A regulação brasileira, inaugurada pela Lei nº 14.478/2022, representou o primeiro movimento institucional de reconhecimento desse ecossistema
Editor do Future of Money
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 09h34.
Uma pesquisa realizada pela empresa de auditoria KPMG junto com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) mostrou que 60% do mercado considera positiva a regulamentação do Banco Central sobre stablecoins.
A pesquisa realizada de 12 de janeiro a 8 de junho deste ano com 70% de empresas criptonativas e 30% de bancos revelou que a maioria das instituições viu com bons olhos a chegada de regras claras com a regulamentação publicada no ano passado. Apenas 20% entende que o impacto das resoluções 519, 520 e 521 foi negativo para as stablecoins, e 10% optou por não responder.

O relatório da KPMG e da ABcripto lembra que as stablecoins passaram a ser explicitamente conectadas ao mercado de câmbio brasileiro pela Resolução 521, algo que traz previsibilidade jurídica apesar de impor obrigações de reporte, compliance e potencial incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Para 45% dos entrevistados, as normas do BC aumentam a atratividade da emissão de stablecoins no Brasil, ao passo que 22% consideram que o impacto é nulo e 11% acreditam que a atratividade diminui.
Em relação ao quanto a instituição pesquisada está enquadrada nos requisitos regulatórios do BC, 50% responderam que estão na fase final, 30% optaram por não responder, 10% disseram que estão em fase intermediária e 10% admitiram estar na fase inicial.
Na opinião de 40% dos entrevistados, há oportunidades para emissores de stablecoins que se adaptarem rapidamente às novas regras, enquanto 40% não enxergam essas oportunidades e 20% optaram por não responder.
Todos os entrevistados responderam que devem existir auditorias independentes sobre ativos mantidos como lastro, sendo que 12% avaliam que a frequência dessas auditorias deve ser anual, 25% semestral, 25% trimestral, 13% mensal e 25% diária.

Além disso, 80% disseram que a instituição emissora deve ter algum selo de certificação, contra 20% que afirmaram isso não ser necessário.
Em relação ao modelo ideal para obtenção de receita a partir do negócio de stablecoins, 43% afirmaram ser o rendimento dos ativos de reserva, ou seja, os juros pagos sobre os títulos públicos ou depósitos que a empresa mantém para garantir a paridade da stablecoin com a moeda de referência.
Stablecoins são criptomoedas cujo preço é sempre igual ao de uma unidade de uma moeda tradicional. Uma stablecoin de dólar como o USDT, por exemplo, valerá sempre US$ 1,00.
Esta paridade de 1:1 é obtida através da manutenção de reservas em dólar no mesmo montante ou superior à quantidade de moedas digitais emitidas. Como essas reservas geralmente são aplicadas em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, elas garantem um rendimento à empresa emissora.
Já para quem compra stablecoins a vantagem é ter uma exposição ao dólar sem passar pelo controle cambial do país nem pelas taxas de casas de câmbio. Tudo isso com negociação 24/7, já que os ativos estão registrados em blockchain e não no sistema financeiro tradicional.
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