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Do experimento à infraestrutura: ativos digitais passam de fase

Como stablecoins, tokenização e novas regras regulatórias estão redesenhando a infraestrutura global do dinheiro

A pastel toned, multi-coloured image of two toned generic coin with Bitcoin symbol, arranged in a row, or chain along a curve against a multi coloured background. Denotes concept of block-chain and crypto-currency. With lots of copy space. (Getty Images/Reprodução)

A pastel toned, multi-coloured image of two toned generic coin with Bitcoin symbol, arranged in a row, or chain along a curve against a multi coloured background. Denotes concept of block-chain and crypto-currency. With lots of copy space. (Getty Images/Reprodução)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 às 11h00.

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Por Tatiana Orofino*

O ano de 2025 representa um marco para os ativos digitais, consolidando, de forma institucional e operacional, o lugar que eles passaram a ocupar nos sistemas econômicos globais. A discussão sobre a tecnologia em si — o blockchain, os registros distribuídos — cedeu lugar a uma pauta mais profunda: a integração desses instrumentos como uma nova infraestrutura regulada do sistema financeiro global.

Longe de serem um produto de nicho ou modismo, os ativos digitais, e mais especificamente as stablecoins e a tokenização, passaram a ser encarados por grandes economias como elementos estruturais, demandando respostas regulatórias robustas e capazes de refletir a visão de futuro de cada mercado.

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O movimento é global e relativamente consensual em um ponto: há uma transição em curso para o entendimento das stablecoins – criptoativos projetados para manter um valor constante – como infraestrutura regulada. Segundo a consultoria PwC, já há mais de US$ 300 bilhões destes ativos em circulação no mundo, com destaque para o Tether (USDT) e o USDC. O que muda é o caminho escolhido para essa transição. Estados Unidos, União Europeia e Brasil ilustram bem essas diferenças.

Os Estados Unidos, com a edição do GENIUS Act, visam criar um padrão regulatório claro e forte para stablecoins de pagamento lastreadas em dólar, estabelecendo requisitos sobre emissão, reservas e supervisão. Busca-se, com isso, equilibrar a inovação tecnológica com a estabilidade financeira, restringindo quem pode emitir esses ativos e garantindo que eles tenham lastro real, sem classificar as stablecoins como depósitos bancários tradicionais.

A União Europeia (UE) estabeleceu um regime abrangente, que tem no MiCAR (Markets in Crypto-Assets) o seu alicerce. Efetivamente em vigor desde 2025, ele tem como prioridade conter o risco e manter o controle regulatório e a estabilidade da região. A regulação aplica-se não somente às stablecoins como também a todos os criptoativos (inclusive criptomoedas, que possuem comportamento orgânico) que não eram cobertos pela legislação de serviços financeiros existente. Como premissas básicas, os emissores devem ser autorizados na UE, manter reservas integrais (1:1) e oferecer resgates garantidos.

Já no Brasil, a principal iniciativa estatal com ambição estrutural é o Drex, uma versão digital do real, que prevê uma infraestrutura única, integrada e padronizada, reduzindo etapas, diminuindo custos e aumentando a segurança do sistema financeiro. O objetivo aqui é, segundo o BCB, “democratizar o acesso aos benefícios da economia digital, tornando as transações financeiras mais simples, eficientes e seguras”.

O projeto piloto, conduzido pelo BCB com participação de diversas instituições financeiras e empresas de tecnologia, entre elas a Amazon Web Services (AWS), foi construído no blockchain Hyperledger Besu para avaliar a programabilidade e a privacidade das transações. Em novembro de 2025, porém, a autoridade monetária decidiu encerrar a plataforma ao concluir que a tecnologia não atendeu aos requisitos essenciais de privacidade e segurança. O projeto foi descontinuado em sua forma atual, e o órgão está repensando a arquitetura para este ano. À imprensa, o BCB informou que a próxima fase do piloto terá foco no uso de ativos como garantia de operações de crédito.

Quanto às stablecoins privadas, elas passam a ser tratadas, a partir de 2 de fevereiro de 2026, como operações de câmbio, exigindo das Sociedades Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV) autorização do BCB, reservas equivalentes a 100% do valor e cumprimento de outros requisitos de governança. A nova regulação visa dar mais transparência e segurança às negociações, e também combater atividades criminosas.

O futuro do presente dos ativos digitais

Apesar das abordagens regulatórias distintas, o movimento mais assertivo dos EUA, por meio do GENIUS Act, representou um sinal claro de mudança de fase para o sistema financeiro global.

Não que o Act seja um manual global a ser copiado pelos demais países, mas ele atua como um catalisador de competitividade internacional. Ao criar um padrão nacional que integra stablecoins ao sistema financeiro tradicional e habilita a escala para a inovação, os EUA se tornam mais atrativos para capital e tecnologia. Regras claras incentivam instituições financeiras a criar soluções de pagamento, reduzindo custos para o consumidor. Essa mudança tende a levar outros países, como o Brasil e o Reino Unido (que também está na vanguarda do debate), a acelerar ou reorientar suas respostas regulatórias para não perderem o passo.

Com este movimento de aceleração, cada instituição financeira precisa estabelecer suas estratégias para incluir ativos digitais em seu portfólio – não apenas criptomoedas, mas também remessas e outros tipos de pagamento digital que estão surgindo. Isso permitirá que seus clientes tenham acesso a um portfólio completo em suas carteiras financeiras, incluindo moeda fiat, moedas digitais e criptomoedas. Essa compreensão, assim como a capacidade de adaptação, são cruciais para o sucesso no mercado, uma vez que a tecnologia e o ecossistema competitivo em torno do dinheiro tokenizado irão a se mover ainda mais rapidamente.

Segundo a pesquisa da Celent Tokenized Money is Here to Stay, cerca de 28% dos bancos corporativos consideram o dinheiro tokenizado como uma das três principais prioridades de investimento tecnológico para 2025-26. Além disso, mais de um terço dos bancos corporativos afirmaram planejar grandes mudanças ou modernização em seus sistemas para suportar essas capacidades.

Essas instituições estão atentas ao cenário em transformação. Se o uso atual dos ativos digitais se concentra em transações de criptomoedas e remessas, ele já se expande para áreas como as remessas transfronteiriças, automação de tesouraria, pagamentos condicionais (libertação de fundos na entrega de bens, por exemplo) e em breve, por fim, para gestão de liquidez intraday e comércio agêntico (entre agentes de IA).

O caminho do Drex

De volta ao Brasil, os aprendizados do piloto do Drex são cruciais. A interrupção da plataforma original não invalida o processo; ao contrário, produziu conhecimento técnico e institucional valioso. O foco reiterado do Banco Central em segurança, privacidade e integração com sistemas existentes indica que o país compreende a importância do dinheiro digital.

O desafio agora é transformar esse aprendizado em uma arquitetura que equilibre proteção ao consumidor, eficiência de mercado e capacidade de inovação, não apenas como experimento regulatório, mas como base para competir na próxima era do sistema financeiro global.

*Tatiana Orofino é líder de desenvolvimento de negócios para o setor financeiro na AWS América Latina e assumiu em 2025 a liderança do conselho do Women at Amazon, grupo de afinidades global para mulheres, funcionários não binários e aliados, do qual faz parte desde 2021. É graduada em engenharia da computação, com larga experiência em soluções inovadoras para empresas.

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