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Remy Sharp
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A Granja Faria, do empresário Ricardo Faria, ultrapassou seu primeiro bilhão em 2022 e deve alcançar a marca dos R$ 2 bilhões em receita líquida já neste ano, segundo estimativa do próprio, em entrevista exclusiva ao EXAME IN. O balanço do ano passado, auditado pela KPMG, mostra uma expansão de 29,2% no faturamento líquido, para R$ 1,187 bilhão. Os números mostram, em todas as linhas, uma evolução da rentabilidade. O lucro bruto avançou 221%, para R$ 403 milhões, e o Ebitda superou R$ 470 milhões, com alta de 167,4%.

A margem bruta ficou em 34% e a Ebitda, quase encostou nos 40%. De acordo com Faria, o desempenho reflete ganho de eficiência tanto na produção, quanto na distribuição, por otimização da logística, e um preço médio bem maior. “Subiu 26% na média [o produto]”, explica ele.

O ambiente atípico de alta de preço do ovo incorpora ainda um aumento de exportação. A empresa vendeu para clientes do México, Bolívia, Emirados Árabes Unidos, Senegal e Paraguai, perfazendo faturamento de R$ 132,7 milhões – mais do que o dobro de 2021. “Em um cenário mais próximo do normal, a margem Ebitda é da ordem de 20%.”

Com novas aquisições, a Granja faria assumiu a liderança no setor e transformou Faria no Rei do Ovo. Mesmo sem deixar de lado o projeto de expansão no ano passado, a empresa aproveitou para pagar dívidas. Os compromissos financeiros, líquidos de caixa, foram reduzidos de R$ 566 milhões para R$ 502 milhões. Pouco mais de R$ 100 milhões foram amortizados.

Essa combinação de aumento do preço e da exportação, mais a amortização da dívida, permitiu que o lucro líquido da Granja Faria em 2022 aumentasse 842%, para pouco mais de R$ 170 milhões – mesmo em um cenário de taxa de juros salgada, que vem onerando o balanço de empresas de diversos setores.

Foguete não dá ré

A empresa teve início a partir de uma granja de criação de matrizes para a indústria de proteína, que Faria fundou em 2006 para atender à BRF. Enquanto consolidava essa operação, Faria seguia atento ao aumento da demanda por ovos comerciais no Brasil e no mundo. Em 2018, o empresário partiu para aquisições de granjas comerciais e inaugurou sua atuação nesse ramo. De lá para cá, tem feito aquisições e expandido a produção. Hoje, é o maior produtor de ovos comerciais com 13 milhões de aves e dono de oito marcas: a mais conhecida no sudeste é a Ares do Campo, mas existem também Marutani, Iana, Stragliotto, Asa, Ovos Prata, AlexAves e agora também a Ovos BL. Há outras 4,2 milhões de aves, mas na operação de matrizes, uma atividade que não é consolidada no balanço da Granja Faria.

No agregado do empresário, a receita de ambos os negócios somados chegou a R$ 1,274 bilhão, com Ebitda de R$ 524 milhões. A produção de ovos galados, como são chamados os fecundados, tem uma rentabilidade operacional da ordem de 50%, bastante superior ao segmento comercial, mas com demanda muito menor.

“Os números mostram que nossa estratégia de aquisição de marcas regionais é acertada. O segmento de ovo depende muito da confiança do consumidor, o que torna a introdução de novas marcas desafiadora. Para entrar em uma nova praça, onde é desconhecido, você precisa ter o menor preço, ao menos por alguns anos, ainda que você tenha o melhor produto”, explica.

A maioria das bandeiras adquiridas por Faria tem várias décadas de operação. Como a Stragliotto, forte na região Sul, com 60 anos idade, ou a Marutani, fundada em 1955. No Brasil, trata-se de um mercado muito pulverizado. Logo em seguida da Granja Faria, em uma disputa quase corpo a corpo, a segunda maior produtora é a Mantiqueira, que recentemente adquiriu a Fazenda da Toca, de produção de ovos orgânicos, criada pelo filho do empresário Abilio Diniz, Pedro Paulo Diniz.

Na receita de Faria, outro segredo da capacidade de execução é permitir que marcas que atuem nas mesmas praças concorram entre elas. Na opinião dele, o resultado é mais eficiente do que uma negociação grande de um grande fornecedor. Essa sinergia fica para a logística. Da produção do empresário, apenas 1 milhão de aves são criadas livres de gaiola, na bandeira Ares do Campo, e não há produção orgânica. Ele acredita que no Brasil, por enquanto, são segmentos de nicho, para uma população de renda mais alta e que pode pagar pelo produto, que tem custo mais elevado.

A expectativa de quase dobrar o faturamento líquido deste ano é resultado de investimentos para um aumento orgânico total de capacidade de quase mais 1 milhão de aves (400 mil no Tocantins, mais 400 mil em Minas Gerais e outros 150 mil no Rio Grande do Sul) e aquisições, claro. O exercício de 2023 será um ano completo com adição das aquisições Alex Alves e Ovos BL. Tudo isso somado traz um incremento de 4 milhões de aves à Granja Faria para o consolidado do ano (incluindo a expansão orgânica de capacidade).

Questionado sobre novas aquisições, Faria não revela detalhes, mas tudo indica que vem mais pela frente. “A consolidação nesse ramo está só começando”, afirma ele. Para completar o quadro dos indícios de que o plano do empresário ainda vai longe, é preciso pontuar que a Granja Faria obteve recentemente registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), porém não listada, ou seja, como Categoria B.

Terras

Agrônomo de formação, mas que se desviou temporariamente de seu sonho como dono de Lavanderia Industrial, Faria não é apenas o Rei do Ovo. Em 2021, ele investiu R$ 1,8 bilhão na compra da Insolo, com atuação concentrada na região do Matopi (Mato Grosso, Tocantins e Piauí). Junto com a Terrus, negócio que detinha desde 2020, as duas passaram a ter um total de 120 mil hectares de terras agricultáveis na época e Faria se tornou o maior proprietário individual de terra produtiva do Brasil. Isso porque as líderes do segmento são ou companhia aberta de capital pulverizado, sociedades ou cooperativas.

No ano safra de 2023’24, Ricardo Faria já acumulará uma expansão de 50%, pois vai plantar o equivalente a 180 mil hectares, entre soja e milho, após novas aquisições realizadas de lá para cá./grifar]

Diferentemente do que no segmento de ovos, aqui o interesse de Faria por aquisições está neste momento aplacado, segundo ele. Isso porque a relação entre o preço da terra e do grão não está favorável para movimentos desse tipo. Mais à frente, contudo, é possível que o esforço de crescimento por consolidação seja retomado, se voltar a ter sentido econômico.

Nessa próxima safra, 25 mil hectares serão cultivados com adubos biológicos, em substituição ao químico. A área é praticamente o dobro do total de quando fez a aquisição da Insolo. “Agora é momento de pensar em iniciativas que agreguem valor à terra”, diz ele. Neste momento, Faria avalia a produção de biocombustíveis a partir de soja e milho. O assunto ainda está em estudo e não há uma decisão, mas é uma possibilidade. Além disso, como já planejava desde o início, está preparando a região para a produção de algodão e acredita que será possível iniciar o plantio dentro de dois a três anos.

Outras formas de agregar valor a ambos os negócios, na visão de Faria, é o investimento em tecnologia 4G e 5G e o cuidado com a governança, para implementar uma gestão moderna, preocupada, entre outras questões, com a igualdade de oportunidades. Na Granja Faria, 27% da força de trabalho é composta por mulheres e na Insolo esse percentual alcança 35%. No escritório em Alphaville, onde os times dos dois negócios convivem na parte administrativa, a divisão é 50%/50%.

 

Ricardo Faria e times da Granja Faria e da Insolo

Granja Faria e Insolo: times no escritório de Alphaville, com Ricardo Faria ao centro (de azul) (Granja Faria/Insolo/Divulgação)

 

 

 

Relembre o episódio do Talk Show EXAME IN com o empresário Ricardo Faria:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Créditos

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