Escândalo do OpenSea demonstra necessidade por regulação no mundo dos NFTs

Os puristas do mundo cripto podem não gostar da ideia, mas o caminho para a criação de mais confiança no setor dos tokens não fungíveis pode envolver a presença de órgãos reguladores

Há muitas coisas que você pode fazer com um token não fungível. Colecionáveis digitais podem funcionar como passaportes para comunidades online, ou formas para que os artistas possam interagir com seus fãs. Bandas utilizam NFTs para comercializar ingressos para o camarim, e a escritora Emily Segal utilizou um NFT para angariar fundos para seu novo romance.

Mas um escândalo envolvendo informações privilegiadas no OpenSea, um dos marketplaces mais importantes para o setor de NFTs, serve como uma lembrança que — para todo o seu potencial — os NFTs ainda são um ativo extremamente especulativo. Em um mundo onde tudo se torna um NFT, colecionadores casuais precisarão de mais garantias de que o sistema não funciona apenas em favor de seus membros.

Na última semana, Nate Chastain, o gerente de produtos do OpenSea, renunciou do cargo após ser acusado de negociar NFTs utilizando informações privilegiadas para maior obtenção de lucros a seu favor.

Se essa explicação ainda não foi o suficiente para que você entenda o que supostamente aconteceu, uma conta no Twitter chamada @ZuwuTV explicou como uma série de endereços de carteiras digitais da Ethereum compravam NFTs pouco antes deles serem exibidos na página inicial do OpenSea e os vendiam logo após os preços terem subido consideravelmente.

Registros do Ethescan.io — um histórico das transações na rede Ethereum — teriam supostamente conectado esses endereços a Chastain.

Colecionadores estão constantemente na caça por o que chamam de “alfa” — qualquer tipo de informação que possa indicar qual será o próximo projeto NFT em alta. E o OpenSea, com seu volume diário de transações próximo de 77 milhões de dólares e investimentos de grandes nomes do mercado, está no coração do ecossistema NFT e no foco destes colecionadores.

Quando um NFT é exibido na página inicial do site, existe uma grande chance de que se torne mais valioso. Chastain, segundo @ZuwuTV no Twitter, o gerente de produtos do OpenSea teria utilizado informações privilegiadas sobre a curadoria da plataforma para obter um lucro ainda maior com a venda negociação de NFTs. Pense nisso como uma forma de capitalizar sobre uma versão privilegiada de um “alfa” várias vezes seguidas.

Após uma rápida “auditoria externa” na última semana, Chastain se desligou do OpenSea.

É um pouco desonesto argumentar, como fez um influencer no último fim de semana, que os NFTs são uma “rampa não especulativa para começar” no mundo dos criptoativos. Um NFT é claramente um ativo com valor de revenda que sobe e cai. Isso pode ser muita coisa — um trabalho artístico, um veículo para arrecadação de dinheiro, um ingresso VIP digital — mas na maioria dos casos, é algo que você pode revender. Independente do que representa, um NFT também é um objeto de negociação. Comprar um token não-fungível é comprar no mercado cripto, o que significa que você está se unindo a esse mercado volátil.

O aspecto especulativo inerente dos criptoativos é algo que tende a se perder na retórica que circunda os ativos digitais. NFTs e aplicativos descentralizados construídos na rede Ethereum sempre irão envolver um elemento de risco. É algo que é construído dentro da própria tecnologia — a faca de dois gumes da tecnologia blockchain, uma bênção e uma maldição.

Enquanto os investimentos subirem e descerem, sempre haverão oportunistas tentando tirar vantagem. A Comissão de Valores Mobiliários, a SEC, exige que companhias de capital aberto divulguem as negociações de ações de seus executivos por essa mesma razão.

NFTs não são considerados valores mobiliários nos EUA, e os reguladores (ainda) não são tão agressivos sobre cripto quanto são com títulos de ações. @ZuwuTV se posicionou contra futuras fiscalizações, e que a renúncia de Chastain é “o melhor que você pode ter” em um mercado não regulamentado.

O OpenSea declarou que proíbe seus funcionários de “utilizar informações confidenciais para comprar ou vender qualquer NFT, seja ele disponibilizado pelo OpenSea ou não”.

O cumprimento de regras a partir do apoio da comunidade é um pode ser um formato traiçoeiro — apesar do Twitter ter se tornado um polo dos auto declarados “cães de guarda do blockchain”, as coisas ainda podem sair dos eixos.

Os puristas do mundo cripto podem não gostar da ideia, mas o caminho para estabelecermos mais confiança no mercado pode envolver ceder um pouco aos reguladores. Digamos que o Instagram de repente transforme as curtidas em NFTs e a primeira curtida em uma imagem icônica vem com a promessa de recebimento de certo valor monetário. Não é difícil imaginar que os funcionários da empresa podem abusar de informações privilegiadas para benefício próprio, sendo os primeiros a curtir um post de uma celebridade que acabou de entrar para a plataforma, por exemplo.

Como as companhias podem lutar contra isso? Envolveria times de dedicados à fazer com que as regras sejam cumpridas e a fiscalização periódica das carteiras de funcionários?

A indústria cripto possui um relacionamento notoriamente antagônico com as autoridades reguladoras, mas se os NFTs se tornarem muito populares, compradores precisarão saber que estão em uma partida justa.

Para ajudar a construir essa confiança, a regulação pode ser um preço que as companhias terão que pagar.

Texto traduzido e republicado com autorização da Coindesk

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