Bitcoin passa de R$ 100 mil pela primeira vez: o que vem a seguir?

Bitcoin quebra barreira dos seis dígitos no mercado nacional e especialistas falam sobre perspectiva de futuro para o maior ativo digital do mundo

Em mais um dia em tendência de alta, o bitcoin atingiu uma marca importante no mercado brasileiro nesta sexta-feira (20), chegando a custar mais de 100 mil reais pela primeira vez na história — no mercado internacional, ultrapassou a marca de 18.750 dólares e está cada vez mais perto de sua máxima histórica, de pouco menos de 20 mil dólares, registrada em dezembro de 2017.

“Este tem sido um ano memorável para o bitcoin. Apesar da máxima histórica da cotação do ativo, em reais, estar sendo batida dia após dia, a marca dos 100 mil é bastante simbólica. A título de comparação, o Ibovespa, maior índice da Bolsa de Valores brasileira, levou cerca de 52 anos para atingir os cem mil pontos. Para o principal criptoativo do mercado, o prazo foi drásticamente menor, em torno de 12 anos”, disse Nicholas Sacchi, head de criptoativos na EXAME.

A movimentação no preço do maior ativo digital do mundo aconteceu nesta manhã, quando sua cotação saltou de 18.200 dólares para 18.750 nas principais exchanges do mundo. Como reflexo, o preço nas corretoras de criptoativos nacionais passou pela primeira vez dos 100 mil reais.

Essa faixa de preço é apontada por alguns especialistas como uma resistência para o ativo, já que está muito perto da sua maior cotação já registrada. Por isso, é normal que haja uma oscilação, o que explica a variação registrada momentos depois e que faz com que o bitcoin veja seu preço flutuar entre 99 mil e 101 mil reais no momento.

O bitcoin acumula alta de quase 15% nos últimos 7 dias, e foi o crescimento de 4,2% nas últimas 24 horas que levou o ativo para o inédito patamar dos seis dígitos no mercado brasileiro. O BTC começou 2020 valendo cerca de 27 mil reais nas exchanges brasileiras. Com o preço desta sexta-feira, chega a incríveis 275% de alta acumulada no ano.

“A marca de 100 mil reais reafirma que o bitcoin tem se consolidado e se sobressaído entre os ativos disponíveis no mercado, com valorizações que chamam a atenção dos investidores no mundo todo. O bitcoin tem reagido bem à crise econômica resultante da pandemia. O movimento de alta resulta do aumento da demanda, diante do atual contexto econômico global provocado pela desaceleração da atividade e da massiva injeção de liquidez promovida pelos principais Bancos Centrais, levando os investidores a buscarem ativos escassos, que funcionem como reserva de valor”, avalia Safiri Felix, diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto).

Em 2017, quando o bitcoin atingiu o maior preço de sua história em dólares, o contexto era bem diferente do atual. Por isso, especialistas afirmam que o final, desta vez, tem tudo para diferente — naquela ocasião, após atingir cerca de 20 mil dólares, o ativo caiu rapidamente, chegando a custar 4 mil dólares menos de um ano depois do recorde.

A alta do bitcoin em 2020 se explica por uma série de fatores. Além da pandemia, citada por Safiri, que acelerou o processo de digitalização financeira no mundo todo, outros fatos também são relevantes para o crescimento do ativo, como o aumento do interesse pela tecnologia criada com ele — a tecnologia blockchain; o aumento do conhecimento e do interesse de pessoas físicas e instituições pelo ativo; a criação de diversos produtos derivativos do bitcoin no mercado; as CBDCs, que são moedas digitais emitidas por bancos centrais; as regulamentações sobre criptoativos em diversos países, que ajudaram a profissionalizar o mercado; e, principalmente, a entrada de um volume considerável de dinheiro institucional no mercado cripto, que agora já conta com o endosso de grandes corporações, bancos e instituições financeiras.

“É importante destacar que, diferentemente de 2017, quando os preços foram impulsionados por uma forte onda especulativa proveniente do varejo, desta vez o mercado encontra-se muito mais maduro e fortalecido, com derivativos que possibilitam uma descoberta de preços mais eficiente, e com boa parte do movimento dos preços sendo gerado pela adoção institucional do bitcoin como reserva de valor”, completou Nicholas.

Um outro fator relevante que pode explicar a alta no preço do bitcoin é o halving, realizado em maio — halving é um evento programado na rede Bitcoin, que acontece a cada quatro anos e corta a recompensa para mineradores pela metade. É feito justamente para desacelerar a mineração de novos bitcoins, para garantir que sua emissão seja mais duradoura, afinal, ela é limitada a 21 milhões de bitcoins.

“Esse ano foi de halving e, meses após esse evento, é comum acontecer um movimento de subida de preço. Particularmente, acredito que essa mudança era esperada desde o halving e, além disso, a entrada do PayPal no universo dos criptoativos permitiu levar o bitcoin para milhões de usuários em todo o mundo e contribuiu diretamente para a subida”, afirmou o CEO da BitPreço, Ney Pimenta.

Até agora, segundo dados da Receita Federal, os brasileiros já negociaram mais de 86 bilhões de reais em criptoativos em 2020. A ABCripto espera que o valor chegue a 100 bilhões antes do fim do ano.

Espera! Tem um presente especial para você.

Uma oferta exclusiva válida apenas nesta Black Friday.

Libere o acesso completo agora mesmo com desconto:

exame digital

R$ 15,90/mês

R$ 6,36/mês

  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 44,90/mês

R$ 40,41/mês

  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa quinzenal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.