CEO de plataforma cripto toma controle de mesa de operações e perde R$ 500 milhões, diz reportagem

CEO da Celsius teria assumido estratégia de negociação da empresa antes do pedido de falência da empresa, que deixou rombo de mais de US$ 1 bilhão com credores
 (krisanapong detraphiphat/Getty Images)
(krisanapong detraphiphat/Getty Images)
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Gabriel RubinsteinnPublicado em 17/08/2022 às 16:28.

O pedido de falência da plataforma de empréstimos e serviços com criptomoedas Celsius Network foi um dos catalizadores para a queda do mercado no mês de junho. A empresa, que chegou a ter quase US$ 30 bilhões em ativos sob sua gestão, se tornou insolvente e deu calote em uma série de grandes investidores, inclusive algumas das maiores empresas da indústria blockchain.

Inicialmente, a empresa alegava que a queda no preço das criptomoedas desde o final de 2021 era a principal razão para a situação, mas informações divulgadas pelo Financial Times mostram que altos executivos da Celsius podem estar diretamente relacionados com o buraco no qual a empresa se enfiou - inclusive, e talvez principalmente, o seu CEO, Alex Mashinsky.

(Mynt/Divulgação)

De acordo com a publicação, em janeiro de 2021, Mashinsky decidiu tomar o controle da mesa de operações da Celsius - a empresa recebia criptomoedas de clientes e usava os fundos para diferentes aplicações, oferecendo em troca o pagamento de juros e rendimentos muito acima do mercado.

Naquele mês, o prejuízo da empresa, que tinha à época US$ 22 bilhões em ativos, foi de US$ 50 milhões (R$ 260 milhões). Não se sabe quanto exatamente pode ser atribuído à Mashinsky, mas, em um dos casos citados pelas fontes ouvidas pelo FT, ele teria ordenado a venda de milhões de dólares em bitcoin, contrariando sua própria equipe de especialistas, realizando uma venda muito maior do que a posição da empresa permitiria, o que obrigou a Celsius a recomprar o bitcoin de volta dias depois, com um prejuízo milionário.

Outro caso citado pela publicação diz respeito à exposição da Celsius ao Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), fundo de bitcoin da maior custodiante do ativo no mundo. Com US$ 400 milhões (R$ 2,07 bilhões) em cotas do GBTC, a Celsius teve a oportunidade de uma saída quando eram negociadas com um desconto de 15%. Mashinsky, pessoalmente, impediu a venda, que acabou sendo feita meses depois, em abril, quando o desconto já era de 25% - o total perdido com o investimento no GBTC supera os US$ 100 milhões (R$ 517 milhões).

Segundo pessoas ouvidas pela reportagem, por um longo período a Celsius cobriu suas perdas tomando empréstimos com outras empresas do mercado cripto, usando os tokens que mantinha, de clientes, como garantia para empréstimos de stablecoins, que seria usadas para comprar criptoativos que substituiriam aqueles que foram perdidos.

Esse arranjo deixou a Celsius vulnerável para a queda acentuada no mercado cripto que se seguiu, já que os clientes passaram a exigir seus fundos de volta ao mesmo tempo em que a empresa tinha que enviar mais ativos para seus credores como garantia adicional para os empréstimos de stablecoin.

A situação se agravou até a insolvência, que culminou com o pedido de falência e o calote não apenas nas empresas que concederam empréstimos à Celsius, mas também nos clientes e investidores.

O pedido de falência surpreendeu o mercado, não apenas por envolver cifras bilionárias e grandes marcas do setor, mas porque, em dezembro de 2021, a Celsius captou US$ 600 milhões (R$ 3,3 bilhões) em uma rodada de investimentos que avaliou a empresa em US$ 3 bilhões e que foi liderada por dois gigantes do mercado financeiro - o segundo maior fundo de pensão do Canadá, Caisse, e a gigante americana WestCap.

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