A startup Azos quer que você dê valor à vida e gaste só R$ 5

Com R$ 13 milhões captados com investidores como Maya Capital e Kaszek, a insurtech brasileira lançou seu produto no mercado em abril

Os seguros são o novo alvo de empreendedores e investidores de startups. Depois de que empresas como Nubank e Creditas provaram que é possível conquistar espaço em setores concentrados nas mãos de players tradicionais, todos os olhos do ecossistema estão voltados para os R$ 274 bilhões que o mercado de seguros brasileiro movimenta por ano — e que ainda deve crescer muito para chegar ao patamar de economias mais maduras.

A mais nova empresa a disputar o setor é a insurtech Azos, que iniciou operações em abril deste ano com a promessa de oferecer um serviço mais barato e flexível na frente de seguro de vida. A empresa oferece apólices a partir de R$ 5 para níveis de cobertura que podem variar entre R$ 90.000 a R$ 2 milhões.

Para precificar o produto, a empresa só pede que o cliente informe a data de nascimento, o peso e altura, se fumou nos últimos 24 meses e qual valor quer de cobertura. Depois que a cotação é feita, a companhia pergunta uma série de questões sobre saúde, mas não exige atestados ou exames. O processo todo demora poucos minutos e o contrato pode ser feito digitalmente ou via um corretor parceiro.

Trajetória do negócio

A empresa está sendo idealizada desde 2019 pelo trio de amigos Renato Farias (ex-diretor de operações internacionais da DogHero), Rafael Cló (ex-líder de análise de varejo da Kraft Heinz) e Bernardo Ribeiro (ex-gerente de marketing do Burger King).

A ideia para o negócio surgiu a partir de um problema que Cló teve com seu seguro de vida enquanto morava nos Estados Unidos. Com o cartão de crédito vencido, precisava trocar o método de pagamento da sua apólice, mas levou mais de dois meses, entre ligações para corretora e seguradora, até conseguir resolver o problema. Indignado, começou a pesquisar o setor e viu uma oportunidade de negócio de criar uma seguradora digital.

Em abril de 2020, o trio captou R$ 500.000 com investidores-anjo americanos e brasileiros, entre eles o fundador da insurtech americana Hippo, para poder tirar a Azos do papel. Estudando referências internacionais, os empreendedores decidiram que seria melhor não tentar ser uma seguradora logo de cara, mas sim fazer parcerias com grandes empresas do segmento para poder customizar e vender seus produtos em um formato white label.

Nos Estados Unidos, o modelo já tem alguns cases de sucesso na área de seguro de vida. A insurtech Ethos, por exemplo, usa a mesma estratégia de administrar planos das seguradoras e captou agora em maio um aporte de US$ 200 milhões que a avaliou em US$ 2 bilhões. Startups como Health IQ, Bestow e Ladder também têm ganhado espaço no segmento e chamado atenção dos fundos.

Investimentos

No caso da Azos, não foi diferente. Em outubro do ano passado, quando os sócios já tinham definido o modelo de negócios, captaram R$ 12,5 milhões em uma rodada de investimento com a Kaszek Ventures, Maya Capital, Propel e alguns outros anjos dos mercados de tecnologia e seguros.

"Desde quando fundamos a Kaszek em 2011 acreditamos no potencial de seguros na América Latina. Vemos empresas como Nubank e Creditas inovando nas finanças, mas o mercado de seguros continuou parado. Quando conhecemos os fundadores da Azos, que estudaram o mercado e tinham uma ideia clara de produto, decidimos apoiar", diz Santiago Fossatti, sócio da gestora.

O objetivo da rodada foi ter capital para contratar uma equipe de tecnologia e montar a primeira versão do produto, que foi colocada no mercado agora no primeiro semestre. “Os recursos foram usados para montar um time forte de tecnologia e firmar parcerias com resseguradora e seguradora de ponta no mercado para construir do zero novos produtos de seguro”, afirma Renato Farias.

Desafios

Apesar de a pandemia ter impulsionado um crescimento de 11,4% na venda de seguros de vida, o produto ainda é um luxo no Brasil. Segundo dados do Ibope, somente 15% da população tem algum tipo de cobertura nesse sentido. Mas há espaço para crescimento: em mercados mais maduros, como os Estados Unidos, seguro de vida é usado por 54% da população.

Para tentar conquistar o brasileiro, a Azos vai ter que investir muito em marca e educação do consumidor. Os sócios dizem que por isso mesmo não abrem mão das corretoras para vender seu produto. Diferente das americanas que apostam muito na compra self-service digital, a empresa brasileira descobriu que é preciso ter um vendedor explicando a importância do seguro de vida na ponta. "Ainda estamos incipientes nessa vertical, mas vamos desenvolver uma plataforma robusta para que os corretores possam vender nosso produto", diz Rafael Cló.

Outro desafio é a competição com outras startups. O banco digital Nubank, por exemplo, lançou em dezembro do ano passado um seguro de vida a partir de R$ 9. A diferença é que, com oito anos de operação, o Nubank já levantou mais de US$ 1 bilhão em rodadas de investimentos e hoje soma mais de 38 milhões de clientes em todas as cidades brasileiras. Não foi à toa que a fintech conquistou 90.000 contratos de seguro de vida em três meses.

Para se diferenciar, a Azos está conversando com sua primeira centena de clientes e fazendo ajustes na operação. Além disso, a empresa planeja lançar nos próximos dois meses novos produtos: um seguro para doenças graves e outro para invalidez. "Vamos permitir que o cliente contrate os três produtos de forma independente, o que não é possível hoje no mercado", diz Bernardo Ribeiro. A meta é ter, até o final do ano, as primeiras milhares de ápolices vendidas.

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