Com trigo e milho próximos de paridade, foco se volta para preço de ração

Os futuros do milho acumulam alta de cerca de 25% desde o início de abril em meio ao clima seco no Brasil, o que reforçou a preocupação com a oferta global apertada

A forte alta dos preços do milho aproxima o grão até mesmo do trigo, o que aumenta a possibilidade de que mais suínos e galinhas sejam alimentados com o produto usado normalmente em panificação.

Os futuros do milho acumulam alta de cerca de 25% desde o início de abril em meio ao clima seco no Brasil, o que reforçou a preocupação com a oferta global apertada. O avanço puxou os preços de outras commodities agrícolas, mas os ganhos foram menos acentuados. Anteriormente, essa tendência resultou no atípico prêmio do milho sobre os contratos futuros do trigo duro de inverno, variedade cultivada nas planícies dos EUA e usada frequentemente em pães.

O trigo - cultivado principalmente para a alimentação de humanos - passou a ser uma opção atraente para rações devido ao alto preço do milho. Na semana passada, o Conselho Internacional de Grãos elevou a projeção para o consumo de trigo na temporada 2021-22 e reduziu a estimativa para o uso de milho. Na terça-feira, a Bunge destacou o maior uso de trigo nas fazendas da China como fator de menor demanda por farelo de soja.

“As tradings acreditam que mais e mais criadores de animais na Ásia estão usando mais trigo nas rações, o que pode aumentar o uso global de trigo”, disse o The Hightower Report em relatório.

Mais cedo, o contrato futuro mais negociado de milho subia 0,3% na quarta-feira, para US$ 6,9875 o bushel na Bolsa de Chicago. Na terça-feira, a cotação atingiu US$ 7 pela primeira vez desde 2013. Os futuros do chamado trigo duro de inverno avançavam 0,3%, para US$ 7,0125 o bushel, e o trigo macio subia 0,2%.

A oferta de produtos agrícolas segue limitada, e um indicador de commodities agrícolas é negociado na máxima de oito anos, o que aumenta as pressões inflacionárias ao redor do mundo. O clima seco prolongado no Brasil, as crescentes importações chinesas e maior uso de combustíveis renováveis encolhem os suprimentos.

A alta do milho deve continuar até pelo menos a época da colheita no final do ano, segundo a The Andersons, uma das cinco maiores tradings de grãos dos EUA. A forte seca no Brasil tem reduzido a produtividade diariamente, e a previsão é de mais estiagem. Condições iniciais favoráveis em outros países exportadores, como EUA e Ucrânia, podem oferecer certo alívio, embora a temporada de cultivo no hemisfério norte ainda tenha um longo caminho pela frente.

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