Governo de Portugal salva TAP mas gera perda de curto prazo na Azul

Companhia de Neeleman perderá direito de conversão de bonds adquiridos em 2016, mas chances de recebimento do crédito aumentam

O pacote do governo português de ajuda à companhia área TAP, no valor de 1,2 bilhão de euros, terá impacto na Azul aqui no Brasil. A companhia aérea brasileira, fundada por David Neeleman, tem uma participação indireta de 6% na empresa portuguesa, desde o segundo trimestre de 2019, e também é credora da empresa, após a aquisição, há quatro anos, por 90 milhões de dólares de um bond conversível em ações com vencimento em 2026. Essa dívida daria direito, dentro de seis anos, a uma participação econômica de 41,25% na TAP.

O pacote deve gerar no ajuste negativo no balanço da Azul, pois o governo de Portugal solicitou à aérea brasileira que não converta os títulos em ações. Pelo acordo firmado, os papéis serão carregados até o vencimento, para ser pagos como uma dívida simples e deixarão de se transformar em uma posição acionária. A Azul deve divulgar fato relevante sobre isso ainda hoje, após fechamento do mercado.

Assim, a Azul terá de retirar do balanço o valor futuro da conversão em ações — mais um impacto negativo no balanço, após a perda de 618,5 milhões de reais lançadas no resultado do primeiro trimestre. Ao fim de março, os bonds da TAP estavam registrados por 937,2 milhões de reais no balanço da empresa brasileira. Entretanto, a Azul alertava que o valor de face dos papéis mais os juros, ou seja, o crédito puro e simples, era equivalente a 668,5 milhões de reais — a diferença era o prêmio de conversão calculado pela Azul (268,7 milhões de reais naquele momento).

Apesar do impacto imediato negativo no balanço, a expectativa é que o auxílio do governo à TAP dê mais segurança à perspectiva de recebimento do crédito integralmente. Conforme o EXAME In apurou, ainda é cedo para estimar qual o valor do ajuste, pois para registro no balanço dependerá também do cálculo líquido do efeito cambial. Consultada, a Azul não comentou o assunto.

O governo português também comprará a fatia na TAP detida pelo consórcio que a Azul faz parte, o Atlantic Gateway. O total do consórcio será adquirido por 55 milhões de euros, dos quais cerca de 10 milhões de euros são da empresa de Neeleman. Essa parte do acerto referente à companhia portuguesa terá um efeito mínimo no balanço da Azul.

Por enquanto, a parceria comercial entre TAP e Azul segue vigorando. Ainda não está definido o que será feito dela. A companhia portuguesa também subarrenda 15 aeronaves da Azul, que tinha um saldo a receber de 345 milhões pelos contratos até o fim dos acordos. Os contratos de arrendamento de aviões estão suspensos no mundo. E ainda não se sabe qual será o destino final desses acordos na vida pós-pandemia.

Ao fim de março, a Azul tinha pouco mais de 23 bilhões de reais em dívida, sendo 16 bilhões de reais em compromissos com arrendamentos de aviões. A posição de caixa da empresa, descontados os ativos ligados à TAP que não são líquidos, somava pouco mais de 1,2 bilhão de reais.

A companhia deve lançar a mercado, nas próximas semanas, a oferta pública em busca de reforço de caixa para aproveitar o pacote do BNDES às companhias aéreas, mas que está atrelado à demanda do mercado. As operações — da Azul e de outras empresas do setor que vierem a captar dentro do programa — serão constituídas 75% por títulos de dívida e 25% de direitos de subscrição em ações que, após o lançamento, poderão ser negociados separadamente.

 

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