Ilhas Malvinas ou Falkland: território é espaço de disputa entre argentinos e ingleses ((Foto: Cristian Urrutia / AFP))
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Publicado em 16 de julho de 2026 às 11h51.
A exibição de uma faixa com a frase "Las Malvinas son Argentinas" (As Malvinas são Argentinas, em tradução livre) por jogadores da seleção argentina após a vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra, na semifinal da Copa do Mundo, ganhou repercussão política e pode gerar consequências esportivas.
O governo do Reino Unido afirmou nesta quinta-feira, 16, que apoia uma investigação da Fifa para apurar se houve violação do regulamento da competição.
A manifestação aconteceu logo após a classificação da Argentina para a decisão contra a Espanha. Alguns atletas comemoraram segurando uma faixa em defesa da soberania argentina sobre as Ilhas Malvinas, território administrado pelos britânicos e motivo de uma disputa histórica entre os dois países.
Segundo o regulamento da Copa do Mundo, a Fifa proíbe manifestações políticas por parte de jogadores antes, durante ou depois das partidas. O artigo 34.3 da competição veta a exibição de mensagens ou slogans de caráter político.
O gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que cabe à Fifa decidir sobre uma eventual punição, mas deixou claro que apoia a abertura de uma investigação.
Em comunicado, um porta-voz de Downing Street reforçou a posição oficial do governo britânico.
"A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Falkland certamente são. Nosso compromisso com as Falklands nunca irá vacilar."
Questionado se Starmer concordava com o secretário de Negócios, Peter Kyle, que havia pedido uma apuração do caso, o porta-voz respondeu que compartilhava da mesma posição.
O premiê acompanhou a semifinal enquanto viajava de trem para a Ucrânia, em seu último compromisso internacional antes de deixar o cargo. Sobre a final entre Argentina e Espanha, Downing Street afirmou apenas que Starmer deseja boa sorte às duas seleções, "especialmente à Espanha".
Mais cedo, Peter Kyle classificou a manifestação dos jogadores argentinos como uma "violação grave" das regras da Copa do Mundo.
Segundo o ministro, um dos princípios do torneio é manter a política afastada do futebol e, por isso, espera que a entidade conduza uma investigação completa sobre o episódio.
A pressão política aumentou ainda mais depois que o líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, defendeu a suspensão dos jogadores envolvidos para a decisão de domingo contra a Espanha.
Não seria a primeira vez que a seleção argentina enfrenta sanções por manifestações envolvendo as Malvinas.
Em 2014, após um amistoso contra a Eslovênia, jogadores argentinos exibiram uma faixa com a mesma mensagem e acabaram multados pela Fifa.
Agora, a entidade volta a analisar um caso semelhante justamente durante a reta final da Copa do Mundo.
A rivalidade entre Argentina e Reino Unido em torno das Ilhas Malvinas continua sendo um dos temas diplomáticos mais sensíveis entre os dois países.
O arquipélago é administrado pelo Reino Unido, que o chama de Falkland Islands, enquanto a Argentina reivindica a soberania do território. Em 1982, os dois países travaram uma guerra pelo controle das ilhas, conflito que deixou mais de 900 mortos.
Nos últimos dias, a tensão voltou a crescer também no campo diplomático. O governo argentino protestou contra a passagem do navio britânico HMS Medway por águas que considera nacionais durante uma viagem entre as Malvinas e o Chile.
Londres rebateu a acusação, afirmando que notificou previamente o governo argentino sobre a operação e que a embarcação cumpriu integralmente o direito internacional durante o trajeto, realizado para apoiar missões científicas britânicas na Antártida.
Enquanto a Fifa ainda não se pronuncia oficialmente sobre uma possível investigação, o episódio adiciona um componente político à decisão da Copa do Mundo, marcada para domingo, quando Argentina e Espanha disputam o título.