdovfx/Getty Images)
Por Mariana Maria SilvaPublicado em 05/04/2022 15:36 | Última atualização em 05/04/2022 15:47Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Uma pesquisa realizada pela Deloitte, a maior organização de serviços profissionais do mundo, em parceria com a Federação Brasileira de Bancos, revelou que a segurança cibernética, inteligência artificial e o open finance são as principais prioridades dos bancos brasileiros para 2022.

A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022 está na 30ª edição e destaca qual é a agenda e quais são os investimentos prioritários dos bancos brasileiros no setor da tecnologia neste ano. Participaram da parte quantitativa deste primeiro volume do levantamento 24 bancos, que correspondem a 90% dos ativos bancários do Brasil; 34 executivos atuantes na área de tecnologia bancária de 18 bancos concederam as entrevistas para a parte qualitativa, segundo um comunicado de imprensa.

(Future of Money/Laatus/Divulgação)

Segurança cibernética

As transações financeiras estão cada vez mais digitais, e embora ainda muito utilizado, o papel-moeda já é visto como “arcaico” pelas gerações mais novas. Dentro de um ano, o Pix foi responsável por uma redução de 10,5% na circulação de dinheiro em espécie no Brasil, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões, segundo o Estado de S. Paulo.

Com isso, os bancos naturalmente são o grupo líder em preocupações com temáticas de cibersegurança e segurança da informação. Segundo a Deloitte, todo ano eles investem, em média, cerca de 10% de seu orçamento em tecnologia da informação (TI) para a segurança cibernética. O valor pode ser estimado em R$ 2,5 bilhões.

“Não iniciamos ontem. Foram os bancos brasileiros, e não as fintechs ou as startups, que, ao longo das últimas três décadas, estiveram e continuam na vanguarda da tecnologia bancária mundial. Ser digital, inovador e moderno, e sobretudo seguro e confiável, sempre esteve no DNA dos bancos. Não transigimos com isso”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.

“A infraestrutura bancária no Brasil é uma das maiores do mundo, capaz de suportar mais de 100 bilhões de transações a cada ano com segurança. Os bancos contam com o que há de mais moderno em relação a segurança cibernética e prevenção a fraudes e usam tecnologias de ponta em processos de prevenção de riscos para que milhões de pessoas continuem fazendo suas operações financeiras do dia a dia com comodidade e tranquilidade, sem precisarem sair de suas casas”, complementa Isaac Sidney.

Inteligência artificial

Logo após a cibersegurança e a segurança da informação, a segunda maior prioridade dos bancos apontada na pesquisa é a inteligência artificial. Segundo a Deloitte, a tecnologia atuou em melhorias nos serviços bancários e está aproximando os bancos de seus clientes, permitindo um atendimento cada vez mais personalizado e consultivo.

Todas as 24 instituições participantes da pesquisa revelaram suas intenções de investir na área, sendo que 78% já investiu em 2021 e pretende apenas expandir seus esforços. A inteligência artificial é um fator importante de automação para os bancos, que priorizam a eficiência operacional e de controle.

No setor bancário, as aplicações de inteligência artificial, conhecidas como “IA” da sigla em inglês, são usadas para aprimorar a experiência do cliente em canais digitais, por meio de chatbots e assistentes virtuais, e podem até tomar decisões a partir do cruzamento de dados. Outra parte importante é a automação na parte de crédito e de cobrança, e o processamento de regras para o controle de acesso e para sistemas antifraude.

Outras tecnologias também podem ter seus investimentos ampliados ao longo de 2022 pelos bancos. Segundo a pesquisa, seriam elas: cloud pública (94%), big data (94%), process mining (78%), internet das coisas (75%), blockchain (67%) e computação quântica (50%).

“Investimentos robustos em tecnologias de ponta têm proporcionado a criação de produtos e soluções bancárias inovadores para o mercado. Iremos continuar ajudando o cliente na inclusão digital para que ele tenha, de forma ininterrupta, acesso a serviços com mais eficiência e maior valor agregado”, afirma Rodrigo Mulinari, diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban.

(Future of Money/Laatus/Divulgação)

Open finance

O open finance é o sistema implementado no Brasil em fevereiro de 2021 que cria novos modelos de negócios digitais com o uso de interfaces de programação de aplicativos (APIs) e a terceira prioridade dos bancos brasileiros. 78% deles incluiu o tema em sua agenda para 2022, e a exploração dos dados compartilhados pelos clientes é uma das principais razões.

“No open finance, inteligência artificial e cloud serão fundamentais na criação das capacidades necessárias para que os bancos explorem o valor dos dados compartilhados. As estratégias das instituições financeiras começam a ser articuladas e espera-se que a adoção dos clientes aumente à medida que os consumidores percebam os benefícios do compartilhamento”, avalia Sérgio Biagini, sócio-líder para a indústria de serviços financeiros da Deloitte.

Segundo a pesquisa, os bancos têm percebido que, para transformação digital ocorrer de maneira efetiva, são necessárias mudanças de dentro para fora em relação a conhecimento. Por isso, além dos investimentos em segurança, inteligência artificial e open finance, a maioria pretende realizar transformações culturais entre seus funcionários e operações.

De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2022, as instituições pontuaram a necessidade um time com conhecimentos técnicos e de negócios, inserido em produtividade e em uma cultura focada na agilidade e na centralidade do cliente.

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