O varejista do Nordeste Grupo Mateus fará IPO de R$ 4,5 bi na bolsa

Rede com 137 lojas, de vários modelos, terá receita líquida superior a R$ 10 bi neste ano pela primeira vez

O que deve ser uma das maiores estreias do ano na B3 entrou com a papelada para sua oferta inicial (IPO) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM): o Grupo Mateus. A rede varejista com foco nas regiões pouco representadas na bolsa Nordeste e Norte pretende movimentar 4,5 bilhões de reais na B3 com uma operação primária e secundária. Neste ano, a empresa deve alcançar pela primeira vez receita líquida superior a 10 bilhões de reais.

A oferta será coordenada pela XP Investimentos, ao lado do Bradesco BBI, e com participação também de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Itaú BBA, Banco do Brasil, Santander e Safra. O grupo reúne operações no segmento de varejo que vão desde o mercadinho de bairro, com a bandeira Camiño, até supermercados e atacarejos, além de eletrodomésticos e móveis e uma panificadora, a Bumba meu Pão. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), é o quarto maior grupo do país em varejo alimentar. Apesar de atuar em outros segmentos, a parte de alimentos respondeu por mais de 80% da receita nos últimos dois anos.

Nos seis primeiros meses deste ano, o Grupo Mateus teve receita líquida de 5,1 bilhões de reais, com Ebitda ajustado de 415 milhões de reais (margem de 8,1%) e lucro líquido de 297 milhões (margem de 6%). Apenas dois anos antes, em 2018, a receita líquida estava em 6,3 bilhões de reais no acumulado de 12 meses. A expansão tem ocorrido a uma taxa média anual de 20% nos últimos seis anos.

O plano do Grupo Mateus e o motivo de acessar o mercado é acelerar expansão de lojas para consolidar a posição regional e ampliar investimento em logística. A companhia terminou junho com 137 unidades, espalhadas em 54 cidades — comparado a 65 lojas em 2016. Dívida não é a questão neste caso. No fim do primeiro semestre, o endividamento bruto estava em 1,2 bilhão de reais, para quase 950 milhões de reais em caixa.

É justamente pela posição regional que a companhia deve conquistar atenção e até uma posição diferenciada entre os IPOs. O investidor acaba tendo uma percepção de diversificação da carteira. A varejista de material de construção Quero-Quero, uma representante do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo e capitais, teve sucesso em racional parecido. No começo do mês, a empresa conseguiu um feito, justamente por não estar nas mesmas praças de sempre. Fez um IPO predominantemente com a venda secundária de ações, pelo fundo de private equity Advent, em uma operação que totalizou pouco mais 2,2 bilhões de reais. Mesmo achando os múltiplos um pouco salgados, o mercado comprou tudo.

O maior IPO de 2020 também será no setor de varejo, o da rede Lojas Havan, do empresário Luciano Hang e da outra ponta do país. O grupo original de Santa Catarina e com forte presença na Região Sul quer chegar à B3 avaliado em 100 bilhões de reais, com uma oferta de 10 bilhões de reais — ou seja, já no grupo de elite das empresas com três dígitos de valor de mercado.

Depois de colocar quase 15 bilhões de reais nas ofertas da Lojas Americanas, Via Varejo e na empresa de varejo de moda Soma, os investidores continuam com espaço em suas carteiras para ampliar mais a aposta no segmento — em uma inédita falta de correlação entre interesse do mercado e previsões para a economia. A pesquisa Focus dessa semana apontou que a previsão de queda no produto interno bruto (PIB) para 2020 melhorou pela sétima vez consecutiva, e está agora em uma retração de 5,52%. A expectativa é de recuperação da atividade no ano que vem com crescimento de 3,5%.

Ainda que nas contas todos saibam que crescer 3,5% depois de cair 5,5% não é uma recuperação de 60% do que foi perdido, o movimento de migração de recursos para renda variável e o ambiente de queda nos juros com controle de inflação continuam sendo notícias muito boas para companhias abertas e para o setor de varejo. O detrator de cenário é o ambiente macroeconômico do ponto de vista das contas públicas, com as crescentes preocupações a respeito do balanço fiscal do Brasil.

O outro lado dessa moeda é que o dólar continua em alta — justamente pelo aumento das preocupações com as contas do país — e a bolsa brasileira, para o investidor estrangeiro, continua com uma performance pior que as demais, o que acaba funcionando como um atrativo de preços.

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