Trump e Infantino: parceria entre governo norte-americano e Fifa gerou polêmica (Christopher Neundorf/EFE)
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Publicado em 11 de agosto de 2026 às 09h56.
Donald Trump decidiu entrar diretamente na crise que envolve Gianni Infantino e a presidência da Fifa. O presidente dos Estados Unidos saiu em defesa do dirigente e afirmou que seria um “erro terrível” substituí-lo no comando da entidade máxima do futebol mundial.
A manifestação aconteceu na noite de segunda-feira, 10, por meio de uma publicação na rede Truth Social. Trump não apenas declarou apoio a Infantino, como também associou uma eventual saída do dirigente ao futuro comercial da Copa do Mundo.
Segundo o presidente norte-americano, caso Infantino deixe a presidência da Fifa, o torneio “nunca mais será tão bem-sucedido ou lucrativo”.
O respaldo de Trump acontece justamente no momento em que Infantino enfrenta uma das maiores crises de sua gestão. O dirigente foi responsável por impulsionar uma proposta que pretendia alterar a estrutura comercial da Copa do Mundo e permitir a entrada de investidores privados no negócio.
A ideia previa a criação de uma empresa subsidiária responsável pela administração do torneio. Dentro desse modelo, investidores poderiam adquirir participações de até 20% na companhia derivada, abrindo uma nova frente de exploração comercial para a Fifa.
O projeto, porém, encontrou resistência em diferentes setores do futebol e acabou sendo abandonado. Diante da reação negativa, Infantino chegou a pedir desculpas pelo episódio.
A tentativa fracassada colocou em xeque a condução do presidente da Fifa e provocou uma reação coordenada de algumas das principais confederações continentais.
União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e Confederação Asiática de Futebol (AFC) divulgaram uma carta conjunta com críticas duras ao dirigente. As entidades afirmaram que a proposta representou uma quebra de confiança entre a FIFA e as organizações que integram a estrutura do futebol internacional.
Na avaliação das confederações, o problema não teria sido apenas a forma como o projeto foi conduzido. Elas classificaram a iniciativa como uma falha de julgamento mais profunda e acusaram Infantino de agir acima das instituições que lhe concederam autoridade.
A pressão, portanto, passou a ultrapassar a discussão sobre o modelo comercial da Copa do Mundo e chegou ao próprio futuro de Infantino à frente da Fifa.
Apesar da pressão, Infantino ainda conta com aliados importantes dentro do futebol mundial. Argentina, México e Catar estão entre as federações nacionais que manifestaram publicamente apoio à continuidade do dirigente.
O cenário, portanto, está longe de representar uma oposição unânime à atual administração da Fifa.
A defesa mais contundente, porém, veio de Trump. A declaração do presidente dos Estados Unidos reforça uma relação que já vinha sendo acompanhada de perto durante a Copa do Mundo de 2026, disputada em território norte-americano, além de Canadá e México.
A proximidade entre os dois líderes foi um dos elementos que chamaram atenção durante o Mundial. Agora, voltou ao centro das discussões justamente no momento em que Infantino enfrenta questionamentos sobre sua gestão.
O episódio também ganhou uma conexão adicional com o ambiente político e empresarial ligado a Trump. O plano de abertura da estrutura comercial da Copa contou com o apoio da Thrive Capital, empresa comandada por Joshua Kushner. Ele é irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano.
Enquanto as confederações pressionam por respostas e parte do futebol questiona a condução de Infantino, Trump decidiu deixar claro de que lado está. Para o presidente dos Estados Unidos, a permanência do dirigente é fundamental para manter o peso comercial que a Copa do Mundo alcançou sob sua gestão.