Analista: bitcoin não deve ficar abaixo de US$ 33 mil por muito tempo, sugerem métricas

Nos últimos dias, o preço do bitcoin (BTC) subiu de 31 mil para 34.800 dólares antes de reverter o curso e perder todos esses ganhos. Embora essa mudança de 4 mil dólares para o lado negativo possa não parecer significativa, a oscilação de 12% liquidou 660 milhões de dólares em contratos futuros.

Apesar de ser improvável que haja uma resposta definitiva por trás da mudança, em 25 de janeiro, o presidente Joe Biden expressou sua disposição de reduzir o pacote de estímulo à economia dos EUA de 1,9 trilhão de dólares. Isso pode ter reduzido os incentivos para quem compra BTC como uma proteção contra a inflação ou um hedge contra a desvalorização do dólar em relação às principais moedas globais.

Gráfico BTC / USD 4 horas. Fonte: TradingView

Gráficos de prazo mais curto podem não refletir o otimismo do bitcoin, mas vários indicadores de derivativos e o fluxo dos principais operadores não deixam muito espaço para esperar preços abaixo de 30 mil dólares.

O bitcoin tem testado o suporte de 30.800 dólares, mas os compradores têm mostrado uma atividade agressiva abaixo desse nível. Não surpreendentemente, tanto a MicroStrategy quanto a Marathon Patent Group anunciaram recentemente aquisições consideráveis do ativo digital.

Os dados mostram que os principais traders da corretora OKEx têm comprado fortemente a queda e o prêmio dos contratos futuros não reflete a alavancagem excessiva dos compradores.

É preciso lembrar que o vencimento dos futuros em 29 de janeiro extinguirá 4,9 bilhões de dólares em contratos futuros, ou 47% do total de 10,5 bilhões de dólares em posições em aberto.

Futuros BTC em aberto de bolsas de derivativos em dólares americanos. Fonte: Bybt.com

Embora inicialmente preocupante, grande parte desses contratos costuma ser prorrogada. Isso inclui 1,53 bilhão de dólares na OKEx, 875 milhões na CME e 840 milhões na Binance.

Os investidores que estão "comprados" (apostando na alta do ativo) no momento, podem comprar um contrato de prazo mais longo e, ao mesmo tempo, fechar sua posição futura de janeiro. Assim, independentemente de estar (ou não) debaixo d'água, desde que haja margem suficiente depositada, ambos os lados podem manter suas apostas abertas.

Embora as liquidações recentes possam ter sido grandes, os traders profissionais não são facilmente abalados por uma mera oscilação de preço de 12%. Essa hipótese é especialmente verdadeira considerando a volatilidade anualizada de 120% do bitcoin.

Para entender como as "baleias" (grandes investidores) e as mesas de arbitragem podem ter se posicionado durante esse período, deve-se analisar a relação long-to-short dos principais traders e o prêmio dos contratos futuros.

Os melhores traders compraram a queda

Não há realmente uma maneira concreta de avaliar a posição líquida de um trader de forma eficaz, já que eles poderiam estar segurando moedas em uma carteira ou usando várias exchanges diferentes simultaneamente.

Além disso, ao combinar opções com contratos futuros, torna-se virtualmente impossível interpretar a posição de um investidor olhando apenas para a exposição à vista e futura.

Desde 22 de janeiro, os principais traders da Binance mantiveram uma posição estável e equilibrada, mas começaram a adicionar posições "compradas" nas primeiras horas de 25 de janeiro. Essa tendência continuou em 26 de janeiro, e o indicador atualmente favorece os "comprados" em 13%. No momento, a proporção de longo prazo dos principais traders de Binance permanece abaixo de sua média mensal de 1,20.

Rácio long-to-short de BTC dos melhores traders. Fonte: Bybt.com

Por outro lado, os principais traders da Huobi alcançaram uma média de 0,85 de long-to-short nos últimos 30 dias, favorecendo as vendas em 15%. Em 25 de janeiro, quando o bitcoin atingiu seu topo local de 34.800 dólares, esses negociantes aumentaram suas vendas para 25%. Portanto, ao negociar corretamente o movimento, eles poderiam recomprar esses contratos a preços mais baixos e atualmente estão em 0,85, que é sua média mensal.

Por último, os principais traders da OKEx têm comprado agressivamente desde 25 de janeiro, fazendo com que a relação long-to-short atingisse seu nível mais alto em 30 dias, em 2,64.

Isso significa que os "comprados" mantiveram posições 164% maiores do que os melhores operadores com exposição líquida negativa. Considerando que isso aconteceu enquanto o bitcoin caía de 34.800 para 31.100 dóalres, esses comerciantes enfrentarão sérios riscos de liquidação se os mercados entrarem em baixa.

O prêmio de futuros retido nas últimas três quedas

Quando se trata de prêmio futuro, os comerciantes devem esperar um prêmio anualizado de 10% a 20% (base) em comparação com as bolsas à vista regulares em mercados saudáveis. Este indicador deve ser comparável aos rendimentos dos depósitos de stablecoins.

Sempre que esse indicador sustentar níveis abaixo dessa faixa, deve ser considerado um sinal de alarme. Por outro lado, uma base sustentável acima de 20% sinaliza uma alavancagem excessiva dos compradores, criando o potencial para liquidações massivas e eventuais quedas de mercado.

Prêmio futuro do BTC de março. Fonte: NYDIG Digital Assets Data

O gráfico acima mostra o prêmio futuro oscilando perto de 4,5%, traduzindo-se em uma base anualizada de alta de 22%. Após a queda dos preços do BTC em 20 de janeiro, o indicador caiu para 3,3% e, mais recentemente, para 2,2%, com o BTC testando seu suporte de 31 mil dólares. O prêmio atual de 12% anualizado está em uma posição neutra.

Mais importante ainda, não houve nenhum sinal de desespero nos mercados de derivativos. A ausência de prêmio de contratos futuros seria facilmente percebida em tal situação.

Mesmo que a relação long-to-short da OKEx possa parecer excessiva, a estrutura geral do mercado está longe de ser excessivamente alavancada. Assim, mesmo que a BTC repita seu crash test de 4 de janeiro, de níveis abaixo de 28 mi dólares, os compradores terão munição para contornar a maré de baixa de curto prazo.

Todos os olhos agora devem estar focados no vencimento das opções de 4 bilhões de dólares em 29 de janeiro, o que atualmente favorece os compradores, como divulgou o site Cointelegraph.

As visões e opiniões aqui expressas são da exclusiva responsabilidade do autor e não refletem necessariamente os pontos de vista da EXAME. 

por Cointelegraph Brasil

No curso "Decifrando as Criptomoedas" da EXAME Academy, Nicholas Sacchi, head de criptoativos da Exame, mergulha no universo de criptoativos, com o objetivo de desmistificar e trazer clareza sobre o funcionamento. O especialista usa como exemplo o jogo Monopoly para mostrar quem são as empresas que estão atentas a essa tecnologia, além de ensinar como comprar criptoativos. Confira.

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