"CBDCs podem virar desafio para cartões", diz Goldman Sachs em relatório

Um dos maiores bancos do mundo acredita que o poder de disrupção das moedas digitais de bancos centrais pode eliminar vantagens competitivas dos cartões de crédito e débito
É provável que as CBDCs ultrapassem os cartões de crédito e débito em países com vantagem competitiva inicial menor (Joe Raedle/Getty Images)
É provável que as CBDCs ultrapassem os cartões de crédito e débito em países com vantagem competitiva inicial menor (Joe Raedle/Getty Images)
Por Gabriel MarquesPublicado em 28/03/2022 15:54 | Última atualização em 28/03/2022 16:10Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento do mundo, disse em relatório sobre o atual cenário do mercado cripto, que as moedas digitais de bancos centrais (CBDCs), podem ter efeitos abrangentes para o sistema bancário e de pagamentos, e que podem virar um desafio aos cartões de crédito, já que eliminam algumas vantagens do meio de pagamento mais comum.

No relatório, datado de novembro do ano passado, mas liberado para o público somente agora, a instituição diz que as CBDCs podem ser transformadoras na implementação de políticas fiscais e monetárias, como no pagamento de estímulos, ou até mesmo em uma plataforma que mude os valores de impostos de acordo com a posição geográfica do contribuinte. Além disso, a nova criptomoeda poderia servir como medidor da atividade econômica.

Entre os maiores benefícios da classe de ativos, segundo o banco, estão: pagamentos mais rápidos e seguros, maior inclusão financeira através dos pagamentos eletrônicos, redução de custos e de crimes associados com dinheiro e a programabilidade e inovação financeira.

(Mynt/Divulgação)

A inovação financeira pode inclusive ser uma ameaça ao pagamento por cartões de débito e crédito, afirma o Goldman Sachs. Segundo o texto, as CBDCs eliminam três vantagens desse meio de pagamento: o efeito de rede, por oferecer maior facilidade na aprovação dos banco centrais para um maior número de processadores de pagamentos, a eliminação de barreiras de custo, permitindo que startups não precisem gastar tantos recursos como sistemas de verificação de fraudes, e vantagem de marca, ou seja, novos competidores podem desafiar as bandeiras de cartões com termos mais atrativos e recompensas, tornando sua marca mais atrativa.

O texto nota que a força dessas mudanças vai variar de mercado a mercado, e que é provável que as CBDCs ultrapassem os cartões de crédito e débito em países com vantagem competitiva inicial menor.

Por fim, o banco cita os três principais riscos na implementação da classe de ativos: desafios de segurança, como riscos de fraude ou erros nas operações, e a desintermediação da rede de pagamentos e dos bancos, ou seja, o deslocamento dos fundos principais.

Entre as CBDCs em estágio de desenvolvimento, está o Real Digital. No início do mês, o Banco Central divulgou a lista das empresas escolhidas para testar a moeda digital. Entre elas estão Visa, Microsoft e ConsenSys, a criadora da MetaMask, a maior carteira de criptomoedas do mundo.

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