Descubra quem é a artista desconhecida por trás dos NFTs da Bored Ape Yacht Club

Apesar de terem virado uma febre em todo o mundo, conquistando Neymar e Justin Bieber, os NFTs da Bored Ape Yacht Club foram criados por uma artista de 27 anos em um sofá de apartamento
Um NFT da coleção pode chegar a custar US$ 2,9 milhões (Bored Ape Yacht Club/Reprodução)
Um NFT da coleção pode chegar a custar US$ 2,9 milhões (Bored Ape Yacht Club/Reprodução)
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Mariana Maria Silva

Publicado em 07/06/2022 às 10:17.

Última atualização em 07/06/2022 às 10:18.

A Bored Ape Yacht Club é atualmente a coleção de NFTs mais valiosa do mundo. Conhecida por apresentar ilustrações de macacos entediados, virou a febre entre investidores e celebridades dentro de pouco tempo. No entanto, poucos conhecem a artista por trás dos desenhos tão famosos.

Seneca é o nome utilizado pela jovem americana descendente de asiáticos responsável por desenvolver os traços que deram vida à coleção de NFTs. Como uma das mais populares do setor, a Bored Ape Yacht Club conquistou o apoio de Madonna, Neymar, Eminem, Justin Bieber, Gwyneth Paltrow, entre outros nomes de uma lista extensa de celebridades.

A fama repentina ainda impulsionou o mercado de NFTs como um todo. É possível dizer que, quando a palavra “NFT” surge em uma conversa, a primeira coisa que vem na cabeça de muitas pessoas são os macacos entediados criados por Seneca.

(Mynt/Divulgação)

Estrelando em terceiro lugar na lista de coleções que mais venderam NFTs da história, a Bored Ape Yacht Club já movimentou US$ 2,1 bilhões. Isso sem contar as suas coleções adjacentes, como a Mutant Ape Yacht Club e Otherdeeds, que movimentaram US$ 1,5 bilhão e US$ 953 milhões, respectivamente, segundo dados do CryptoSlam.

Quando Seneca se envolveu no projeto, jamais poderia imaginar a dimensão que ele tomaria dentro de pouco tempo. Em entrevista à Rolling Stone, a jovem de 27 anos contou que só foi descobrir que suas ilustrações ficaram famosas por meio de uma pesquisa no Google meses depois.

Em seu lançamento, os NFTs da Bored Ape Yacht Club foram comercializados por aproximadamente US$ 280 dólares. Pouco mais de um ano depois, o valor mínimo que é necessário desembolsar para ter um item da coleção é US$ 166 mil, podendo chegar até US$ 2,9 milhões, de acordo com dados do CryptoSlam e DappRadar.

O início da coleção não foi modesto apenas no preço, mas também em seu processo de desenvolvimento. Tudo começou em um sofá cinza com alguns rabiscos no tablet de Seneca, que tinha como única orientação a frase “nós queremos primatas punks”, contou a artista à Rolling Stone.

Rascunhos de Seneca no processo criativo da Bored Ape Yacht Club (Seneca/Reprodução)

Nascida nos Estados Unidos e filha de pais chineses, Seneca foi criada em Xangai, mas voltou ao país natal para cursar o Bacharel em Belas Artes na Rhode Island School of Design.

Uma agente criativa chamada Nicole Muniz viu seu portfólio quando ela ainda estava na faculdade e se apaixonou por sua técnica. Quando Muniz foi convidada por um velho amigo de infância para dar início ao projeto que conhecemos hoje como “Bored Ape Yacht Club", se lembrou da jovem artista, e a convidou para desenvolver o padrão do qual todos os “Bored Apes” seriam derivados.

Isso porque os 10 mil NFTs da coleção não foram desenvolvidos um a um. Ao invés disso, Seneca e a Yuga Labs criaram um padrão estético que serviria como base para imagens geradas por um algoritmo programado, que “misturava” aleatoriamente uma série de características, tornando cada NFT único.

O resultado final foi o que todos nós já conhecemos. Agora, Seneca pode encontrar seu trabalho na Times Square, em grandes galerias de arte, shows, filmes, e até mesmo no metaverso. Saindo de dentro de seu pequeno apartamento em Manhattan, as artes de Seneca percorreram um longo caminho e conquistaram o mundo.

“Foi do nada para quase um império de um bilhão de dólares. Ainda é um pouco surreal. Era apenas eu desenhando no meu tablet”, disse Seneca à Rolling Stone.

Mesmo com a fama e visibilidade de suas artes, que se tornaram verdadeiros ícones da cultura pop, pouco crédito foi atribuído à artista pelo feito. Enquanto hoje em dia, a agente criativa Nicole Muniz é a CEO da Yuga Labs, empresa que comanda o ecossistema BAYC, o nome de Seneca permanece desconhecido por muitos.

No entanto, isso não a impediu de criar novos sucessos. A artista, que afirma ter se sentido desafiada a continuar fazendo um bom trabalho, criou seus próprios NFTs em dezembro de 2021, que integraram a coleção “Iconoclastic at Miami’s Art Basel”. As 4 peças arrecadaram juntas cerca de US$ 84 mil.

Vencedora do 100º Prêmio Anual do Cubo de Prata, um importante prêmio de design da Art Directors Club, Seneca escolheu abordar elementos pessoais em sua segunda imersão no mundo dos NFTs. Elementos sombrios combinados com outros que remetem à infância foram selecionados pela artista para marcarem presença em suas novas obras.

Uma das obras da segunda coleção de NFTs de Seneca (Seneca/Reprodução)

Durante sua conversa com a Rolling Stone, Seneca revelou que tinha pesadelos lúcidos frequentes e, em alguns casos, não queria dormir por ter medo do mundo para o qual seria levada. Foi assim que surgiu a ideia de resgatar estes sentimentos e transformá-los em arte.

O trabalho mais famoso de Seneca divida opiniões de especialistas. Chegando a ser criticada por Vitalik Buterin, o criador da rede em blockchain que abriga os NFTs da Bored Ape Yacht Club, sua importância e legado para o mercado de NFTs é louvável, por ter levado o assunto para diversos públicos e espaços de discussão.

"Acho que os NFTs estão decolando porque falam a nossa língua. Estamos vivendo em uma era de tecnologia e, francamente, muitos de nós investimos em nossa presença online mais do que nunca. Quer você perceba ou não, nossas vidas estão profundamente entrelaçadas com as operações digitais e o metaverso, então isso parece natural e fala com a geração mais jovem que crescerá na era da propriedade digital", defendeu a artista em entrevista à Hypebeast.

"Como criativo trabalhando na criação digital, também é uma transição totalmente natural. Senti que era inevitável", concluiu.

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