Dinheiro da Ticketmaster ajudará o São Paulo a pagar dívidas com o elenco. (Miguel Schincariol/Getty Images) (Miguel Schincariol/Getty Images)
Redator na Exame
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 16h54.
RESUMO | O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou por ampla maioria o contrato de cinco anos com a Ticketmaster, que assumirá a gestão de ingressos do Morumbis e do programa de sócio-torcedor em uma operação financeira totalizada em R$ 140 milhões.
O São Paulo deu um passo fundamental para amenizar sua grave crise financeira de fluxo de caixa. O Conselho Deliberativo do clube aprovou nesta quarta-feira, 30, por 184 votos a 44, o contrato de parceria com a Ticketmaster. Com o aval dos conselheiros, a nova empresa assumirá a gestão integral das vendas de ingressos para os jogos no Morumbis e o comando do programa de sócio-torcedor, injetando um total de R$ 140 milhões nos cofres tricolores.
A votação, que mobilizou a diretoria nas últimas semanas, teve como ponto decisivo a redução da multa rescisória contratual de R$ 25 milhões para R$ 14 milhões. O clube tratava a aprovação como prioridade absoluta, utilizando o acordo para justificar e viabilizar a regularização dos pagamentos de direitos de imagem e salários atrasados do elenco profissional.
O montante de R$ 140 milhões negociado no contrato de cinco anos divide-se em duas frentes principais:
Adicionalmente, o pacote prevê um repasse de R$ 6 milhões destinados especificamente à reforma do Museu São Paulo. Na parte operacional, a nova gestora cobrará uma taxa de administração de até 10% por bilhete digital (8% para entradas físicas), além de 8% de taxa no plano de sócio-torcedor — substituindo a antiga parceira Feng, com quem o clube precisará rescindir o vínculo pagando cerca de R$ 3,7 milhões.
O São Paulo chegou nesta quarta-feira, 30, ao último dia do prazo estabelecido pela diretoria para a quitação dos direitos de imagem atrasados devidos aos jogadores do plantel profissional. A promessa de pagamento havia sido firmada no início do mês pelo presidente Harry Massis e pelo diretor financeiro Sérgio Pimenta. No total, o clube acumula quatro meses de atraso nessa modalidade de remuneração, montante que se elevou após o vencimento da parcela de setembro na última segunda-feira.
Esta foi a segunda vez que a gestão estipulou uma data limite para regularizar os débitos sem conseguir cumprir o cronograma inicial — em julho, a promessa era quitar os valores até o início de agosto. Apesar dos sucessivos adiamentos, os atletas vinham demonstrando compreensão com o delicado momento de fluxo de caixa do clube, chegando inclusive a articular um "pacto" interno de solidariedade entre os líderes do vestiário para apoiar companheiros que enfrentassem maiores dificuldades financeiras.
O contrato movimenta R$ 140 milhões no total, divididos entre empréstimo e exploração de camarote.
O valor é um empréstimo que será repassado ao clube em até 45 dias após a assinatura e devolvido à empresa com juros de CDI + 1,99%, limitado a um desconto máximo de R$ 1,8 milhão por mês na renda de bilheteria.
A empresa assumirá a gestão da venda de ingressos para os jogos no Morumbis e a administração completa do programa de sócio-torcedor.
A parceria foi firmada pelo período de cinco anos.
A diretoria utilizou a entrada imediata de recursos da parceria para equacionar dívidas com o elenco, incluindo salários e direitos de imagem que estavam em atraso.