Exame logo 55 anos
Remy Sharp
Acompanhe:

Uma gestora que nasceu como clube de investimentos no exterior e que, agora, vai chegar à pessoa física. Assim pode ser resumida a trajetória da Arbor Capital, fundada há dez anos por Leonardo Otero e João Victor Valladares, jovens executivos com experiência no mercado financeiro que decidiram empreender. De 2014 a 2020, focaram principalmente em investimentos de família e amigos, reunindo R$ 40 milhões sob gestão, e, há dois anos, decidiram acelerar o negócio de vez. Em 2020, abriram o primeiro fundo e o montante passou para R$ 300 milhões. Agora, devem dobrar de tamanho com mais um fundo, o primeiro aberto a investidores pessoa física, que deve captar R$ 250 milhões. Em 2024, o plano é chegar aos R$ 700 milhões. 

São planos que vêm em um momento de expectativa de retomada para a indústria. Depois de um primeiro semestre recorde em resgates de fundos desde o início da série histórica, em 2002, gestores esperam um segundo semestre mais positivo, na esteira das projeções de redução da Selic. Mesmo em meio ao momento mais amargo para o setor deste início de ano, a maior rentabilidade acumulada nos primeiros seis meses do ano veio de ações no exterior, com um retorno de 11,8%.

É nesse cenário que a gestora disponibiliza ao mercado o primeiro fundo aberto à pessoa física, formado principalmente por ações no exterior. Com cotas de R$ 1.000,00, a tese é investir em papéis que apresentem uma tese de longo prazo e retorno consistente. Em resumo, o mesmo racional usado pela empresa para avançar até aqui. "Desde o início, estamos focados no exterior. A literatura é toda norte-americana, os principais investidores do mundo são de fora do Brasil. Sempre avaliamos que fazia todo sentido e, com isso, conseguimos entregar um retorno tão alto", diz Leonardo Otero, co-fundador da Arbor Capital, ao EXAME IN.

Em uma análise das ações brasileiras feita pela gestora, considerando os últimos 15 anos (com uma TIR nominal calculada em dólar) e 87 papéis, que respondem por 98% do market cap da B3, a gestora aponta que 31% das empresas tiveram retorno real zero ou negativo, 64% tiveram retorno abaixo do juro real e 84% perderam do custo de capital, definido pela gestora como 10% ao ano. "As estatísticas das ações brasileiras são muito desfavoráveis", diz o relatório.

Traduzindo esse cenário em rentabilidade,  a Arbor mostrou a investidores em uma apresentação recente um retorno bruto trimestral de 17,2%, acima tanto do Ibovespa quanto de alguns dos principais índices estrangeiros (Nasdaq, S&P 500 e MSCI World). Em relação aos primeiros seis meses do ano, a história se repete, com 33,5% de retorno bruto, também acima dos demais -- em ambos os casos, não foi considerada a variação cambial. 

Ampliando o horizonte, nos últimos sete anos (também sob a mesma premissa), a gestora entregou um retorno de 32% ao ano. De acordo com os dados apresentados pela Arbor, o MSCI World entregou 11% no mesmo período, o S&P 500, 13%, Nasdaq, 20%, Ibovespa, 23%, CDI, 8% e IPCA+6%, 11%.

O foco da gestora, em linhas gerais, é o de entregar um retorno de CDI+10% anualmente. A estratégia para isso está baseada nos pilares de Qualidade, Crescimento, Valor e Gestão de Risco, em uma abordagem fundamentalista para setores de alta rentabilidade e que tendem a obter a concentração de mercado. Hoje, todos os sócios da Arbor (são seis) investem a maior parte de seu patrimônio nos mesmos veículos dos cotistas.

A maior parte da alocação está na América do Norte, com pouca exposição (cerca de 10% do montante sob gestão) em América Latina e uma parte ainda menor na Ásia. Os principais setores de investimento são o de tecnologia, com ênfase para software, seguido por serviços financeiros, publicidade e propaganda, mídia e entretenimento e semicondutores. Cerca de 45% do patrimônio líquido está alocado em Amazon, Microsoft, S&P Global, TSMC e Visa. O lucro por ação desse combo, projetado para os próximos cinco anos, é de 15%.

Em relação ao cenário mais imediato, descrito por vezes como um 'rali' na esteira da inflação menor nos Estados Unidos, a visão da Arbor é a de que o mercado está corrigindo a queda do ano passado. "Estamos longe de um cenário de euforia. A maior parte das ações ainda não voltou ao preço que atingiu em 2021. Então, sem dúvida estamos no campo construtivo. Não descartamos a chance de recessão, mas estamos mais preocupados com o resultado que as empresas vão apresentar", diz Otero.

Ao mesmo tempo em que acompanha o cenário nos Estados Unidos, a Arbor mantém uma pequena posição na América Latina (formada principalmente por Brasil). Cerca de 10% do patrimônio líquido está investido aqui. Os principais papéis são a PetroRio, que multiplicou o retorno em mais de 100 vezes, segundo a gestora, e o Banco Inter.

"A gente acredita que o banco está sendo punido de forma injusta pelo mercado. A empresa seguiu uma estratégia de crescimento de clientes acelerada. Na nossa opinião, acertada. Não está no seu melhor momento de rentabilidade, mas acreditamos muito no banco sem agência", diz Otero.

De olho em uma agenda de rápido crescimento, a meta da gestora é atingir R$ 700 milhões sob gestão até o fim do ano que vem. Nesse caminho, a Arbor vai abrir fundos para fundações e outros dedicados ao público institucional. "É uma agenda para a qual estamos animados e temos várias conversas muito boas", diz o sócio.

Créditos

Últimas Notícias

ver mais
Nearshoring e ociosidade: As palavras-chave na maior aquisição da WEG
Exame IN

Nearshoring e ociosidade: As palavras-chave na maior aquisição da WEG

Há 10 horas
O Lazard colocou startups e VCs no divã – e está otimista com o Brasil
Exame IN

O Lazard colocou startups e VCs no divã – e está otimista com o Brasil

Há 13 horas
Startup antiburocracia, Docket amplia atuação além do jurídico
Exame IN

Startup antiburocracia, Docket amplia atuação além do jurídico

Há 17 horas
Oncoclínicas dobra aposta em sua cidade natal
Exame IN

Oncoclínicas dobra aposta em sua cidade natal

Há um dia
icon

Branded contents

ver mais

Conteúdos de marca produzidos pelo time de EXAME Solutions

Exame.com

Acompanhe as últimas notícias e atualizações, aqui na Exame.

leia mais