Investidor global: Petrobras levanta US$ 1,5 bi em bônus de 30 anos

Subsidiária integral Petrobras Global Finance banca emissão com foco em troca de dívida

A Selic nem chegou aos 4,25% sinalizados há 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para a reunião que acontece na semana que vem, uma tentação para quem busca maior remuneração de capital, mas os investidores estrangeiros demonstram que o apetite por ativos brasileiros se mantém. É isso o que demonstra a posição dos estrangeiros no mercado secundário de ações da B3, que alcança R$ 40 bilhões no ano, e o resultado da captação da Petrobras confirmada nesta sexta-feira.

A estatal concluiu a emissão de US$ 1,5 bilhão em bônus no mercado internacional, com prazo de 30 anos, e pela menor taxa da história, 5,50%.

A operação, realizada pela subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V., registrou uma demanda mais de seis vezes superior à oferta, com participação de 426 investidores dos Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina. Há 10 dias, a estatal anunciou a captação e seu objetivo de utilizar os recursos para a recompra de até US$ 2,5 bilhões em títulos com vencimento em 2050 emitidos no mercado internacional. A intenção da companhia, anunciada em 2 de junho, é recomprar, entre outros vencimentos, os bônus que pagam juros de 6,750% e com US$ 1,467 bilhão em circulação.

Oportunidade sem impacto cambial

A operação da Petrobras abre uma janela de captação de recursos no exterior para outras empresas, no mínimo, por ajudar a balizar taxas de remuneração – e de risco – aos investidores.

Ao contrário do que é possível supor, importante lembrar que os recursos obtidos com a venda desse bônus que vencerá em 2051 não afetam o mercado de câmbio doméstico. E por duas razões: a emissão foi feita pela subsidiária da Petrobras no exterior; e o dinheiro será usado na recompra de outros papéis.

As operações da Petrobras, assim como outras exportadoras brasileiras, têm normalmente impacto no mercado cambial, como lembra Alfredo Menezes, sócio e CEO da Armor Capital. Em entrevista ao EXAME IN, esse especialista lembrou que as empresas, no primeiro trimestre, deram início a um processo de redução de caixa mantido no exterior – procedimento autorizado pela legislação.

Levantamento feito pela Armor para o EXAME IN mostrou, com base nos balanços de 10 das maiores exportadoras brasileiras no primeiro trimestre que 6 reduziram o caixa lá fora e 4 aumentaram. O saldo desses ajustes é queda de aproximadamente US$ 1,28 bilhão, ante a posição de dezembro. A redução do caixa foi de cerca de US$ 2,4 bilhões e a expansão inferior a US$ 1,2 bilhão. O caixa externo consolidado das 10 empresas listadas por Menezes era de US$ 24,27 bilhões no quarto trimestre de 2020 e de US$ 22,99 bilhões ao final de março deste ano. Por ordem alfabética, as  seguintes exportadoras foram avaliadas: Braskem, BRF, CSN, JBS, Klabin, Petrobras, PetroRio, Suzano, Usiminas e Vale.

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