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"A gente não trabalha com foco em liderar o mercado, mas sim em inovar", diz diretor da Nvidia

Em entrevista à EXAME, Marcio Aguiar apontou que inteligência artificial generativa é um "caminho sem volta" para empresas

Marcio Aguiar é diretor da Nvidia no Brasil (Nvidia/Divulgação)

Marcio Aguiar é diretor da Nvidia no Brasil (Nvidia/Divulgação)

João Pedro Malar
João Pedro Malar

Repórter do Future of Money

Publicado em 26 de junho de 2024 às 10h37.

A Nvidia atingiu na última semana uma marca histórica para a companhia: após uma nova disparada no valor das suas ações, ela alcançou a posição de empresa mais valiosa do mundo. O título, na verdade, é variável, dependendo da cotação das ações no dia, mas o feito resume a rápida ascensão da gigante de tecnologia, apoiada principalmente na inteligência artificial.

Entretanto, os valores das suas ações estão longe de ser o foco da empresa no momento. É o que explica Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para América Latina, em entrevista exclusiva à EXAME durante a Febraban Tech 2024.

"Atingir essa marca foi bastante gratificante pra todos nós. O trabalho começou em 2010 e não imaginávamos que chegaríamos nesse ponto, mas a gente não trabalha com foco de estar liderando o mercado, trabalha com foco em inovar, entrar em novos mercados", comenta.

Aguiar acredita que esse foco na inovação permite que a Nvidia mude rapidamente de foco e consiga trazer novas tecnologias para o mercado, ou até abrir novos mercados por meio da tecnologia. O resultado final é a liderança e a valorização das ações, mas como consequência desse movimento.

"Queremos continuar crescendo, mas o comportamento interno não mudou. É gratificante, mas dentro da corporação nosso CEO sempre lembra de esquecer o mercado, que tem o sobe e desce das ações. A trajetória das nossas ações é de uma crescente, não tem picos e fortes quedas. Temos o compromisso de seguir inovando e trazendo novos produtos", afirma.

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De cripto a IA

A disparada nas ações da Nvidia entre 2023 e 2024 por causa da ascensão da inteligência artificial generativa não é a primeira vez que a empresa atrai investidores devido à sua ligação com novos mercados. Em 2017, os papéis chegaram a subir 600%, apoiados então na alta demanda de placas de vídeo da empresa para uso na mineração de bitcoin.

Apesar do histórico, Aguiar ressalta que a empresa "não tem foco em desenvolver tecnologias para o mercado de criptomoedas. O compromisso é com a área de gaming, que é a fundação, e com pesquisadores, cientistas de dados. Na época do boom de cripto não tinha como evitar vender pra eles, até porque o mercado viu o potencial das nossas plataformas de hardware e compraram praticamente tudo que tínhamos".

"Mas isso não foi bom pra gente, porque logo em seguida as ações caíram muito porque o mercado cripto caiu muito e aí nossas GPUs foram vendidas no mercado", comenta o executivo. Ele explica ainda que, após o episódio, a Nvidia "entendeu que esse mercado não é nosso". Já no caso da inteligência artificial, o cenário é diferente.

"Para nós, a IA generativa não é bolha, é algo que não tem volta. Está tudo muito no início. As maiores empresas que desenvolvem essa técnica para outras empresas são os cloud services providers [provedores de serviços em nuvem]. A Nvidia vem por detrás, agregando valor com plugins, softwares de desenvolvimento e permitindo que os clientes possam desenvolver a própria", diz Aguiar.

Ele defende ainda que a gigante de tecnologia consegue apresentar um diferencial: ter uma plataforma de software que consegue tanto agregar os grandes sistemas de linguagem (LLMs) por trás das IAs quanto permitir que empresas criem seus próprios modelos e IAs. Ao mesmo tempo, reconhece que poucas empresas ainda optam pela segunda via, no que atribui a uma falta de maturidade natural do momento do mercado.

A tendência, acredita, é em um "cenário misto". "A porta de entrada hoje é o Copilot ou o ChatGPT, mas a tendência é que tudo seja customizado quando os gestores entenderem o potencial da tecnologia e passem a querer um diferencial".

"A IA moderna, nosso primeiro contato com ela foi em 2012, mas tudo explodiu muito nos últimos 6 anos. É tudo muito novo. Uma empresa que existe há 30, 40 anos, funcionando bem, olha essa coisa nova e fica pensando se vai mudar o negócio. É difícil dizer se sim ou não. Mas é algo que não vai ter volta", defende.

O futuro da IA nas empresas

Na avaliação de Marcio Aguiar, o Brasil "está começando em inteligência artificial". "Todas as empresas usam técnicas de IA, mas não necessariamente IA generativa porque é nova, requer mais poder computacional. Temos casos de uso de visão computacional, machine learning, e pelo desconhecimento a empresa fica em dúvida se cabe ou não nos negócios".

Por outro lado, o diretor da Nvidia vê uma "penetração boa" da empresa nas grandes corporações do país. Há, ainda, um trabalho de educação desse ecossistema, além de um fomento a universidades e laboratórios, classificada por ele como a "base que nos sustenta" pensando em criar um ecossistema de inovação.

A tendência, segundo ele, é que a adoção de inteligência artificial generativa nas empresas suba cada vez mais. "Internamente, entregamos apenas 20% de todo o potencial do mercado. Não falta habilidade, mas é parte da estratégia. Se não desenvolve conceitos de conexões de GPUs, quem desenvolver o software não consegue aplicar novos conceitos, então temos esse compromisso".

"Não é bolha, moda, é uma revolução, no bom sentido, e que está beneficiando muitas empresas. E ao entender o potencial e o que pode trazer consegue se beneficiar disso. As empresas falam muito de IA, mas várias ainda não adotaram. Não adianta surfar a onda sem adotar", defende.

Por isso, Aguiar aponta um esforço da Nvidia para "trazer as empresas pra terra. A empresa precisa dizer qual é o problema que é crítico pro negócio e que gostaria de resolver usando técnicas de IA. Criar um comitê de inovação, entender as necessidades e quais podem se beneficiar. Quando consegue fazer isso, entende que não é apenas uma onda e obtém os benefícios reais".

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