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Criptomoedas e Real Digital vão conseguir conviver, diz líder da Binance no Brasil

Em entrevista exclusiva à EXAME, Guilherme Nazar falou sobre importância de aumentar presença das criptomoedas no dia a dia da população

Responsável pela Binance no Brasil acredita que país tem potencial para expandir adoção de criptomoedas (Reprodução/Reprodução)

Responsável pela Binance no Brasil acredita que país tem potencial para expandir adoção de criptomoedas (Reprodução/Reprodução)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 27 de março de 2023 às 07h00.

Quando Guilherme Nazar foi anunciado como novo diretor-geral da Binance no Brasil, em setembro de 2022, o Real Digital começava a dar seus primeiros passos. Seis meses depois, a moeda digital de banco central (CBDC, na sigla em inglês) chegou a uma nova fase, a de testes reais com um protótipo, sinalizando que ela está cada vez mais próxima do lançamento para brasileiros. Mas esse cenário não preocupa o responsável pela corretora de criptomoedas no país, pelo contrário.

Em entrevista exclusiva à EXAME, Nazar opinou que a CBDC brasileira e as criptomoedas "conseguem conviver", em especial devido ao tamanho do mercado de meios de pagamento e do potencial de usos para os dois tipos de moeda digital. "O mercado é grande, as usabilidades são muitas, serão muitas, e vão se multiplicar cada vez mais. Acho que dá para conviver".

Ele destaca ainda que o Real Digital é consequência da decisão do Banco Central de "dar muita atenção para o tema da inovação", o que é positivo para o setor de cripto já que "cripto é uma indústria muito inovadora". "Os reguladores terem essa visão amigável é algo positivo, é sempre bom, bem-vindo". Para Nazar, inclusive, essa movimentação da autarquia pode ajudar a adoção a cripto no Brasil.

Adoção de criptomoedas no Brasil

O diretor vê uma série de "particularidades positivas" do Brasil que, em sua visão, podem ajudar a aumentar ainda mais a adoção de criptomoedas pela população. Atualmente, o país está entre os sete maiores do mundo nesse quesito. Além da "visão construtiva" do BC sobre o tema, ele cita elementos como uma população "com mais smartphones que pessoas e aberta à adoção de novas tecnologias", além de um "mercado enorme em números absolutos".

Isso não significa, porém, que a adoção a criptos no Brasil não esbarre em desafios. Mas Nazar acredita que, no geral, eles acabam sendo semelhantes aos de outros países "educação, conhecimento e utilidade". Esses pontos têm sido alvo de ações da Binance em todo o mundo, inclusive no mercado brasileiro. Do ponto de vista da utilidade, a iniciativa mais recente foi o lançamento de um cartão de crédito que permite pagamentos em cripto, lançado em janeiro.

Nazar classifica o lançamento como "suave", com uma recepção grande de clientes que já colocou o Brasil como um dos cinco principais mercados da corretora de criptomoedas para o produto. O diretor da exchange acredita que o resultado "mostra o match entre o potencial do mercado brasileiro com a solução que a Binance está trazendo". Além dela, outras corretoras também já trouxeram esse tipo de serviço para o Brasil, indicando o interesse do setor.

O responsável pela Binance no Brasil aponta ainda que os dados da corretora mostraram que o cartão é eficiente tanto para clientes antigos da corretora, que passam a ter acesso a um produto que dá utilidade para criptomoedas, quanto novos interessados, que acabam tendo o cartão como um "primeiro produto". Nesse sentido, ele vê o cartão como algo que "conecta a indústria financeira tradicional com a de cripto".

"É algo que ajuda na educação e na adoção. A utilidade é algo que tangibiliza, desmistifica cripto. Cripto é para todos, é preciso trazer para o dia a dia das pessoas. 50% do volume de pagamentos no cartão hoje é em varejo do dia a dia, como restaurante, supermercado", diz Nazar.

Ele acredita que o produto mostra também que os meios de pagamento "são uma das, se não a, utilidade mais óbvia, que consegue conectar muito fácil" as criptomoedas com o mercado tradicional. Outra citada por ele são os tokens não-fungíveis (NFTs, na sigla em inglês), que a corretora também pretende explorar mais: neste ano, ela vai lançar NFTs ligados ao Campeonato Brasileiro de Futebol, em que atua como patrocinadora.

O diretor destaca que o Brasil é, hoje, um dos dez principais mercados da Binance, e que a corretora tem priorizado o país, mas "com muito ainda para acontecer".

Regulação e preços

Outra novidade para o mercado de criptomoedas no Brasil foi a aprovação de uma lei de regulamentação no fim de 2022. Agora, ao longo de 2023, o setor vai acompanhar o processo de detalhamento dessas regras, definição de reguladores e medidas regulatórias específicas que serão divulgadas nos próximos meses.

Para Nazar, a regulação é importante "para trazer segurança para o ecossistema. Essa combinação se desenvolve ao mesmo tempo, mas conforme marcos vão avançando, a estimativa é que a adoção só tenda a aumentar, e já tem aumentado com tanta turbulência – a indústria se manteve resiliente, e a adoção nunca diminuiu".

Nesse sentido, ele vê a lei brasileira como positiva, já que busca regular os agentes do mercado de criptomoedas, e não a tecnologia em si. Ele defende que a Binance seguirá "focada nos usuários" enquanto as novas regras vão sendo definidas, e que a corretora é "pró-regulação", já que ela tende a "gerar confiança para o ecossistema, novos negócios, mais pessoas vindo".

Entretanto, a exchange divergiu da postura de diversas corretoras nacionais em um dos temas mais polêmicos da regulação: a segregação patrimonial das exchanges em relação aos fundos de seus clientes. A medida é defendida como uma forma de evitar novos casos como o da FTX, mas ficou de fora da lei aprovada e, agora pode retornar na nova etapa.

Nazar argumenta que a Binance não é necessariamente contrária à segregação, mas que, antes, é responder a uma pergunta: "como fazer a segregação?". Ele acredita que, até o momento, isso não foi explicado pelos reguladores, e que será preciso entender melhor esse ponto antes de adotar um posicionamento favorável ou contrário à medida.

Mesmo assim, ele pontua que os problemas enfrentados pelo setor em 2022 mostraram a "importância de transparência" e de ter "cada vez mais uma regulação prudente e que não limita, não iniba a inovação". Segundo o diretor, um dos focos da Binance em 2023 é "melhorar transparência, controles", assim como a educação da população sobre criptomoedas.

Por isso, Nazar comenta que, por mais que a alta recente de preços do mercado cripto seja positiva, o foco da Binance não é esse. "Continuamos acreditando na tecnologia. os preços são inconstantes, vão variar, e é uma consequência de como está a confiança dos agentes, reguladores. Continuamos focados em melhorar experiência do usuário, melhorar o projeto, se conectar com o usuário".

Para 2023, "o foco, independente do preço subir ou não, ter turbulência ou não, correlação ou não, é em continuar executando. A Binance acredita no impacto que a tecnologia pode ter, e quer se mover para dar cada vez mais passos e se aproximar dessa visão. Queremos aumentar a adoção, fomentar a indústria. O foco é na execução".

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