Votorantim Cimentos, Tigre e Gerdau investem R$100 mi na Juntos Somos Mais

Com o novo aporte das sócias, a Juntos Somos Mais quer ampliar sua atuação no varejo da construção civil e estuda novas fusões e aquisições

A Juntos Somos Mais, sociedade criada pela Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre em 2018 para se aproximar do varejo, acaba de receber um aporte de R$ 100 milhões das acionistas. O plano é usar o capital para expandir a atuação da empresa no ecossistema da construção civil, seja desenvolvendo novos negócios internamente ou adquirindo companhias.

O investimento é o primeiro recebido depois da fundação da joint venture. Segundo Antonio Serrano, presidente da Juntos Somos Mais, a empresa considerou trazer um novo sócio investidor e chegou a conversar com fundos de venture capital e private equity, mas as três acionistas decidiram que era melhor não diluir sua participação ainda. Atualmente, Votorantim Cimentos detém 45% do negócio, enquanto Gerdau e Tigre possuem 27,5% cada.

“Estamos animados com o crescimento da Juntos Somos Mais ao longo desses dois anos de operação. O novo aporte que estamos realizando demonstra nossa confiança no desenvolvimento do negócio e no enorme potencial existente para soluções tecnológicas no setor de materiais de construção”, afirma Marcelo Castelli, presidente da Votorantim Cimentos.

A Juntos Somos Mais nasceu de um programa de fidelidade criado pela Votorantim Cimentos em 2014. Na época, a empresa estava buscando formas de estimular os pequenos e médios varejistas a apresentar melhor seus produtos para os clientes finais. Foi então que desenvolveu um sistema que permitia que os lojistas trocassem pontos acumulados com as vendas por prêmios como computadores, softwares de gestão e cursos. Em 2018, a iniciativa conquistou a Tigre e a Gerdau como sócias.

Hoje, o programa da Juntos Somos Mais reúne 25 indústrias da construção civil e tem mais de 500.000 participantes, entre eles lojistas, vendedores e profissionais autônomos. Aproveitando a capilaridade dessa rede, a empresa administra também a Loja Virtual, um marketplace online que permite que varejistas do país todo comprem produtos direto da indústria. Só no ano passado, as vendas na plataforma somaram R$ 7,4 bilhões, R$ 1 bilhão a mais que no ano anterior. "Nossa expectativa é em dois ou três anos chegar a mais de R$ 10 bilhões de movimentação no marketplace", diz Serrano.

Desde 2020, a Juntos Somos Mais não se restringe somente ao varejo. O plano da empresa no longo prazo é ser ser um one-stop-shop da construção civil, oferecendo soluções tanto para o varejo quanto para os consumidores finais que precisam de pequenos reparos domésticos.

O primeiro passo nessa direção foi a aquisição da startup gaúcha Triider em setembro do ano passado. Como um "Uber da construção civil", a empresa adquirida conecta profissionais da construção civil, como pedreiros, eletricistas e pintores, com clientes em potencial. Segundo o presidente, a aquisição foi uma forma de estreitar os laços da empresa com os autônomos e de ajudar a trazer mais tecnologia para o setor. A startup tem tido bons resultados: cresceu 157% desde março de 2020 até março deste ano. O plano para 2021 é acelerar sua expansão territorial e chegar a pelo menos 50 cidades atendidas hoje o serviço opera em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília.

Além dela, a Juntos Somos Mais também fez um investimento de valor não revelado na startup Conecta Reforma, que faz gerenciamento e execução de grandes obras. "A gente se imagina colaborando cada vez mais com os profissionais e empresas do setor para transformar a experiência de fazer obras e reformas no Brasil", diz Serrano.

Com os R$ 100 milhões, a empresa quer acelerar sua estratégia de fusões e aquisições em 2021 e terminar o ano com pelo menos mais dois negócios concluídos. Oportunidades não faltam, são mais de 800 startups mapeadas no setor de construção civil no Brasil. De acordo com Serrano, o plano é buscar empresas que possam complementar o portfólio de soluções da Juntos, como na área de logística ou de tecnologia, para alavancar o crescimento do negócio.

O momento é bom para a construção civil. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), o Produto Interno Bruto do setor deverá crescer 4% este ano, na maior expansão desde 2013. "O mercado de obras e reformas vai continuar crescendo. Tem algumas forças positivas nesse sentido, como o enorme déficit habitacional brasileiro, a taxa básica de juros em um patamar mais baixo, o aumento da adoção do home office e a criação de programas governamentais como o Casa Verde e Amarela", diz Serrano.

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