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Boom agrícola compensa investidores que apostaram em dívida ‘podre’

A combinação de fortes preços globais das commodities agrícolas e alta do dólar resultou em anos de lucros recordes para o setor, o que permitiu que agricultores liquidassem dívidas antigas

Agricultores brasileiros com caixa sobrando aproveitam a oportunidade para pagar empréstimos antigos, recompensando investidores que assumiram dívidas inadimplentes em tempos mais difíceis.

A combinação de fortes preços globais das commodities agrícolas e alta do dólar resultou em anos de lucros recordes para o setor, incluindo soja, cana-de-açúcar e suco de laranja e café.

Mesmo considerando a seca deste ano, os ganhos deixaram agricultores em melhor posição para pagar empréstimos pendentes que fornecedores venderam a empresas financeiras. No caso da NPL Brasil, o valor dos acordos de pagamento com agricultores quase triplicou nos primeiros oito meses de 2021, depois do ganho de 150% no ano passado.

“Isso certamente mostra mais liquidez no setor agrícola depois de muitas safras rentáveis”, disse o diretor-presidente da NPL Brasil, Christian Ramos, em entrevista. A inteligência artificial também ajudou a rastrear pagamentos inadimplentes, às vezes de décadas atrás, disse.

Com a ajuda da forte demanda da China, o Brasil se tornou uma potência agrícola. A produção de soja, por exemplo, cresceu mais de 40% nos últimos cinco anos. Com o preço internacional da oleaginosa em alta de cerca de 30% nos últimos 12 meses, a rentabilidade do setor agrícola será a maior em pelo menos cinco anos, mesmo com o aumento dos custos, segundo a Agroconsult.

Embora a seca e as geadas tenham afetado a última colheita de milho, a soja foi menos atingida e as safras anteriores tiveram um clima favorável.

Dos R$ 5,5 bilhões em créditos inadimplentes administrados pela NPL, cerca de 80% são provenientes da agricultura, principalmente de carteiras que antes pertenciam a empresas agroquímicas, de sementes e de máquinas.

Empresas que assumiram dívidas por 5% a 10% do valor de face agora recebem de 20% a 30%, compensando as longas esperas para o pagamento e o risco de não receberem nada, de acordo com Jonatas Couri, sócio da Leaf Capital, que administra um fundo de dívidas inadimplentes de R$ 340 milhões.

“Para os devedores, é uma oportunidade única de limpar o nome com um bom desconto”, disse Couri.

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