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BTG, Visa e mais: executivos revelam se as stablecoins vão integrar a infraestrutura financeira

Durante evento, executivos do BTG, Visa, Redot Pay e B2C2 discutiram o potencial das stablecoins, criptomoedas que acompanham determinado ativo, em transformar a infraestrutura financeira global

Merge-Sao-Paulo (MERGE/Divulgação)

Merge-Sao-Paulo (MERGE/Divulgação)

Mariana Maria Silva
Mariana Maria Silva

Editora do Future of Money

Publicado em 26 de março de 2026 às 12h00.

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As stablecoins estão deixando de ser vistas apenas como uma inovação do mercado cripto para ocupar um papel mais estrutural no sistema financeiro. O tema foi debatido no painel “As stablecoins estão se tornando uma infraestrutura financeira central?”, realizado no dia 18 de março durante o MERGE São Paulo.

Moderado pela jornalista Mariana Maria Silva, da EXAME, o painel reuniu executivos de diferentes empresas para discutir o avanço da tecnologia, seus casos de uso e os desafios para adoção em larga escala.

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De inovação a infraestrutura

Para André Portilho, sócio e head de Digital Assets do BTG Pactual, as stablecoins caminham para se tornar parte central da infraestrutura financeira global, impulsionadas pelo avanço da tokenização.

“A tokenização está levando os instrumentos financeiros a se aproximarem cada vez mais do dinheiro, o que exige também novas formas digitais para esse dinheiro circular. Nesse contexto, as stablecoins surgem como uma peça fundamental dessa nova infraestrutura financeira que está sendo construída”, afirmou.

O executivo destacou que, apesar das stablecoins ainda não serem classificadas como uma infraestrutura "central" das finanças, o mercado já ultrapassou a fase inicial de experimentação.

“Não dá mais para tratar stablecoins como hype. Estamos falando de trilhões de dólares em movimentação, ainda muito concentrados no ambiente institucional, mas com potencial de crescimento. Nos próximos anos, essa tecnologia deve evoluir junto com inteligência artificial, criando um cenário completamente diferente do atual", acrescentou Antonia Souza, diretora de cripto para América Latina e Caribe na Visa.

Casos de uso e adoção

A visão de adoção também foi reforçada por Jonathan Chan, que destacou o papel das stablecoins em mercados com maior volatilidade econômica.

“Para muitos usuários, especialmente em mercados emergentes, stablecoins não são uma tendência ou inovação, mas uma necessidade. Se a pessoa recebe 100 dólares e no dia seguinte esse valor cai para 50 ou 20, ela precisa de uma forma de preservar seu poder de compra”, afirmou.

Segundo ele, o uso desses ativos vai além da reserva de valor e se estende ao cotidiano financeiro.

“As stablecoins funcionam como uma infraestrutura de pagamentos e também como um gateway financeiro. Elas permitem que usuários armazenem valor, façam transferências e realizem compras, conectando o mundo digital com o uso prático no dia a dia.”

Integração com o sistema financeiro

Antônia Souza, da Visa, destacou o papel das grandes empresas na construção dessa nova infraestrutura, com foco em integração e escala.

“Estamos desenvolvendo uma plataforma que permite aos nossos clientes emitir e gerenciar stablecoins, além de oferecer suporte em compliance por meio de parcerias. Esse é um passo importante para tornar esse mercado mais estruturado e acessível”, afirmou.

A executiva ressaltou que a adoção depende da conexão entre o sistema tradicional e o ambiente digital.

“A Visa atua como uma ponte entre o sistema financeiro tradicional e o universo de ativos digitais. Nosso objetivo é construir uma infraestrutura segura e escalável, que permita que essas soluções sejam utilizadas de forma simples e eficiente na rotina das pessoas.”

Eficiência e novos modelos

Para Cactus Raazi, a adoção das stablecoins está diretamente ligada à eficiência que elas podem oferecer em comparação aos sistemas existentes.

“Para que uma tecnologia seja adotada em larga escala, ela precisa ser mais rápida, mais barata ou ambos. No caso das stablecoins, se elas conseguirem entregar eficiência em pagamentos, liquidação e outras aplicações, a tendência é de crescimento, especialmente com o avanço regulatório”, afirmou.

O executivo também destacou o potencial de novas aplicações baseadas na programabilidade desses ativos.

“Estamos começando a ver o potencial da programabilidade das stablecoins, com softwares sendo construídos sobre elas. Isso pode transformar áreas como marketing e crédito, criando aplicações mais precisas e abrindo espaço para uma nova camada de inovação, semelhante ao que vimos com a economia de aplicativos.”

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