'Cenário de melhora para o bitcoin ainda está distante', diz analista do BTG Pactual

Mercado de criptomoedas ainda digere falência de segunda maior corretora do setor; novas altas para bitcoin, ether e as principais criptomoedas ainda estão distantes
Bitcoin chegou à mínima do ano após queda da FTX (Yuriko Nakao/Getty Images)
Bitcoin chegou à mínima do ano após queda da FTX (Yuriko Nakao/Getty Images)
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Lucas Costa Publicado em 16/11/2022 às 17:25.

Por Lucas Costa*

O mercado cripto ainda respira, após os acontecimentos recentes envolvendo a falência da corretora FTX. Acompanhamos uma lateralização na última semana, com o bitcoin trabalhando entre US$ 15.800 e US$ 18.200, enquanto o mercado aguarda por novidades.

Os mercados globais voltaram a ganhar força e o S&P 500 já flerta com os 4.000 pontos. O cenário de força dos índices americanos e enfraquecimento do dólar seguram parte das quedas recentes do bitcoin, oferecendo suporte para as criptos.

A análise técnica do S&P500 tem o índice com fundos mais altos que os anteriores e acionando um pivô de alta em 3.930,00. O movimento de recuperação da última semana foi responsável por uma valorização de aproximadamente 5,84%, com cruzamento de alta entre as médias móveis de 21 e 50 períodos.

A tendência de médio prazo é de queda, mas enxergamos espaço para mais recuperações no curto prazo. As próximas resistências do S&P 500 futuro é a média móvel de 200 períodos em 4.075 e o topo de agosto de 2022 em 4.300.

(Mynt/Divulgação)

O DXY é um índice que mede a força do dólar no mundo, representado pela moeda americana contra uma cesta de moedas. Os movimentos de alta do DXY podem ser interpretados como uma busca por proteção, enquanto a queda significa um aumento do apetite a risco.

A tendência de médio prazo ainda é de alta, mas no curto prazo é visível a perda de força e aceleração das quedas. O cruzamento baixista da média móvel de 21 e 50 períodos indica um aumento da pressão vendedora, levando o índice para patamares mais baixos e apresentando uma descompressão de risco para os cripto ativos. Os próximos suportes são 105,000 e 103,500.

(TradingView/Reprodução)

A compreensão do cenário global é muito importante para entendermos qual papel o bitcoin deve desempenhar dentro das carteiras dos investidores globais. Observamos que cenários de apetite ao risco são mais favoráveis para as criptos, uma vez que sua volatilidade é mais alta, enquanto cenários de aversão ao risco tendem a ser prejudiciais para essa classe.

O gráfico diário do bitcoin tem lateralidade no curto prazo, após o movimento forte de queda do início de novembro, que trouxe o bitcoin para a mínima do ano de 2022, rompendo o suporte relevante dos US$ 17.600. Acompanhamos o movimento com topo em US$ 25.200 e fundo em 17.500 para os traçados de Fibonacci, que tem projeções em US$ 15.150 (141,4%) e US$ 14.000 (161,85).

Acompanhamos uma contração da volatilidade na última semana, representando um respiro depois de um fluxo vendedor tão intenso. A interrupção do movimento de queda ainda não é um sinal de reversão de tendência para alta, sinalizando um mercado em compasso de espera por novas notícias vindas do caso FTX e do posicionamento do Fed em relação aos novos dados de inflação.

O fluxo da principal cripto ainda é vendedor, com topos mais baixos que os anteriores e inclinação descendente das médias móveis. O cenário de melhora do bitcoin ainda está distante, sendo possível apenas com o rompimento da média móvel de 50 períodos em US$ 19.300.

(TradingView/Reprodução)

O ether, criptomoeda nativa da rede Ethereum, tem uma situação parecida com o bitcoin, mas com maior volatilidade nos seus movimentos. Seguimos acompanhando o traçado de Fibonacci entre o fundo dos US$ 870 e topo em US$ 2.050, que nos oferece suportes e resistências razoáveis para o movimento de curto prazo.

Destacamos que o ether tem mais resiliência do que a principal cripto no seu cenário de queda, uma vez que conseguiu se sustentar acima do fundo de julho de 2022 em US$ 1.000. O próximo suporte é o fundo anterior em US$ 1.000, enquanto as resistências ficam na média móvel de 50 períodos em US$ 1.370 e média móvel de 200 períodos em US$ 1.600.

(TradingView/Reprodução)

*Lucas Costa é mestre em administração e economista pela Universidade Federal de Juiz de Fora, atuou como pesquisador acadêmico e professor nas temáticas de blockchain, criptomoedas e comportamento de consumo, sendo um dos fundadores do grupo de pesquisa Blockchain UFJF. Foi operador de câmbio em mesa proprietária com foco em análise técnica, e trader pessoa física em mercado futuro. Atualmente, é analista técnico CNPI do BTG Pactual digital, e apresenta a sala ao vivo de análises de maior audiência do Brasil.

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