Gado barato e forte demanda nos EUA puxam receitas da Marfrig

As vendas líquidas da companhia na América do Norte deram um salto de 30%, para R$ 12,7 bilhões no primeiro trimestre fiscal, e o lucro bruto cresceu 75%

Fabiana Batista, da Bloomberg

A Marfrig Global Foods teve receita recorde impulsionada pela subsidiária americana National Beef, que está está se beneficiando pela combinação de ampla oferta de gado e recuperação da demanda por carne bovina.

A economia dos Estados Unidos se acelera com a flexibilização das restrições da pandemia e reabertura de restaurantes, o que resulta em maior consumo de carne bovina. Ao mesmo tempo, a oferta de gado nos EUA está em alta, porque a Covid-19 afetou o processamento e pecuaristas têm permitido que os animais se multipliquem no pasto.

Isso é positivo para frigoríficos como a National Beef. As vendas líquidas da Marfrig na América do Norte deram um salto de 30%, para R$ 12,7 bilhões no primeiro trimestre fiscal, e o lucro bruto cresceu 75%, para uma máxima histórica no período.

“As restrições de mobilidade já foram amenizadas nos EUA com a reabertura de restaurantes, e o consumo de carne para churrasco está aumentando”, disse Tim Klein, CEO da National Beef, quarta maior processadora de carne dos EUA. “Os preços da carne bovina estão subindo para atender a essas demandas.”

A National Beef registrou aumento das margens operacionais de 8,3% para 12%. Na segunda-feira, a Tyson Foods, maior empresa de carne dos EUA, divulgou margem recorde de 11% para a carne bovina.

“Os resultados podem continuar fortes no segundo trimestre”, disse o executivo. A National Beef respondeu por 73% da receita da Marfrig no primeiro trimestre.

Os resultados dos EUA ajudaram a compensar o desempenho mais fraco no Brasil, onde a situação é exatamente o oposto. O gado é cotado a preços recordes, e o consumo de carne pelos brasileiros é o menor em décadas. Isso tem comprimido as margens do setor.

As margens operacionais da Marfrig na América do Sul caíram 7,7 pontos percentuais, para 4,6% no primeiro trimestre, mesmo depois do aumento da produção da unidade no Uruguai em 10% e da venda de produtos mais caros, como hambúrgueres.

“Enquanto no Brasil o cenário é mais complexo, exportamos mais para a China, onde os preços aumentaram em meio à forte demanda”, disse o diretor-presidente da Marfrig, Miguel Gularte. Mesmo no Brasil, a maior oferta de gado em maio pode impulsionar o abate da empresa em 40% em relação a abril.

A Marfrig registrou lucro líquido de R$ 279 milhões no trimestre em relação ao prejuízo líquido de R$ 137 milhões há um ano. O Ebitda ajustado atingiu R$ 1,7 bilhão, superando a estimativa média de R$ 1,65 bilhão de analistas consultados pela Bloomberg. A receita também superou as estimativas.

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