O goleiro Vozinha em ação pela seleção de Cabo Verde durante a Copa do Mundo. (ROBERTO SCHMIDT/AFP) (ROBERTO SCHMIDT/AFP)
Redator na Exame
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 18h37.
RESUMO | O goleiro Vozinha, sensação de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026, revelou em entrevista que enfrenta dificuldades com a fama repentina e que preferiria retomar a privacidade de sua vida anterior.
A surpreendente campanha da seleção de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 colocou o goleiro Vozinha no centro das atenções do futebol internacional, mas o sucesso esportivo trouxe drásticas mudanças para a sua vida pessoal.
Aos 40 anos, o jogador — que antes do torneio era um atleta relativamente desconhecido defendendo o modesto Chaves, de Portugal — viu sua rotina ser completamente transformada após se destacar mundialmente na fase de grupos do torneio, acumulando feitos históricos e uma transferência para o futebol chileno para defender o Colo-Colo.
A guinada na carreira do atleta começou a ganhar proporções gigantescas logo na estreia cabo-verdiana no Mundial, quando segurou o zero no placar em um empate contra a Espanha, realizando defesas cruciais que pararam a seleção que viria a conquistar o título.
Com o impacto global da atuação, o número de seguidores do goleiro em sua conta no Instagram saltou de cerca de 50 mil para impressionantes 28,4 milhões. O reconhecimento internacional também rendeu honrarias, incluindo uma indicação entre os finalistas ao prêmio de melhor goleiro do ano na Bola de Ouro e até mesmo a homenagem de ter uma nova espécie de molusco marinho batizada com seu nome.
Apesar das conquistas profissionais e da valorização no mercado, Vozinha admitiu publicamente que o ônus da celebridade global tem gerado forte impacto em seu cotidiano. Em declaração concedida ao jornal The Observer, o arqueiro abriu o jogo sobre os aspectos negativos de sua nova realidade.
"Perdi minha paz e tranquilidade", afirmou Vozinha. "Não tenho mais privacidade, ou pelo menos muito menos do que costumava ter. Agora saio, vou a um restaurante e sempre há alguém que quer tirar uma foto comigo ou me pedir um autógrafo. Ou, pior, alguém está me filmando. Foi isso que mais mudou na minha vida, e acho que não há nada que eu possa fazer para mudar isso".
O atleta também pontuou que o assédio se estendeu aos seus familiares, obrigando seus pais a aprenderem a lidar com limites diante da nova exposição pública. Diante do peso da fama instantânea, o goleiro foi categórico ao avaliar sua trajetória: "Muita gente quer ser famosa e ter um perfil público, mas só vê o lado positivo dessa realidade. Para ser honesto, se me oferecessem a vida que tenho hoje ou a vida que tinha antes, eu escolheria a que tinha antes".
A repercussão em torno de Vozinha reflete a dimensão do feito histórico alcançado por Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026. Sendo o segundo menor país em termos populacionais a conseguir uma classificação para a competição global, a seleção africana surpreendeu o planeta ao avançar na fase de grupos após empates consecutivos contra Espanha, Uruguai e Arábia Saudita.
A caminhada histórica da equipe no torneio encerrou-se apenas na fase de oitavos de final (rodada de 32), quando o selecionado cabo-verdiano vendeu caro a eliminação ao levar a seleção da Argentina — que ficaria com o vice-campeonato da Copa — até a prorrogação em um duelo eletrizante.
Josimar José Évora Dias, amplamente conhecido no futebol internacional como Vozinha, nasceu em Mindelo, em São Vicente, Cabo Verde, no dia 3 de junho de 1986. Aos 40 anos, o goleiro consolidou-se como um dos atletas mais longevos e da história do futebol de seu país, alcançando projeção global após as exibições de alto nível na Copa do Mundo FIFA de 2026. Os primeiros passos de Vozinha no esporte ocorreram em clubes de base e equipes regionais de Cabo Verde, como Atlântico FC, Batuque e Mindelense — onde conquistou o título nacional de 2015. Sua transição para o futebol profissional fora do arquipélago começou no Progresso do Sambizanga, de Angola. Posteriormente, o goleiro acumulou passagens por ligas na Europa e na Ásia, defendendo o Zimbru Chișinău (Moldávia), o AS Trenčín (Eslováquia) e equipes em Portugal, como o Gil Vicente e o Chaves.
O período mais longevo e marcante de sua carreira de clubes aconteceu no Chipre, onde vestiu a camisa do AEL Limassol por cinco temporadas. Na equipe cipriota, tornou-se o goleiro com mais partidas pelo clube na década de 2010 e faturou a Taça do Chipre de 2018–19, título que encerrou um jejum de trinta anos sem conquistas do torneio pela instituição. Após deixar o futebol português em 2026, Vozinha acertou sua transferência para o Colo-Colo, da Primeira Divisão do Chile.
Estreando pela seleção principal de Cabo Verde em 2012, Vozinha superou a marca de cinquenta jogos pelo país e participou de quatro edições do Campeonato Africano das Nações (CAN). No entanto, o ponto alto de sua trajetória com os Tubarões Azuis ocorreu na bem-sucedida campanha de qualificação e disputa da Copa do Mundo FIFA de 2026.
Na fase de grupos da competição mundial, o goleiro protagonizou uma atuação memorável ao realizar sete defesas cruciais e garantir um empate em 0 a 0 contra a Espanha, resultado que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador da partida e o primeiro ponto da história de Cabo Verde em Mundiais. Sua consistência ajudou a seleção a avançar de forma invicta na primeira fase e alcançar os 32-avos, parando apenas na Argentina após uma dura derrota na prorrogação.
Vozinha é o goleiro da seleção de Cabo Verde que ganhou projeção internacional ao garantir um empate sem gols contra a Espanha com defesas decisivas.
Aos 40 anos, ele afirmou que perdeu sua privacidade, que não tem mais tranquilidade em locais públicos e que preferiria voltar à vida que tinha antes da Copa.
O número de seguidores do goleiro no Instagram disparou de aproximadamente 50 mil para 28,4 milhões após suas atuações no Mundial.
Após o destaque no torneio, o atleta deixou o português Chaves e acertou sua transferência para o clube chileno Colo-Colo.
A seleção cabo-verdiana avançou no torneio e foi eliminada na fase de 32-avos (mata-mata) após levar a Argentina à prorrogação.