Talk show EXAME IN: CEO do Grupo SBF conta estratégia omnicanal em detalhes

Grupo dobrou de tamanho após compra da Nike do Brasil e receita anual é da ordem de R$ 7 bilhões
Pedro Zemel, CEO do Grupo SBF, durante gravação do talk show no estúdio da EXAME (Exame/Reprodução)
Pedro Zemel, CEO do Grupo SBF, durante gravação do talk show no estúdio da EXAME (Exame/Reprodução)
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Graziella ValentiPublicado em 27/06/2022 às 13:56.

“Até o Jeff Bezos, com a Amazon, comprar o Whole Foods, eu tinha de explicar para que servia loja”, lembra Pedro Zemel, CEO do Grupo SBF, dono da rede Centauro e da Nike do Brasil, sobre o primeiro momento do conceito de marketplace, quando muitos acreditavam que as lojas desapareceriam do mapa e existiria apenas o comércio digital. A companhia, que abriu o capital há cerca de três anos, dobrou de tamanho e hoje tem receita anual da ordem de R$ 7 bilhões. “Canal é uma escolha tática, não estratégica. Sempre acreditamos nisso. Um canal não prevalece sobre o outro”, comenta ele, durante o talk show EXAME IN.

Agora, o grupo prepara uma forte expansão de lojas da Nike, que pode ter espaço para tantas unidades quanto a própria Centauro, que está presente em 26 estados da federação. “A China tem milhares de lojas, e o Brasil tem 23. A China tem sete vezes mais pés que o Brasil, não centenas”, enfatiza. A primeira Nike Store, que visa proporcional uma experiência diferente, mais completa, e trazer produtos também para uso casual, inclusive para o público feminino, será inaugurada neste mês. O plano do grupo são dois modelos de lojas. Além das unidades completas, com coleções,  haverá unidades para produtos mais antigos.

No bate-papo, Zemel conta como o grupo trabalha no conceito de plataforma horizontal, de ecossistema, para aproveitar a conexão genuína que o esporte permite com clientes, apesar de a compra de moda esportiva não ser de recorrência — confira no link ao final da matéria. Ainda assim, a rede tem 31 milhões de CPFs cadastrados e nos últimos 12 meses, 8 milhões fizeram aquisição no grupo. As vendas digitais passaram de 5% a 10% do total, conforme dados pré-pandemia, para 30%, pós-pandemia.

Durante a conversa, o executivo apresentou dados de como a omnicanalidade está funcionando dentro do negócio, por exemplo, o fato de que 7,5% das vendas de uma loja atualmente serem de produtos que não estão lá. O cliente foi experimentou e escolheu. Mas, como o produto não estava disponível na cor e tamanho desejado, foi encaminhado para a casa do comprador mais tarde. Ou, como 50% das vendas digitais passam pela loja, seja porque a entrega sai de lá, seja porque o cliente escolhe retirar em uma unidade próxima.

Na jornada de ecossistema, o grupo SBF montou a SBF Ventures, que investe em startups para fortalecer a relação com clientes e o conhecimento do consumidor, com outras jornadas da relação esportiva além da compra. No portfólio, já são quatro negócios, a NWB, que faz transmissão esportiva e teve 1,8 bilhão de views em 2021, a FitDance, com 2 bilhões de views, a Onefan, o aplicativo para fãs de futebol, e X3M, produtora de lives para marketing esportivo.

Juntos, os negócios vão ter receita de R$ 100 milhões neste ano. Pode parecer pouco, dentro do grupo, mas o objetivo principal, para além da diversificação de receita que proporciona, é o efeito rede. Um dia, os interessados por esporte, poderão estar conectados com o grupo SBF  todos os dias, na visão de Zemel. Nos últimos três trimestres, a margem do negócio digital foi inclusive superior à da loja física.

Além de Zemel, já estiveram no programa, Roberto Fulcherberguer, presidente da Via, dona da Casas Bahia, Cesario Nakamura (Alelo), Cristina Andriotti (Ambipar Environment), Roberto Funari (Alpargatas), Abilio Diniz (GPA), Felipe Miranda (Empiricus), Eduardo Mufarej (GK Ventures), Augusto Lins (Stone), Rodrigo Abreu (Oi), Cláudia Woods (WeWork), Dennis Herszkowicz, (Totvs), Daniel Silveira (Avon), Túlio Oliveira (Mercado Pago) e Carlos Brandão (Iguá Saneamento). Também passaram pela mesa de conversa do programa Marcelo Barbosa, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM),  Daniel Castanho, fundador e presidente do conselho de administração da Ânima Educação, Daniel Peres, fundador da Tropix, um marketplace de NFTs de arte digitais, para destrinchar o metaverso, Ricardo Mussa, presidente da Raízen, e Ricardo Faria, o empresário que é o maior emergente do setor de agronegócios do país. E no ano passado, ainda os fundadores da OpenCo, Sandro Reiss e Rafael Pereira, presidente do conselho de administração da GP Investimentos e da G2D.

O programa recebe grandes personalidades do mundo corporativo e financeiro para um bate-papo descontraído sobre os principais desafios, aprendizados e oportunidades do mercado brasileiro em suas áreas de atuação. Os episódios podem ser conferidos no canal da EXAME no YouTube e também no Spotify.

O que é o EXAME IN

O programa vem para complementar a produção de conteúdos do EXAME IN, a butique digital de notícias de negócios da EXAME e que conta também com uma newsletter desde março de 2020 (increva-se grátis para receber no e-mail). Comandada por Graziella Valenti, a newsletter tem o objetivo de fornecer acesso a informações sobre mercado de capitais, negócios e startups.