Esporte

Responsável por movimentar R$ 183 bilhões por ano, esporte entra na pauta do Congresso

Audiência discute seu papel na geração de empregos, no fortalecimento da indústria e no desenvolvimento do país

Diversas modalidades e o seu impacto na economia do Brasil (Imagem gerada por IA/EXAME)

Diversas modalidades e o seu impacto na economia do Brasil (Imagem gerada por IA/EXAME)

Luiz Anversa
Luiz Anversa

Repórter

Publicado em 8 de julho de 2026 às 15h43.

Nesta terça-feira, uma audiência pública promovida pela Comissão do Esporte reuniu representantes do governo federal, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), confederações esportivas, especialistas e dirigentes para discutir o esporte como instrumento estratégico de desenvolvimento econômico.

O debate ocorre em um momento em que a indústria esportiva brasileira movimenta aproximadamente R$183,4 bilhões por ano, valor equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB), evidenciando a crescente relevância do setor para a economia nacional.

"Ver esse tema ganhar espaço no Congresso é importante porque amplia a discussão sobre políticas públicas e incentivos que fortalecem todo o ecossistema esportivo. Ao mesmo tempo, percebemos que as empresas também evoluíram, há a busca não apenas por visibilidade, mas por projetos com propósito, que gerem impacto real e criem uma conexão autêntica com as pessoas", afirma Vanessa Pires, CEO da Brada, plataforma de impacto positivo que conecta marcas, pessoas e causas sociais via Leis de Incentivo.

Para Leila Neto, Diretora da CRIAPE, empresa especializada na elaboração, gestão e execução de projetos esportivos via Lei de Incentivo ao Esporte, quando o esporte passa a fazer parte das discussões sobre desenvolvimento do país, o impacto vai muito além das competições.

“Esse reconhecimento fortalece políticas públicas e incentiva novos investimentos em projetos que transformam a realidade de milhares de pessoas. Na prática, vemos que iniciativas viabilizadas por meio das Leis de Incentivo conseguem levar oportunidades para regiões que, muitas vezes, não teriam acesso a atividades esportivas, culturais e educacionais", conclui Leila.

Quem estava na comissão

Entre os convidados confirmados estão o secretário da Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco Neto; a presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes; o gerente de Relações Institucionais do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Matheus Bacelo de Figueiredo; o consultor de Projetos Esportivos Incentivados, Ricardo Paolucci; o organizador da Maratona do Rio de Janeiro, Renato Cohen; o coordenador técnico do Instituto de Pesquisa Inteligência Esportiva (IPIE), João Moretti; o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos; e o CEO da Ticket Sports, Daniel Krutman.

"O reconhecimento do esporte como um setor estratégico para a economia é um avanço importante. Quando se discute o impacto da indústria esportiva, é preciso olhar para toda a sua cadeia, desde a formação de atletas até a infraestrutura que permite a prática esportiva acontecer. Espaços bem planejados e investimentos estruturantes ampliam o acesso ao esporte, impulsionam o desenvolvimento regional, geram empregos e criam as condições para que esse mercado continue crescendo de forma sustentável. Esses são os reflexos desse investimento e as conexões do esporte nas políticas de saúde, educação e segurança" afirma Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa de infraestrutura esportiva.

Para Moises Assayag, especialista em finanças no esporte, com atuação em reestruturação financeira e operacional, o reconhecimento do esporte como um setor estratégico reflete uma mudança na forma como a atividade é percebida pelo mercado e pelo poder público.

"Os números mostram que o esporte deixou de ocupar um papel periférico na economia brasileira. Quando um setor movimenta mais de R$180 bilhões por ano e representa uma parcela crescentemente relevante do PIB, com o componente adicional de envolver praticamente todo o país, ele precisa ser tratado como um mercado estratégico. Apesar de nem toda intervenção do Estado em setores econômicos ser positiva, debates como esse contribuem para a construção de um ambiente mais robustecido para investimentos, ajudando-o a progredir, fortalecendo a governança, a profissionalização e o desenvolvimento de toda a cadeia esportiva", completa Moises.

Impacto no PIB

Em 2025, o PIB do Esporte apontou impacto de R$183,4 bilhões, de acordo com o relatório conduzido pelo Instituto Sou do Esporte, com metodologia de cálculo da EY - Ernst & Young. Os clubes esportivos brasileiros tiveram participação expressiva no levantamento, com um valor adicionado de R$8,081 bilhões ao PIB nacional em 2023 (4,41%). Isso corresponde a um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

O relatório aponta ainda que a atuação dos clubes se estende a diversas áreas que não estão contempladas na metodologia do estudo, como gestão de museus, centros culturais, escolas esportivas e outras atividades correlatas, o que indica que o valor real pode ser ainda mais elevado.

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