Com o fracasso de Kylie, o mundo das celebridades derrete na pandemia

Enquanto o mundo procura formas de lidar com a pandemia, celebridades estão tentando salvar sua própria imagem

Kylie Jenner mentiu sobre os lucros de sua empresa. Gabriela Pugliesi fez uma festinha para amigos em meio à pandemia do novo coronavírus. Ellen DeGeneres afirmou que “o distanciamento social é como uma prisão”. Madonna, direto de sua banheira com pétalas de rosas, afirmou que a doença “afeta a todos da mesma maneira” independente de fatores como classe social. Com uma crise de saúde pública acontecendo globalmente, o mundo das celebridades ultraricas (dentro e fora do Instagram) parece ter derretido.

Nesta sexta-feira (29), a Forbes expôs que todos os lucros apontados pela caçula do clã Kardashian-Jenner foram alterados para que ela parecesse ainda mais rica do que realmente é. Jenner, que neste ano ficou na lista de bilionários da revista e foi considera a bilionária mais nova, por ter apenas 22 anos, na realidade tem um pouco menos do que os 1 bilhão que eram atribuídos à ela. O pior não foi isso: Jenner provavelmente entregou “declarações fiscais forjadas”. A matéria ainda diz que “mentiras brancas são esperadas da família que criou e monetizou o conceito de ser famoso por ser famoso”. Na tarde de hoje, o nome dela foi parar na lista dos assuntos mais comentados no Twitter.

Mas não foram só as mentiras que prejudicaram Jenner durante a pandemia. Uma estimativa da ferramenta Hopper HQ apontou que ela faturava US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6,5 milhões na cotação atual) por post em seu perfil no Instagram. Não se sabe se Kylie continuará faturando grandes quantias com publicidade na rede social. Desde a aplicação do lockdown na Califórnia, estado onde mora, a jovem não fez mais nenhuma parceria.

Pugliesi, por sua vez, deletou o perfil no Instagram. Erasmo Viana, o marido dela, fez o mesmo. Antes da exclusão, 150 mil pessoas já tinham deixado de segui-la e seu nome era um dos assuntos mais comentados no Twitter. O evento, que foi contra as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), fez com que a influenciadora perdesse patrocínios, como o da Rappi e da LivUp.

Além das blogueiras, grandes personalidades do mundo do entretenimento também não escaparam de deixar suas opiniões controversas sobre a pandemia. Em março, a atriz Vanessa Hudgens comentou em seu perfil no Instagram que as mortes causadas pelo coronavírus eram “inevitáveis”, e que a quarentena até o mês de julho era um exagero. Após muitas críticas, a atriz se desculpou pela fala e incentivou seus seguidores a permanecer em casa.

Assim como Hudgens, Madonna também está sendo criticada por seu comportamento. Uma das rainhas da música pop afirmou que o coronavírus é um “bom equalizador”. O vídeo foi apagado algum tempo depois. Em contrapartida, a cantora também doou mais de 100 mil máscaras para a cidade de Nova York.

Já a apresentadora americana Ellen DeGeneres, além de ter dito uma frase que foi criticada por muitos internautas, também tem sido alvo de críticas relacionadas à forma como trata seus funcionários em meio à pandemia. Segundo relatos de colaboradores à revista Variety, seus salários foram reduzidos e os líderes da emissora de televisão não têm entrado em contato para saber como eles têm lidado com a pandemia. Por ano, DeGeneres, que é uma das apresentadoras mais bem pagas do mundo, fatura US$ 50 milhões e está fazendo o distanciamento social em sua mansão.

O comportamento das pessoas nas redes sociais mostra que elas, cada vez mais, estão de olho nas ações dos influencers e celebridades durante a quarentena. E, nesse mundo onde a mídia é o mais relevante, perder seguidores é o suficiente para ver sua fortuna diminuindo e seu trabalho menosprezado ou “cancelado”, termo usado geralmente na internet — o que desencadeia uma possível crise de imagem, às vezes irreparável.

O outro lado da moeda

Se algumas celebridades estão vendo sua fama, fortuna e seus números de seguidores despencar, outras têm recebido constantes elogios na internet ao realizarem doações milionárias para o combate ao coronavírus.

A cantora Beyoncé, por meio da BeyGOOD (iniciativa voltada para ajudar em casos de pobreza, educação, desemprego, desastres naturais e vulnerabilidade), e em parceria com a sua mãe, Tina Knowles-Lawson, criou a campanha #IDIDMYPART (“eu fiz minha parte”, em tradução literal), voltada para fazer testes em pretos e pardos em Houston, no Texas, Estados Unidos. O produtor Tyler Perry já se comprometeu em começar a levar testes para comunidades mais vulneráveis em Atlanta, a atriz Octavia Spencer a espalhar a iniciativa pelo estado do Mississipi e o ex-jogador de basquete Magic Johnson e sua esposa, Cookie, ficarão responsáveis pelos testes em Detroit.

Ariana Grande, cantora de pop que está em alta nos últimos anos, utilizou sua influência para divulgar instituições de apoio ao novo coronavírus. Projetos como The Bail Project e Fund for Families são alguns dos apoiados pela cantora, e sua divulgação ajudou a angariar mais doações para as famílias necessitadas.

Também do mundo da música, Elton John – que utiliza seus recursos para ajudar na luta contra a Aids desde 1992 – também se comprometeu a ajudar comunidades necessitadas durante a pandemia. O cantor, por meio de sua fundação, organizou um fundo de emergência de US$ 1 bilhão, que é direcionado para minimizar os efeitos da pandemia em instituições parceiras de tratamento de Aids.

Segundo o jornal britânico Daily Mail, a banda irlandesa U2 doou cerca de 56 milhões de reais para trabalhadores irlandeses, a fim de ajudar no combate à covid-19.

Para 48% dos jovens, as marcas precisam servir de exemplo e guiar as mudanças durante a pandemia, segundo a pesquisa Barômetro Kantar covid-19. A atitude das celebridades e influencers também deve contar (e muito) na hora de consumir seus conteúdos.

Apoie a Exame, por favor desabilite seu Adblock.