Criadora da maior carteira cripto do mundo aposta no mercado brasileiro com Pix: ‘Brasil é o futuro’

Por trás de um dos maiores sucessos no mercado de carteiras digitais, ConsenSys integra MetaMask ao Pix e anuncia otimismo para o mercado brasileiro em entrevista exclusiva
MetaMask é a maior carteira de criptomoedas do mundo (Bloomberg/Getty Images)
MetaMask é a maior carteira de criptomoedas do mundo (Bloomberg/Getty Images)
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Mariana Maria SilvaPublicado em 16/09/2022 às 09:26.

A ConsenSys, responsável pelo desenvolvimento da MetaMask, carteira cripto que já ultrapassa 10 milhões de usuários, anunciou no início desta semana a integração com o Pix, serviço brasileiro de transações instantâneas. À EXAME, representantes da empresa revelaram o potencial que a ConsenSys enxerga no mercado brasileiro e as motivações para a iniciativa.

“Já faz um tempo que percebemos que o Brasil é um mercado bem relevante para a MetaMask. É um dos nossos principais mercados de usuários, e com isso tivemos o grande interesse de facilitar o uso da nossa plataforma por esses usuários”, afirmou Bárbara Schorchit, Senior Product Manager da MetaMask.

(Mynt/Divulgação)

Agora, usuários da MetaMask poderão comprar criptomoedas diretamente no aplicativo da carteira digital usando o Pix. Além disso, o real é a primeira moeda oficial de um país aceita e armazenada na MetaMask, uma carteira digital descentralizada.

Envolvida diretamente no projeto de integração, a brasileira explicou que o Pix na MetaMask ajudou a ultrapassar uma série de barreiras de uso e taxas ao investidor.

“Antes de lançarmos a integração com o Pix, o processo que o usuário teria seria comprar cripto em uma corretora, depois mandar a cripto para a MetaMask, e além de criar novas etapas no processo, adicionar taxas e complexidade, então com essa funcionalidade a ideia é encurtar esse processo e tornar disponível ali dentro do aplicativo o usuário pode abrir, ver qual é a cotação, o provedor, a taxa, e se ele tiver satisfeito com isso, já consegue comprar e ter a criptomoeda na carteira dele para fazer o que quiser na Web3 sem impedimentos”, disse, em entrevista exclusiva à EXAME.

Atualmente em sétimo lugar no Índice Global de Adoção Cripto desenvolvido pela empresa de análise em blockchain Chainalysis, o Brasil desponta em interesse pelo setor, subindo sete posições no ranking em apenas um ano. Com a integração ao Pix, a MetaMask e a ConsenSys esperam impulsionar ainda mais este número.

“O novo usuário que queria usar criptomoedas mas ainda estava confuso, agora tem muito mais facilidade, então eu acho que isso vai ter impacto no nível de adoção do brasileiro à tecnologia”, afirmou Bárbara.

Além do alto nível de adoção à tecnologia, o Brasil se destaca frente a outros países desenvolvidos por conta do próprio Pix, que representa uma das maiores inovações já criadas pelo Banco Central. Por isso, o serviço pode ter um papel relevante na modernização dos processos financeiros, que integram cada vez mais a era digital.

“Com o Pix, a população brasileira já conseguiu aprender muito sobre transacionar digitalmente o dinheiro, com QR Codes, códigos e chaves Pix. Isso facilita muito quando você vai passar para o mundo cripto, onde você também tem que compartilhar uma chave com alguém para receber, ou mostrar um QR Code... dar esse passo do Pix para cripto é muito mais fácil”, comentou Bárbara.

“Com a integração com o Pix e outros sistemas de pagamentos instantâneos, acho que podemos sair do mundo só de investimentos, para um mundo de Web3 e experiências mais cotidianas. O Brasil é o futuro”, afirmou Daniel Lynch, Diretor Sênior de Vendas Estratégicas na ConsenSys, em entrevista à EXAME.

Daniel, que é norte-americano, mencionou que seu próprio país ainda não conta com um sistema de pagamentos instantâneos como o Pix, o que faz com que transações financeiras, incluindo a compra de criptomoedas, possam demorar até três dias para serem compensadas.

No entanto, este cenário pode mudar em breve, já que o Pix será “exportado” para a América Latina e o Banco de Compensações Internacionais (BIS) já estuda uma solução parecida, chamada de Nexus.

(Mynt/Divulgação)

A “Web3”, mencionada por Daniel e Bárbara é conhecida como a nova fase da internet, onde serão integradas a tecnologia blockchain, criptomoedas e NFTs para um futuro digital das finanças. Neste sentido, eles acreditam que após um maior desenvolvimento da tecnologia, será possível utilizar criptomoedas em carteiras digitais para afazeres do cotidiano e compras de produtos físicos. Isso pode envolver o uso do Real Digital, em fase de testes pelo Banco Central, ou outras criptomoedas.

“Vejo um futuro com pessoas utilizando a MetaMask para fazer pagamentos, comprar coisas físicas... Eu acho que esse futuro não vai ser como estamos hoje, vamos precisar facilitar o acesso e a interface com o usuário ainda mais”, disse Bárbara.

As criptomoedas que serão protagonistas deste futuro, no entanto, podem não ser as mais conhecidas por investidores, como bitcoin e ether. “Provavelmente envolverá moedas estáveis e não as moedas mais populares do investimento na Web3 que são um pouco voláteis e nem todos os usuários podem querer ter que lidar com essa volatilidade em seu dia a dia. Então as moedas estáveis terão um papel importante e isso pode vir tanto de um real em forma de stablecoin ou o Real Digital que está sendo desenvolvido pelo governo brasileiro, dependendo do quão interoperável ele for”, acrescentou Bárbara.

Pensando nos desdobramentos deste futuro, a MetaMask se adianta com soluções para as empresas e comércios que podem passar a aceitar criptomoedas como pagamento.

“Se o vendedor vai receber cripto, temos que ter algumas ferramentas para fazer a gestão, tesouraria, de vários ativos. Por exemplo, temos a MetaMask Institutional, que tem serviços de custódia, compliance, etc”, contou Daniel Lynch.

A ConsenSys, empresa responsável pela MetaMask, também esteve em contato com o Bacen recentemente no LIFT Challenge. Sobre o assunto, Lynch comenta que a ConsenSys espera poder colaborar para o cenário regulatório do país e nas inovações propostas pela instituição.

“Participamos no LIFT Challenge com Microsoft e Visa, acho que é muito interessante tudo o que o Bacen faz no Brasil”, disse.

“Foi uma das primeiras vezes que eu vi um projeto que não se concentra apenas na liquidação e compensação de pagamentos, mas estuda uma série de áreas e vai experimentando para ver como facilitar a regulação de um sistema de finanças descentralizadas (DeFi) para o público ter inclusão financeira... sem dúvida vamos continuar acompanhando todos os desenvolvimentos do Bacen e esperar poder participar de qualquer iniciativa”, concluiu Lynch, em entrevista exclusiva à EXAME.

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