Nuvemshop investe R$ 30 milhões em nova unidade de negócio no Brasil

A Nuvemshop Next vai atender clientes que faturam entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões; foco é proporcionar mais tecnologia para grupo “desassistido”, segundo country manager
Nuvemshop: foco em expansão com público que pode entregar margens maiores (Nuvemshop/Divulgação)
Nuvemshop: foco em expansão com público que pode entregar margens maiores (Nuvemshop/Divulgação)
Por Karina SouzaPublicado em 24/05/2022 09:00 | Última atualização em 23/05/2022 20:56Tempo de Leitura: 4 min de leitura

A Nuvemshop, plataforma de e-commerce líder na América Latina e unicórnio desde o ano passado, anunciou nesta terça-feira um investimento de R$ 30 milhões  em uma nova unidade de negócio no Brasil. É a Nuvemshop Next, focada em empresas que faturam entre R$ 100 mil e R$ 10 milhões mensais no e-commerce – classificadas pela companhia como empresas em expansão. “É uma evolução. Esse movimento é um posicionamento para dizer que conseguimos atender de forma exclusiva a esse público, hoje menos assistido do que companhias maiores em termos de atendimento e serviços de tecnologia para e-commerce”, diz Guilherme Pedroso, country manager da Nuvemshop no Brasil, ao EXAME IN.

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Os recursos para estruturar a nova vertical vão vir direto do caixa da empresa, impulsionado por captações Série D e E de 2021 — com investidores como Tiger Global e Kaszek. Ao todo, as rodadas trouxeram US$ 600 milhões para dentro da Nuvemshop. Parte do valor já foi usada para alguns investimentos, Pedroso afirma, frisando que a companhia “está numa posição diferenciada, com proteção para passar momentos difíceis no futuro”. É seguir a cartilha que o momento atual pede: com investidores receosos, todo cuidado é pouco. 

Dos R$30 milhões a serem injetados na nova vertical, metade será dedicada a estruturar a área de tecnologia, com novas funcionalidades e integrações dentro da plataforma. Os demais R$ 15 milhões serão usados para as áreas de Produto e Serviços. "Na prática, companhias que chegam nesse patamar de faturamento começam a ter a necessidade de parceiros de negócio capazes de entender problemas e indicar soluções. A solução desses pontos passará por tecnologia, é claro. Uma vez solucionados os problemas, as empresas precisam de parceiros de negócios capazes de ajudar a estruturar um plano estratégico", diz o executivo. É essa suíte completa de serviços que a Nuvemshop quer oferecer de forma direcionada a esse público.

Dados compilados pelo PayPal na pesquisa Perfil do E-commerce Brasileiro mostram que o país tem mais de 1,5 milhão de sites de e-commerce e, dentro desse total, os que estão dentro da faixa almejada pela companhia (faturam entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por ano) já representam quase um quinto (19,6%). Não é a maior fatia de todas – a campeã em volume é a de lojas que faturam até R$ 250 mil – mas deve se tornar altamente rentável ao longo dos próximos anos, projeta a Nuvemshop.

A empresa não dá detalhes a respeito do quanto as empresas com faturamento de R$ 100 mil a R$ 10 milhões por mês representam, hoje, dentro da receita da startup. “O que posso dizer é que, dentro dos nossos 90 mil clientes, essas empresas representam algumas centenas dentro desse total”, diz Pedroso. E, dentro do plano da Nuvemshop de alcançar 500 mil clientes, o que o executivo afirma é que os clientes dessa nova vertical não devem crescer de forma tão significativa em volume, mas que o investimento deve permitir, agora, gerar maior receita a partir deles. 

Em um momento seguinte ao “boom” do e-commerce no Brasil – na pandemia, a participação das vendas on-line mais do que dobrou no varejo –, o executivo acredita que ainda há espaço para que o comércio on-line continue sendo uma prioridade dentro dessas companhias. E não vê a ação de outros atores desse cenário, como marketplaces e redes sociais, como possíveis ameaças aos planos que pretende atingir. 

“O que estamos propondo é que o lojista consiga entender o nível de maturidade que ele tem no ambiente digital e possa agir de acordo com o setor em que está. Pela nossa experiência, setores que têm maior diferenciação de marca e atributos emocionais têm uma participação maior do e-commerce nas vendas do que em outros pontos de venda digital. Mas acredito que tem espaço para todo mundo”, diz.

Para o futuro, os planos são os de levar a nova suíte de serviços para toda a América Latina, especialmente México e Argentina. No Brasil, a nova vertical não deve gerar maior ênfase em regiões ou estados específicos. O foco é atender a esse público com excelência – e passar pelos tempos turbulentos com a meta de crescer. 

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