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Do Pix ao cartão por aproximação: a disputa agora é pela experiência do usuário

Conveniência, tempo de resposta e fluidez fazem de cada transação uma etapa essencial da jornada do consumidor

 (Getty Images/Reprodução)

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Publicado em 14 de março de 2026 às 11h00.

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Por Paulo Kaneko*

O Brasil vive um momento de maturidade nos pagamentos digitais, e o impacto mais visível dessa evolução está na experiência do usuário. Em um único dia, um consumidor pode pagar um café por aproximação, usar o Pix no almoço, contratar um serviço online à tarde e ter uma assinatura debitada à noite, sem encontrar barreiras ou interrupções. A jornada é simples, intuitiva e cada vez mais alinhada às expectativas de conveniência.

Essa fluidez esconde um ponto central: o usuário passou a comparar experiências e não mais apenas meios de pagamento. Hoje, a tolerância a atritos é baixa. Demoras, pedidos de informação redundantes, falhas de autenticação ou interfaces confusas se traduzem rapidamente em frustração e abandono. Por outro lado, interações simples, respostas rápidas e previsibilidade geram percepção de valor e aumentam a confiança.

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Os hábitos de pagamento também mostram como a experiência se tornou decisiva. Em 2025, o Pix representou cerca de 51% das transações no Brasil, atingindo mais de 79,8 bilhões de operações. Além disso, cerca de 82% das movimentações bancárias já acontecem por canais digitais, reforçando que o consumidor busca praticidade, previsibilidade e autonomia

Esse avanço também trouxe novos desafios relacionados à segurança das transações. Com o aumento dos pagamentos digitais, fraudes e golpes passaram a explorar cada vez mais a engenharia social e o comportamento do usuário. Por isso, mecanismos de autenticação, análises comportamentais e decisões em tempo real se tornaram parte fundamental da experiência. O objetivo é proteger o cliente sem introduzir fricções desnecessárias, permitindo que transações legítimas fluam enquanto situações de risco recebem verificações adicionais.

O ecossistema de pagamentos incorporou novos participantes e essa diversidade impacta diretamente a experiência. Fintechs, bancos digitais, carteiras, marketplaces e super apps passaram a atuar em conjunto para construir jornadas completas, e não apenas processar transações. Quando a integração é eficiente, o usuário sente fluidez. Quando há falhas, o atrito aparece e é imediatamente percebido.

A regulação também influencia a experiência, mesmo que de forma indireta. No Brasil, a criação de padrões, interoperabilidade e incentivos à inovação contribuem para jornadas mais consistentes. Cumprir requisitos de proteção de dados, privacidade e transparência deixou de ser apenas uma obrigação e passou a fazer parte da construção de confiança, um componente essencial para experiências positivas, incluindo iniciativas voltadas à proteção contra fraudes e golpes.

Dados desempenham um papel central nessa construção. O volume crescente de informações sobre comportamento, contexto e preferências permite que empresas personalizem interações e antecipe necessidades. Análises em tempo real ajudam a reduzir etapas desnecessárias, ajustar limites, oferecer métodos preferidos e otimizar a jornada, além de apoiar a identificação de comportamentos suspeitos e a prevenção de fraudes. O desafio está em transformar dados em decisões que façam sentido para o usuário, e não apenas para os sistemas.

O futuro dos pagamentos no Brasil será definido pela capacidade de entregar experiências invisíveis, rápidas e previsíveis. Usuários querem pagar sem pensar no processo e sem desconfiança. O mercado, por sua vez, trabalha para que essa simplicidade chegue à ponta, mesmo com um ecossistema complexo nos bastidores.

No fim, pagar nunca foi tão fácil para o consumidor. O desafio agora está em elevar continuamente essa experiência, reduzindo atritos e mantendo a confiança em cada etapa da jornada. É essa combinação que definirá a próxima fase dos pagamentos digitais no país.

*Paulo Kaneko é Principal Consultant da FICO e especialista em prevenção a fraudes em pagamentos digitais. Desde 2018, atua apoiando bancos e instituições financeiras na criação de estratégias baseadas em dados para combater fraudes em cartões, contas digitais e operações em tempo real. Já passou por empresas como Telefônica/Vivo, Accenture, Citibank e Itaú.

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