CEO envolvido no caso FTX aplicava técnicas de pôquer em negociações de empresa falida

Executivo da Alameda Research, empresa do grupo FTX que deu origem à falência, admitiu gostar de transações arriscadas e aplicar técnicas de pôquer nos negócios
Sam Trabucco, ex-CEO da Alameda Research (Alameda Research/Divulgação)
Sam Trabucco, ex-CEO da Alameda Research (Alameda Research/Divulgação)
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Mariana Maria SilvaPublicado em 25/11/2022 às 15:00.

Rodeada de polêmicas, a falência da FTX ocorreu em menos de uma semana e pegou a todos de surpresa, abalando o mercado de criptomoedas que já estava frágil ao longo de 2022. Após o ocorrido, informações obscuras sobre a gestão das empresas do grupo FTX foram reveladas, como US$ 13 bilhões de investidores em alavancagem e poliamor entre executivos.

Agora, informações da Bloomberg afirmam que Sam Trabucco, co-CEO da Alameda Research, empresa do grupo que deu origem ao problema, aplicava estratégias de pôquer e blackjack na gestão da empresa.

(Mynt/Divulgação)

O próprio Trabucco costumava revelar em suas redes sociais pessoais o quanto era um jogador de pôquer que gostava de arriscar, inclusive nas transações da Alameda Research. Segundo ele, tratavam-se de conhecimentos que poderiam ser aplicados nos negócios com sucesso.

"Maior é maior (quando apostar é melhor). Acertar é um termo do pôquer que se refere à ideia de que, quando suas chances são melhores... você quer apostar mais”, publicou Trabucco em janeiro de 2021 para explicar como suas estratégias de jogo foram aplicadas às negociações da Alameda Research.

De acordo com informações da Bloomberg, Trabucco também admitiu o seu apetite ao risco. Quando a corretora cripto OKx interrompeu os saques em sua plataforma, a Alameda Research comprou posições de forma agressiva para aumentar sua exposição à empresa.

"Além de não sermos vendedores, somos enormes compradores - mesmo que seja arriscado - porque, na verdade, podemos correr o risco e esse comércio é ótimo de acordo com o que sabemos - foi crucial, e é algo que estamos sempre com o objetivo de fazer", escreveu ele em 13 de janeiro no Twitter.

Formado em 2015 em Matemática e Ciência da Computação pelo MIT nos Estados Unidos, Sam Trabucco já havia trabalhado anteriormente no Susquehanna International Group, de acordo com seu perfil no LinkedIn. Ele também admitiu ter sido banido de três cassinos – legalizados nos Estados Unidos – por contar cartas em mesas de blackjack, um jogo similar ao pôquer.

No entanto, suas estratégias de negócio para a Alameda Research, apesar de questionáveis, não o colocaram em maus lençóis com a justiça norte-americana. Sam Trabucco não é publicamente investigado por qualquer irregularidade na FTX ou na Alameda Research até o momento.

Trabucco havia deixado o cargo de co-CEO da Alameda Research pouco antes do colapso do grupo FTX. Ele saiu da empresa em agosto, deixando apenas Caroline Ellison no comando da empresa. Ellison também virou um personagem importante da história após declarações polêmicas sobre criptomoedas, mulheres e minorias terem sido reveladas.

A FTX, que já foi avaliada em US$ 32 bilhões e conquistou o posto de segunda maior corretora cripto do mundo, demonstrou ter sido concebida e liderada por um grupo peculiar de pessoas, que supostamente viviam um relacionamento poliamoroso em mansões nas Bahamas.

Após o colapso, o executivo especialista em falências John Ray III assumiu o cargo de CEO para resolver as pendências da FTX, sob um salário milionário.

"Nunca em minha carreira vi uma falha tão completa de controles corporativos e uma ausência tão completa de informações financeiras confiáveis como ocorreu aqui", disse Ray sobre a FTX.

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