De La Fuente: Treinador não levou jogadores do Real Madrid para a seleção espanhola (David Ramos/Getty Images)
Colaboradora
Publicado em 26 de maio de 2026 às 12h42.
O Real Madrid sempre teve peso dentro da seleção da Espanha. Maior campeão do país, o clube acostumou seus torcedores a ver nomes merengues presentes nas listas para as Copas do Mundo. Desta vez, porém, o cenário mudou de forma inédita.
Luis de la Fuente anunciou, na segunda-feira, os 26 convocados da Espanha para o Mundial, e nenhum atleta do Real Madrid apareceu na relação. É a primeira vez que isso acontece em toda a história das participações espanholas no torneio, iniciado em 1934.
Enquanto o rival Barcelona domina a convocação com oito jogadores, clubes como Atlético de Madrid, Athletic Club, Real Sociedad, Celta de Vigo e Osasuna também emplacaram representantes. Fora da Espanha, Arsenal, Manchester City, Chelsea, PSG e Bayer Leverkusen contribuíram com nomes para o elenco.
O defensor Dean Huijsen foi quem chegou mais perto de garantir espaço entre os convocados. O zagueiro de 21 anos havia ganhado força na seleção ainda nos tempos de Bournemouth, mas o desempenho irregular após sua chegada ao Real Madrid acabou custando caro. Com isso, Pau Cubarsí, do Barcelona, e Marc Pubill, do Atlético, ficaram com as vagas.
Outro nome ausente é Dani Carvajal. Vice-capitão da Espanha campeã da Eurocopa de 2024, o lateral perdeu espaço em meio a problemas físicos e baixa performance no clube. Aos 34 anos, nem mesmo apareceu na pré-lista ampliada da seleção e deve deixar o Santiago Bernabéu ao final do contrato.
As opções madridistas eram limitadas. Fran García não é chamado desde 2023, Raúl Asencio saiu do radar após uma convocação sem minutos em campo, enquanto Gonzalo García e Álvaro Carreras ainda não conseguiram transformar o potencial das categorias de base em protagonismo na seleção principal.
O projeto de renovação do Real Madrid passou por turbulências ao longo da temporada. Havia expectativa de que jovens espanhóis como Huijsen, Carreras e Gonzalo García formassem uma nova base nacional sob o comando de Xabi Alonso.
O plano, no entanto, não avançou. Alonso acabou demitido em janeiro, em meio aos problemas internos do elenco, e o sucessor Álvaro Arbeloa também não conseguiu mudar significativamente o panorama.
A má fase do clube teve impacto além da Espanha. Jogadores de outras seleções ligados ao Real Madrid também perderam espaço. Trent Alexander-Arnold não convenceu Thomas Tuchel na Inglaterra, Eduardo Camavinga caiu na hierarquia da França e o argentino Franco Mastantuono corre risco de ficar fora do Mundial após uma temporada decepcionante.
A convocação reforça um movimento que lembra a histórica seleção campeã mundial em 2010. Naquele período, o Barcelona formava a espinha dorsal da Espanha com nomes como Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué e Puyol.
O Real Madrid, porém, também tinha papel fundamental naquela equipe, com Casillas, Sergio Ramos, Xabi Alonso e Arbeloa dividindo o protagonismo.
Agora, a balança pende fortemente para o lado catalão. Entre os oito jogadores do Barça convocados estão Lamine Yamal, Gavi, Pau Cubarsí, Pedri, Ferran Torres e Dani Olmo.
A ausência completa do Real Madrid na seleção não passou despercebida dentro do clube.
Embora Luis de la Fuente tenha minimizado o assunto, afirmando que “não olha para os clubes” na hora de convocar, o episódio foi usado politicamente por Enrique Riquelme, empresário que disputa a presidência contra Florentino Pérez.
Segundo ele, a situação simboliza a perda de protagonismo do clube no cenário espanhol. Resta saber se o tema terá força suficiente para influenciar os sócios madridistas. Para muitos torcedores, no entanto, uma temporada decepcionante no Real Madrid ganhou mais um capítulo amargo com a convocação da Espanha.