'Alguém precisa parar a Apple', diz CEO da Epic Games sobre taxa de 30% em NFTs de jogos online

Comissão padrão sobre as vendas de NFTs intermediada pela loja de aplicativos da Apple não agradou investidores e nomes de peso da indústria, como o CEO da desenvolvedora de Fortnite
Taxa de 30% de comissão será aplicada para vendas de NFTs na loja de aplicativos da Apple (Thomas Trutschel/Photothek/Getty Images)
Taxa de 30% de comissão será aplicada para vendas de NFTs na loja de aplicativos da Apple (Thomas Trutschel/Photothek/Getty Images)
M
Mariana Maria Silva

Publicado em 26/09/2022 às 17:46.

Última atualização em 26/09/2022 às 18:46.

Os tokens não fungíveis (NFTs) estão entrando cada vez mais no setor de games. Levando em conta seu caráter único e autêntico graças ao blockchain, eles podem gerar uma série de benefícios para empresas e jogadores quando o assunto são os itens dentro do jogo, como “skins”, acessórios e ferramentas. No entanto, uma taxa de 30% para a compra destes itens com o intermédio da loja de aplicativos da Apple não agradou investidores e nomes de peso desta indústria.

Segundo o CEO da Epic Games, responsável pelo sucesso mundial Fortnite, a Apple estaria “matando todos os negócios de plataformas de NFT que não podem tributar” ao “destruir outra tecnologia emergente que poderia rivalizar com seu serviço de pagamento no aplicativo grotescamente superfaturado”.

“Alguém precisa parar a Apple”, disse Tim Sweeney em uma publicação de sua conta oficial no Twitter.

(Mynt/Divulgação)

Outras plataformas exclusivas para NFTs, por exemplo, não aplicam as mesmas taxas que a Apple. O OpenSea, maior marketplace de NFTs do mundo, cobra uma comissão de 2,5% sobre as vendas realizadas na plataforma.

Magic Eden, a plataforma de NFTs do blockchain Solana, decidiu se retirar da loja de aplicativos da Apple quando soube da taxa, segundo informações do The Information.

Além de Fortnite, a plataforma da Epic Games disponibiliza uma série de jogos online famosos, incluindo aqueles que utilizam NFTs, como o Blankos Block Party, listado na Epic Games em 15 de setembro.

Na época, o CEO comemorou o lançamento e afirmou que, apesar da própria Epic Games não lançar produtos envolvendo NFTs por enquanto, a gigante não proibiria o lançamento de jogos desenvolvidos por outros estúdios em sua plataforma.

“A Epic Games Store dará as boas-vindas aos jogos que usam a tecnologia blockchain, desde que sigam as leis relevantes, divulguem seus termos e sejam classificados por idade por um grupo apropriado”, disse Sweeney. “Embora a Epic não esteja usando criptomoedas em nossos jogos, damos as boas-vindas à inovação nas áreas de tecnologia e finanças.”

As críticas da Epic Games contra as taxas de comissão da Apple não foram causadas apenas pelos NFTs. Em 2020, a empresa perdeu um processo contra a “maçã” pelo que considerava “práticas de mercado injustas”. De acordo com a Epic Games, a Apple viola as leis antitruste.

A batalha judicial entre as empresas não terminou com a conclusão do processo. A Epic Games recorreu e agora tem a chance de ganhar o processo, já que na última semana, autoridades norte-americanas de antitruste pediram para participar das audiências do processo, agendadas para o próximo mês. O motivo seria que estariam preocupados de que a decisão anterior não tivesse interpretado a lei antitruste dos EUA corretamente, segundo informações do Decrypt.

No entanto, nem todos os especialistas e executivos do setor estão contra a Apple. Muitos apontam que os jogos para celular podem se beneficiar com a venda de NFTs e a adoção de tecnologias da Web 3 pode ser impulsionada por um público de mais de um bilhão de usuários de iPhone. Além disso, a taxa de 30% é padrão da empresa para outros aplicativos.

Atualmente, a Apple é a maior empresa do mundo, com valor de mercado em US$ 2,4 trilhões, segundo dados do Companies MarketCap. Por outro lado, a indústria da Web3, conhecida como a nova fase da internet que engloba blockchain, criptomoedas e NFTs, ainda dá seus primeiros passos. O OpenSea, maior marketplace de NFTs da atualidade, chegou a ter pouco mais de um milhão de usuários em seu pico no início do ano.

Siga o Future of Money nas redes sociais: Instagram | Twitter | YouTube | Telegram | Tik Tok