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Desde que deixou o comando do Twitter, Jack Dorsey tem se dedicado para projetos ligados ao mundo das criptomoedas e da tecnologia blockchain por meio da sua empresa, a Block. E, recentemente, companhia avançou em uma área que ainda engatinha no mundo cripto: a autocustódia. A prática envolve um investidor ser responsável por armazenar seus criptoativos, sem contar com terceiros, como corretoras.

Batizada de Bitkey, a carteira física tem como objetivo incentivar a autocustódia e levá-la para um público mais amplo. Em entrevista exclusiva à EXAME, Lindsey Grossman, business lead da Bitkey, destaca que, atualmente, a maior parte das criptomoedas fica armazenada em plataformas de custódia, com destaque para as corretoras.

Na visão dela, as soluções atuais de autocustódia - que variam entre carteiras físicas e carteiras digitais disponíveis em aplicativos - são "difíceis de usar". "A experiência do usuário nelas é complicada, elas são muito técnicas. Você precisa quase ser um engenheiro para entender como ela funciona, e a seed phrase [frase emente] é imperfeita. Se alguém descobrir a frase, pode roubar o dinheiro e você fica desprotegido. Elas não usadas apropriadamente".

Por isso, a Bitkey foi idealizada como uma opção mais simples. Ela usa um sistema baseado em três chaves de acesso. Uma fica na própria carteira física, outra em um aplicativo e outra com a Block. O usuário precisa de no mínimo duas chaves para controlar a carteira e fazer movimentações, mas a Block não tem acesso às chaves dele, o que evita interferências da empresa e dificulta tentativas de roubo. A chave que fica com a empresa é usada apenas em casos de recuperação de acesso, como quando há a perda ou roubo de uma das outras duas.

Além disso, a carteira oferece recursos para definir regras como limites de transação, o que também busca aumentar sua segurança. Grossman resume o projeto como um "meio seguro e fácil para atrair as pessoas para a autocustódia pela primeira vez". Atualmente, o projeto está recebendo inscrições para os testes beta junto ao público - inclusive brasileiro - e permite armazenar apenas bitcoin.

Parcerias e próximos passos

Além de ter lançado as inscrições para o beta, a Block também anunciou neste mês uma parceria com a corretora de criptomoedas Coinbase e a empresa de custódia de cripto Cash App, para facilitar a conexão e transferência de fundos para a Bitkey. Grossman comenta que muitas pessoas a questionaram sobre a parceria, já que envolve uma alternativa de autocustódia e duas empresas de custódia.

Entretanto, ela explica que "a maioria do bitcoin está nas exchanges hoje. E a realidade é que acreditamos que trabalhar com elas vai ser mais fácil e seguro, a integração permite mover a criptomoeda de forma mais simples. Com alguns cliques, pela BitKey, você consegue redirecionar esses fundos. Quando compra, pode sacar imediatamente e já transferir. No momento, essas transferência demanda mais trabalho, conversões, então a ideia é deixar mais rápido, simples".

Grossman destaca que "queremos que as exchanges sejam seguras e bem-sucedidas globalmente porque elas são importante nessa função de conversão, elas ajudam a ser uma ponte entre bitcoin e moedas fiduciárias, mas a autocustódia é o melhor para armazenar e proteger os ativos". Ela afirma ainda que as corretoras já estão percebendo que "a autocustódia vai ser o futuro se ficar mais segura e fácil", e por isso estão trabalhando para se manter na dinâmica do mercado.

Bitkey

Block desenvolveu carteira física para bitcoin (Block/Divulgação)

Nos próximos meses, a Bitkey será testada por usuários em um beta global para "tornar o produto melhor". A ideia é que, até o fim de 2023, ele comece a ser disponibilizado a nível mundial, se o cronograma for bem-sucedido. Um dos aspectos que estará no foco da Block será a questão de privacidade e proteção de dados, que já mergulhou outras empresas de autocustódia, como a Ledger, em polêmicas.

Para tentar reduzir essas preocupações, a Bitkey tem uma lógica de desenvolvimento aberto, com divulgação pública dos códigos para "dar mais confiança aos consumidores": "é muito importante na indústria do bitcoin que as pessoas entendam como o produto funciona. A pessoa pode ou confiar em nós, que não temos controle no dinheiro, ou podemos efetivamente abrir os códigos e mostrar isso. Os especialistas vão poder verificar".

A executivo explica ainda que o desenvolvimento aberto incentiva o diálogo com a comunidade e implementação de novas tecnologias no futuro. É um "princípio de transparência" que envolve também dizer desde o início quais dados serão requisitados aos consumidores e quais são opcionais, permitindo também que ele tenha um controle desse compartilhamento.

Ela pontua, porém, que a filosofia de alguns investidores de não fornecer nenhum dado não é a majoritária entre usuários. Pesquisas realizadas pela Block mostraram que os usuários querem receber informações e alertas envolvendo suas carteiras e a segurança delas. A questão chave, portanto, é "dar a escolha" de quais dados serão compartilhados, e como.

Mercado brasileiro

Grossman ressalta que a Bitkey será "global desde o início", o que vai incluir uma presença no Brasil. Usuários brasileiros já podem se inscrever nos testes do beta. A executiva classifica o mercado brasileiro como "um dos maiores mercados do mundo, e especialmente para o bitcoin. Vemos o Brasil como uma grande oportunidade e um mercado único".

Apesar de pesquisas da Block terem identificado um grande interesse dos brasileiros em criptomoedas, elas também apontaram que muitos não entendem a diferença entre deixar seus ativos em corretoras e praticar a autocustódia. Ao mesmo tempo, os entrevistados dizem querer ter mais controle sobre seu dinheiro, mostrando o potencial de crescimento da prática.

Um dos elementos estudados pela empresa ao definir os países que terá como foco para o Bitkey é a regulamentação. Grossman explica, porém, que as soluções de carteiras físicas acabam tendo requerimentos diferentes: "é um produto de software e hardware que permite gerar e guardar chaves criptográficas, são requerimentos diferentes. Mas é preciso garantir que parceria com exchanges, políticos, para explicar o que é autocustódia e garantir que ela seja segura e fácil".

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