Ex-CEO da FTX coloca culpa de falência em rivalidade com a Binance: 'não foi uma boa jogada'

Fundadores das duas maiores corretoras de criptomoedas discordavam e trocavam farpas com frequência nas redes sociais; atitude foi criticada por especialistas, que apontam imaturidade perigosa para o setor
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX (Bloomberg Via Getty Images/Reprodução)
Sam Bankman-Fried, ex-CEO da FTX (Bloomberg Via Getty Images/Reprodução)
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Mariana Maria SilvaPublicado em 16/11/2022 às 16:20.

Em menos de uma semana, o que era a segunda maior corretora de criptomoedas do mundo veio à falência, protagonizando um dos maiores colapsos do setor. No entanto, ao invés de problemas de gestão, o ex-CEO e fundador, Sam Bankman-Fried, acredita que a raiz do problema foi sua rivalidade com Changpeng Zhao. Conhecido pelo apelido “CZ”, Zhao é o atual CEO da Binance, sua maior concorrente.

Ambos discordavam e trocavam farpas frequentemente nas redes sociais, e agora Sam Bankman-Fried lamenta: “Não foi uma boa jogada estratégica da minha parte”, afirmou o ex-CEO sobre ter rivalizado com Changpeng Zhao em uma entrevista ao The New York Times.

(Mynt/Divulgação)

O principal tema de discordância entre Bankman-Fried e CZ foi a regulação do mercado de criptomoedas. Enquanto o ex-CEO da FTX apoiava o desenvolvimento de leis específicas para o setor, o CEO da Binance optava pelo caráter descentralizado de um ambiente não regulado.

Bankman-Fried foi acusado de tentar se aproveitar de uma boa relação com os órgãos reguladores dos Estados Unidos para aprovar leis que favorecessem a FTX frente aos seus concorrentes. Segundo fontes do The New York Times, o ex-executivo também teria usado sua crescente influência para criticar Zhao e a Binance em reuniões privadas.

O fundador da FTX parece ter se arrependido da atitude. "Fiquei muito frustrado com muito do que vi acontecendo, mas deveria ter entendido que não foi uma boa decisão minha expressar isso", disse Bankman-Fried ao The New York Times.

O relacionamento de Bankman-Fried e Zhao ia de mal a pior nas semanas que antecederam a queda colossal da gigante FTX, então avaliada em US$ 32 bilhões.

"Já demos apoio antes, mas não vamos fingir que fazemos amor depois do divórcio... não vamos apoiar pessoas que fazem lobby contra outros atores da indústria pelas costas", publicou Zhao no Twitter.

A Binance já havia investido na FTX em 2019, início das atividades da corretora. Em 2021, sua parte foi vendida e uma parcela do valor foi pago em FTT, token emitido pela FTX.

A venda dos US$ 2,1 bilhões em FTT pela Binance foi um dos pivôs da queda da corretora de Bankman-Fried. Após anunciar a decisão, o clima de incerteza tomou conta do mercado, gerando uma onda de vendas de FTT e saques na FTX.

Imaturidade entre executivos pode ser prejudicial

Segundo especialistas do mercado, a rivalidade entre nomes influentes no setor de criptomoedas é realmente um empecilho para o seu crescimento.

Anthony Scaramucci, CEO da SkyBridge Capital, afirmou recentemente que a indústria cripto só poderá crescer se os players do setor pararem de “se queimar” no Twitter.

"O que a indústria deve fazer para sobreviver e torná-la melhor? Na minha opinião, é mais colaboração, mas o problema com a indústria é que há muitos jovens que gostam de se antagonizar e queimar uns aos outros no Twitter", disse ele em o Bloomberg New Economy Forum em Singapura.

A colaboração entre nomes importantes do setor independente da concorrência é essencial para que a indústria de criptomoedas possa evoluir com maturidade, segundo Scaramucci.

"Acho que seria melhor para todos se apenas acalmássemos as coisas e remássemos juntos no barco em sincronia, em vez de pegar o remo e bater na cabeça um do outro", disse Scaramucci.

A empresa de Scaramucci foi exposta ao colapso da FTX depois que Bankman-Fried comprou uma participação de 30% em sua empresa. Agora, Scaramucci está tentando comprar de volta essa parte.

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