Magalu tem prejuízo de R$ 166,8 milhões, mas margem melhora na comparação anual

Companhia tem sutil crescimento de receita, atribuída pela empresa ao baixo crescimento do setor no período
Magalu: sensação de executivos é que "o pior já ficou para trás" (Germano Lüders/Exame)
Magalu: sensação de executivos é que "o pior já ficou para trás" (Germano Lüders/Exame)
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Karina SouzaPublicado em 10/11/2022 às 19:53.

Há um ano, aproximadamente, o Magazine Luiza começou a colocar em prática a maior parte de suas novas iniciativas de olho em conter os efeitos do aumento dos juros e da inflação. Reduzir o número de parcelas em que os consumidores poderiam pagar, bem como os prazos médios de venda eram apenas algumas delas. Doze meses depois, em uma tendência macroeconômica completamente oposta — de melhora, em geral, dos índices de inflação e juros — e com o reflexo acumulado das medidas de eficiência operacional, a empresa começa a colher alguns frutos de tudo que fez até aqui. Devagar e sempre. Seguindo essa linha de raciocínio, os efeitos positivos apareceram, no balanço do terceiro trimestre, nos ganhos de Ebitda e de margem bruta na comparação anual. Os ganhos não se refletem na última linha do resultado, sobre a qual o peso do resultado financeiro ainda exerce uma forte barreira para o crescimento. Nos três meses encerrados em setembro, a companhia apresentou prejuízo líquido de R$ 166,8 milhões, revertendo lucro de R$ 22,6 milhões no ano anterior.

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Voltando aos indicadores operacionais, a companhia conseguiu evoluir na comparação anual em lucro bruto, que totalizou R$ 2,4 bilhões (aumento de 41%), margem bruta, de 27,9% (aumento de 7,8 pontos percentuais) e Ebitda, que mais do que triplicou, totalizando R$ 496,1 milhões. Todos os números ficaram acima das estimativas do consenso Bloomberg. Os ganhos, entretanto, não derivaram de uma receita proporcionalmente maior, mas de um “conjunto de medidas de eficiência operacional e com o crescimento do marketplace, que apoia os ganhos de margem bruta no período”, de acordo com Roberto Bellissimo, CFO do Magazine Luiza, em entrevista ao EXAME IN.

A primeira linha do balanço ficou praticamente estável na comparação anual, crescendo 2% e totalizando R$ 14,2 bilhões no período. Isso em um trimestre no qual a companhia agregou 116 mil vendedores no próprio marketplace, em comparação com o período encerrado em setembro de 2021. Diante desse aparente descasamento entre oferta e demanda, Bellissimo afirma, com base em dados da consultoria Neotrust, especializada em varejo, que o setor como um todo encolheu 11% no trimestre e que, dentro desse cenário, o crescimento da companhia reflete um aumento de 14 pontos percentuais em relação à média do nicho em que está inserida.    

Questionado a respeito do quanto o patamar atual poderia significar um “teto” de crescimento para a companhia, o executivo afirma, sem dizer números, que “o cenário macroeconômico de juros pelo menos estáveis, com perspectiva de queda, somado à redução da inflação, tende a trazer benefícios para o varejo e para a companhia no futuro”. Alguns fatores podem colaborar para que o Magalu consiga colhê-los: o aumento do market share do e-commerce e os investimentos feitos de olho em garantir mais sellers fora do eixo Rio-São Paulo, que devem trazer benefícios em logística. Isso, é claro, sem falar na Copa do Mundo, que, junto à Black Friday, deve trazer um quarto trimestre de vendas em alta para a empresa, de olho na paixão do brasileiro por futebol — e por uma TV nova para assistir aos jogos. 

Em relação ao primeiro ponto, o Magalu destaca que ganhou 3,2 pontos percentuais no marketplace em relação ao trimestre do ano anterior, superando a marca de R$ 10 bilhões em vendas. O avanço vem principalmente das novas categorias em que a varejista está inserida, como moda, esporte e beleza, que cresceram no patamar de dois dígitos. Hoje, produtos dentro dessas novas categorias representam 52% das vendas online da empresa. Hoje, o marketplace tem 236 mil novos sellers, sendo que 36 mil vieram no terceiro trimestre. “Estamos desconcentrando a localização deles dentro da plataforma para melhorar nossa oferta ao cliente local. É uma vantagem importante porque sempre vamos ter o produto em todas as cidades, onde quer que os clientes estejam”, diz Bellissimo.

O crescimento de novos vendedores é impulsionado pela atuação nas lojas físicas e pela Caravana Magalu. Para melhor atender a esse público, a empresa lança, no trimestre, o serviço de fulfillment — guardar os produtos de terceiros no CD do Magalu — algo que visa, mais do que uma nova linha de receita, se tornar uma fonte de otimização de prazos de entrega e dos serviços de logística da companhia. Hoje, 500 vendedores do marketplace já usam o novo serviço.

Por fim, a Copa e as vendas já aquecidas do tradicional período de alta para o varejo deve trazer efeitos positivos para a empresa. O efeito ainda não deve compensar os juros altos, mas deve trazer algum avanço em alavancagem operacional, impulsionado pelo maior número de vendas. Um efeito que, nas expectativas do executivo, deve seguir para o próximo ano. “Quando os juros começarem a cair, vamos ter dois benefícios. Vamos voltar ao patamar de prazos que tínhamos antes, e vamos gastar muito menos descontando recebível. A sensação que temos é que o pior já passou”, afirma.

É um efeito também sentido pela empresa na concessão de crédito. O Magalu tem mais de sete milhões de cartões de crédito ativos, enquanto, no ano passado, era de cinco milhões. A grande quantidade de novos clientes na base tem impulsionado a vertical, que apresentou um crescimento de 24% ano contra ano e uma carteira de crédito de R$ 20 bilhões, uma das maiores do mercado. Em relação à inadimplência, a companhia afirma ter critérios conservadores e que compartilha, com o Itaú, o score do cliente dentro do Magalu para enriquecer as análises. “É um indicador que caiu muito com os auxílios e agora está voltando ao normal”, diz Bellissimo. No trimestre, a vertical operou próximo ao breakeven e a expectativa da empresa é que, uma vez que o CDI caia, ela possa voltar ao patamar histórico de lucratividade.

 

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