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Agropecuária brasileira deve faturar 1 trilhão de reais em 2021

Aumento do preço das commodities e avanço da produtividade no campo explicam resultado inédito

Exportações do agro no país devem bater a marca dos 120 bilhões de dólares, 20% mais do que o valor registrado em 2020

Exportações do agro no país devem bater a marca dos 120 bilhões de dólares, 20% mais do que o valor registrado em 2020 (Exame/Exame)

O produtor rural Flavio Faedo, dono da fazenda Fortaleza, no município de Rio Verde, em Goiás, deve colher uma safra recorde este ano. Vencedor do prêmio Personagem Soja Brasil, da Embrapa, em 2020, Faedo investiu, nos últimos anos, em tecnologias baseadas em insumos biológicos, fabricados a partir de micro-organismos, e novos maquinários. Atento às expectativas de crescimento do setor, que deve bater um recorde de receita este ano, ele também expandiu em 35% a área de sua propriedade, que passou a somar 6.500 hectares.

“Os investimentos em sustentabilidade, com os insumos naturais, permitem uma maior resistência das plantas frente a desafios como as mudanças climáticas e as tornam mais produtivas”, diz. Este ano, o faturamento deve alcançar cerca de 56 milhões de reais, 35% a mais do que em 2020. O crescimento pode parecer superlativo, mas é uma vitrine do resultado (ainda) mais expressivo do agro brasileiro esperado para este ano. Em 2020, o agronegócio ampliou sua participação no PIB brasileiro, que passou de 20% para 26%.

As receitas provenientes do campo deverão somar mais de 1 trilhão de reais este ano, cerca de 10% a mais do que em 2020, segundo estimativas do Ministério da Agricultura. É a primeira vez que o faturamento da agropecuá­ria atinge esse patamar, que quase triplicou em duas décadas.

A produção de soja, o carro-chefe do negócio de Faedo, deve bater um recorde, atingindo 136 milhões de toneladas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento. Somente em relação às exportações, o Brasil deverá bater a marca dos 120 bilhões de dólares — outra marca histórica —, 20% mais do que o valor registrado em 2020.

 (Arte Exame/Exame)

O desempenho do campo é resultado da combinação de novos patamares de produtividade, preços em alta no mercado internacional e aumento da produção. Isso fará aumentar a participação da agropecuária na economia brasileira.

O resultado do setor deverá representar mais de 8% do PIB do país este ano, diante de 7% no ano passado. Quando considerada toda a cadeia do agronegócio, que inclui a agroindústria e os serviços relacionados ao campo, esse percentual deve subir para 26%.

“Em média, a produtividade do agronegócio cresce 3% ao ano, com investimentos em novas tecnologias e pesquisas, em geral realizadas pelo setor público, que levam a melhores sementes e outras inovações”, diz economista José Garcia Gasques, coordenador-geral de Avaliação de Políticas e Informação da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura. "Eis algo fundamental para o crescimento do setor, que vem contando também com uma alta nos preços internacionais".

 

Com o avanço da vacinação globalmente, países como a China e os Estados Unidos reativaram o ritmo da demanda por insumos como carne, leite, ovos e grãos, usados para alimentar o gado. A consequência imediata foi o aumento do preço dos produtos, depois de uma hibernação durante a pior fase da pandemia. A cotação de alimentos como a soja subiu mais de 20% nos últimos doze meses, acompanhada pela carne bovina e o café, de acordo com dados do Banco Mundial.

Em julho, as exportações brasileiras de carne bovina, suína e de frango superaram pela primeira vez a marca de 2 bilhões de dólares, com aumento de quase 10% no volume embarcado e de 24% nos preços. “Estamos produzindo mais e melhor, o que beneficia nosso setor neste momento de aquecimento da demanda por produtos alimentares”, diz Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

 (Arte Exame/Exame)

No primeiro semestre, as vendas externas de frango somaram 2,1 milhões de toneladas, 6% a mais do que no mesmo período de 2020, batendo mais um recorde. As exportações de ovos in natura deram um salto ainda maior, atingindo um crescimento de 145% frente ao primeiro semestre do ano passado, segundo a ABPA. “Temos tudo para fechar o ano com os melhores resultados da história do setor”, diz Santin.

Desafios

As mudanças climáticas, no entanto, continuam preocupando, assim como a falta de conectividade no campo. Em relação à primeira questão, a esperança está em novos cultivares, mais resistentes às intempéries climáticas, que a Embrapa e outras entidades vêm desenvolvendo. Os insumos biológicos também representam um papel importante nesse cenário.

“Esse tipo de produto vem sendo cada vez procurado porque o produtor percebeu que, além de contribuir para a sustentabilidade, permite uma maior fixação da planta no solo”, diz Fabio Mutta, gerente técnico do Centro Tecnológico do AgroGalaxy, empresa de produção de sementes e venda de insumos agrícolas.

 (Arte Exame/Exame)

Cerca de 57% dos agricultores já empregam métodos de fertilização natural, segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey realizada neste ano — e outros 47% pretendem reportar de maneira mais eficiente o impacto ambiental no campo, de acordo com estudo da PwC. “Uma boa parte dos produtores rurais já percebeu que sem investimentos em sustentabilidade é mais difícil continuar crescendo”, diz Mauricio Moraes, líder de agronegócio da PwC.

Agro conectado

A chegada da internet em áreas rurais representa outro importante desafio. Hoje, menos de 25% do campo possui cobertura de sinal, segundo o Ministério da Agricultura. A expectativa é que o leilão do 5G, previsto para outubro, ajude a mudar essa realidade.

“No edital, está previsto que as operadoras que ganharem concessões nas capitais deverão disponibilizar, como contrapartida, o 4G em pequenas localidades”, diz Sibelle de Andrade Silva, diretora de Apoio à Inovação para Agropecuária da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura.

Nas áreas alcançadas pelo 5G, será possível operar máquinas autônomas, drones conectados a sensores que fornecem informações em tempo real sobre a incidência de pragas na lavoura e outras soluções voltadas ao aprimoramento da gestão e eficiência do agronegócio.

Em projetos piloto desenvolvidos pelo Ministério da Agricultura em conjunto com operadas como a TIM, o 5G já começa a ser testado no campo. Segundo estimativas da pasta, o PIB do agronegócio deve crescer 20% nos próximos anos com o aumento da conectividade.

Em outra frente, o uso intensivo de tecnologias consolidadas e a adoção em massa de inovações estão mudando a rotina das fazendas. Pecuaristas bovinos já utilizam largamente sensores que são colocados nas orelhas dos animais com o objetivo de medir uma série de parâmetros de saúde, como a temperatura corpórea e os batimentos cardíacos.

Nas granjas, uma tecnologia semelhante é empregada para verificar desde mudanças nos fluxos de ar que possam prejudicar as aves até o nível de ingestão diário de alimentos e água. Na agricultura, sondas instaladas no solo e ligadas a sensores captam dados como carência de nutrientes e eventuais vulnerabilidades da lavoura. “São inovações como essas que permitem o contínuo aumento de produtividade do agro brasileiro”, diz Gasques.

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