Após anos de frustrações esportivas e administrativas, a franquia do Los Angeles Angels passa para o controle do conglomerado Kroenke Sports & Entertainment.
Redator na Exame
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 20h07.
O mercado esportivo norte-americano acaba de registrar uma de suas movimentações financeiras mais agressivas da década. Em um anúncio que pegou a indústria do beisebol de surpresa nesta terça-feira, o veterano proprietário Arte Moreno oficializou a venda de sua participação majoritária no Los Angeles Angels para o bilionário Stan Kroenke. A transação foi fechada por US$ 4 bilhões (R$ 20,5 bilhões), estabelecendo um novo recorde para a venda de uma franquia na Major League Baseball (MLB), segundo o Yahoo Sports.
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A cifra bilionária supera rapidamente a marca que havia sido estabelecida no início deste mesmo mês, quando o San Diego Padres foi adquirido pela dupla de investidores José E. Feliciano e Kwanza Jones por US$ 3,9 bilhões (R$ 19,9 bilhões). Com a aquisição dos Angels através de seu conglomerado, a Kroenke Sports & Entertainment, Stan Kroenke não apenas expande seu império esportivo, mas também assume o posto de proprietário mais rico de todo o beisebol, ultrapassando o patrimônio estimado de Steve Cohen, dono do New York Mets.
A chegada de Kroenke a Anaheim representa uma injeção de esperança corporativa para uma franquia que pedia socorro. O portfólio do bilionário é reconhecido no ecossistema de Sports Business por sua altíssima taxa de conversão em títulos.
Atualmente, ele é o proprietário do Los Angeles Rams (NFL), Denver Nuggets (NBA), Colorado Avalanche (NHL), Colorado Rapids (MLS), Colorado Mammoth (NLL) e do tradicional Arsenal, da Premier League.
Para a equipe da Califórnia, essa mudança de comando tem um impacto imediato. Desde que Arte Moreno comprou o time em 2003 — logo após o título da World Series de 2002 —, a trajetória da equipe foi marcada por uma montanha-russa que terminou em queda livre. Se nos primeiros sete anos sob a tutela de Moreno a franquia figurou entre as melhores da Liga Americana, com cinco aparições na pós-temporada, a partir de 2010 a operação mergulhou em uma profunda crise estrutural e esportiva.
De acordo com o Yahoo Sports, a gestão de Arte Moreno na última década tornou-se um estudo de caso de ineficiência dentro da liga. Desde 2010, os Angels chegaram aos playoffs apenas uma vez (sendo varridos pelo Kansas City Royals em 2014) e se transformaram em uma vitrine de péssimas decisões de negócios. Enquanto o rival local, o Los Angeles Dodgers, consolidava-se como uma marca esportiva global e uma potência comercial, os Angels despencaram da categoria de coadjuvantes para a total irrelevância de mercado.
Nos bastidores, as falhas estruturais foram expostas de forma impiedosa. O estádio da equipe sofreu com a falta de modernização, e a infraestrutura de inteligência e analytics — hoje o coração de qualquer franquia competitiva da MLB — ficou defasada em relação aos padrões de mercado. A folha salarial da equipe foi engessada por contratos inflacionados e sem retorno esportivo na agência livre, como os polêmicos acordos de Albert Pujols, Josh Hamilton e Anthony Rendon, que comprometeram severamente o fluxo de caixa do time para montagens de elencos competitivos.
A falta de continuidade na gestão de talentos esportivos é evidenciada pela rotação impressionante na folha de pagamento executiva: foram quatro gerentes gerais desde 2011 e cinco treinadores principais apenas desde 2019.
A franquia teve o raro privilégio de contar simultaneamente com dois dos maiores jogadores da história do esporte: Mike Trout e Shohei Ohtani. A dupla atuou junta por seis temporadas (de 2018 a 2023) sem jamais pisar em um jogo de playoff, uma falha sistêmica que gerou revolta entre torcedores e perplexidade no mercado.
Com a aproximação do término do atual Acordo de Negociação Coletiva (CBA) da liga, em dezembro, uma das principais críticas no beisebol tem sido a falta de comprometimento financeiro de alguns proprietários. A chegada de Stan Kroenke e seus US$ 4 bilhões (R$ 20,5 bilhões) a Anaheim muda essa narrativa. Para uma base de fãs que passou os últimos 15 anos presa em capítulos sombrios de má gestão, o "milagre" corporativo finalmente aconteceu.